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R$ 14,00 3ª ed. AGOSTO / 2010 ISSN 2175-7097

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4 Falando de tecnologia 5 Falando de mercado 6 Projetos fotográficos 8 Entrevista 24 Falando de ensino 32 Artigos científicos 34 Traduction 49 Universo virtual

Adriano Gambarini Autor fotográfico de oito livros de arte e dois de poesia. Fotógrafo e colunista da National Geographic Brasil e da Agencia Ambiental OECO, colabora para diversas revistas brasileiras e internacionais. Com vasta experiência em fotografia outdoor, documenta expedições cientificas de organizações como WWF, CI e PróCarnívoros. Possui um arquivo com mais de 80 mil imagens de biodiversidade, cavernas e cultura do Brasil, Antártida e 17 países. Colaborou com uma entrevista e imagens para esta edição.

Altair Hoppe Autor da série best-seller dos livros Adobe Photoshop para Fotógrafos, Designers e Operadores Digitais, do livro Fotografia Digital Sem Mistérios e dos DVDs Photoshop Dicas & Truques. É membro da National Association of Photoshop Professional (EUA), ministra palestras e seminários para Universidades e cursos “in company” por todo o país. É colunista da revista Fotografe Melhor e consultor do quadro Detetive Virtual do Fantástico (Rede Globo). Colaborou com essa edição, escrevendo a Coluna Falando de Tecnologia.

Jana Souza Acadêmica do Curso Superior de Fotografia da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI – Campus de Itajaí (SC) e responsável pelo twitter @foto_grafia. Colabora com a Foto Grafia, indicando sites relacionados à fotografia, na Coluna Universo Virtual.

Foto Grafia – Revista Acadêmica de Fotografia Edição n° 3 Agosto de 2010 Idealizador/Editor: Ricardo Gallarza Diretor de Arte: Felipe H. Gallarza Diretor de Redação: Sergio Antonio Ulber Estagiária de Jornalismo: Paola Carolina Santos Donner Colunistas da Edição: Altair Hoppe, Jana Souza, Lucy Figueiredo e Wander Roberto Revisão Ortográfica: Márcia Haeser Tradução Matérias: Paula Caroline da Silva Tradução Artigos: Daniela Galloti e Isabel Cristina Alvin Imagem de capa: Adriano Gambarini Ilustração pag. 4: Leonardo Pimentel Impressão: Gráfica COAN Editora:

Lucy Figueiredo É Coordenadora e docente da Graduação em Fotografia e da Pós-Graduação em Cinema, Vídeo e Fotografia, ambos da Universidade Anhembi Morumbi - Laureate International Universities – SP. É mestre em Fotografia pela ECA–USP e autora de vários Projetos Pedagógicos em Graduação e Pós-Graduação. É autora do livro Imagens Polifônicas: Corpo e Fotografia. Realiza pesquisa, curadorias e exposições nas áreas de fotografia e audiovisual. Colaborou com essa edição, escrevendo a Coluna Falando de Ensino.

Wander Roberto Atuou em revistas, como Placar, Caras, CONTIGO! e Playboy, e no jornal A Gazeta Esportiva. Cobriu as Copas do Mundo de 1998, 2006 e 2010, Paraolimpíadas de 2004, Olimpíadas de 2004 e 2008, entre outros eventos esportivos. Atua com assessorias de imprensa para diversas Confederações Esportivas como, por exemplo, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Já realizou trabalhos para a Coca-Cola, C&A, RBK, Azaléia etc. Fotografou eventos como o Carnaporto (BA). Colaborou com essa edição, escrevendo a Coluna Falando de Mercado.

RGF Comunicação e Cultura Balneário Camboriú - Santa Catarina - Brasil www.grupolapis.com.br contato@grupolapis.com.br As fotografias e os artigos científicos assinados são de total responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da revista. A produção total ou parcial de qualquer texto ou imagem, por qualquer meio, sem autorização dos responsáveis ou da revista é totalmente proibida. A Revista Acadêmica Foto Grafia é um projeto de fomento à produção intelectual universitária. A LAPIS Comunicação e Cultura agradece a todos que colaboram com este periódico e aos acadêmicos que participam das seleções de projeto, tornando possível a realização deste.


EDITORIAL

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luz fala e a terceira edição da Revista Acadêmica Foto Grafia reitera uma vez mais essa verdade. Em interessantes ensaios fotográficos, esta publicação traz trabalhos que se servem das sutilezas da luz para descrever não apenas personagens e cenários, mas especialmente cumprir uma finalidade fundamental da arte fotográfica, que é a de transmitir valores abstratos, como a emoção, a beleza e o sentimento. Em uma aliança entre a inspiração e a técnica, temos aqui algumas amostras de como a imagem fotográfica pode transcender extraordinariamente o universo textual, impressionando observadores sem a necessidade de uma sempre insuficiente intercessão das palavras. Preocupada com seu valor referencial no universo acadêmico, a Revista Acadêmica Foto Grafia vem evoluindo rapidamente em sua proposta editorial. Ao lado de uma seleta coleção de trabalhos acadêmicos de todo o país, o leitor poderá também acompanhar colunas sobre ensino, mercado e tecnologia. Outras inovações desta edição são a seção de novidades que o universo virtual oferece aos aficcionados da fotografia e as entrevistas com fotógrafos consagrados. Nesta edição, a revista apresenta nada menos que Adriano Gambarini, fotógrafo da National Geographic Brasil e que recentemente palestrou para os alunos dos Cursos de Fotografia da UNIVALI. Além de ser distribuída gratuitamente para todos os cursos Superiores do Brasil que possuem fotografia em suas matrizes curriculares, a revista visa a alçar voos ainda mais amplos, vertendo seu conteúdo para o inglês, com distribuição para algumas das mais importantes universidades do mundo. A leitura certamente revelará o espírito arrojado e inovador de sua equipe editorial, sintonizada com as demandas institucionais e comprometida com uma publicação que possa tornar-se um empuxo criativo para acadêmicos e profissionais que, cada vez mais, elevam a fotografia ao status de arte, conferindo-lhe assim um imenso potencial de sensibilização e mudança.

The light speaks and the third edition of the Foto Grafia Magazine reiterates once again that truth. In interesting photo essays, this publication features works that serve from the subtleties of the light to describe not only the characters and scenarios, but especially to comply with a fundamental purpose of the photographic art, which is to convey abstract values such as emotion, beauty and feeling. In an alliance between inspiration and technique, we have some samples of how the photographic image can transcend the extraordinarily textual universe, impressing observers without the need for an always inadequate intercession of words. Concerned about its reference value in the academic world in the Academic Magazine Foto Grafia has been fastly evolving in its editorial proposal. Alongside a select collection of scholarly works from across the country, the reader may also follow columns about education, marketing and technology. Other innovations in this edition are the news section that the virtual universe offers to the photography fans and interviews with well succeded photographers. In this edition, the magazine has Adriano Gambarini, photographer for National Geographic Brazil and who recently gave a speech to the students of photography courses at UNIVALI. Besides being freely distributed to all Superior courses in Brazil that have their syllabus in photography, the magazine aims to soar even wider, translating its contents into English, for distribution to some of the most important universities in the world. The reading will certainly reveal the daring and innovative spirit of its editorial staff, attuned to the institutional demands and committed to a publication that can become a creative thrust for scholars and professionals that, increasingly, elevate the status of photography into art, thereby giving it an immense potential for awareness and change.

Mário Cesar dos Santos Reitor da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI

Mario Cesar dos Santos Rector of the University of Vale do Itajai - UNIVALI


UNIVERSO VIRTUAL

VEJA O QUE VOCÊ PODE ENCONTRAR DE MELHOR SOBRE FOTOGRAFIA NA INTERNET read this article in english at page 50

Por Jana Souza

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ma das principais portas abertas pela internet é a do conhecimento. Conteúdos específicos que eram encontrados somente em livros técnicos - geralmente importados e de difícil aquisição - estão agora a distância de um clique. Por ser a fotografia uma área de quase infindáveis possibilidades, nem sempre conseguimos assimilar tanta informação, e às vezes nos falta apenas algo que nos inspire e nos mostre como fazer. Essa é a função dos tutoriais online, disponibilizados em instruções detalhadas que podem vir acompanhados de ilustrações, fotos e até vídeos. Sabendo o que se quer encontrar e conhecendo fontes confiáveis, é possível aprender qualquer coisa. Existem tutoriais que ensinam desde os recursos básicos de tratamento de imagem até os mais avançados retoques, além de oferecerem gratuitamente ferramentas para download que facilitam e automatizam o serviço. O ensinamento não se restringe apenas em modificar o que está pronto, muitos tutoriais explicam técnicas fotográficas, o cuidado com a composição, com as cores e iluminação. Alguns sites também indicam as lentes específicas para obter cada resultado e, quando não se tem o equipamento necessário, ainda ensinam como fabricá-los, restando a nós apenas o trabalho de fazer a foto. Empenhe-se em uma boa pesquisa, descubra, faça testes. Aproveite toda a informação que está aí, apenas esperando para ser adquirida.

upload ou usar uma imagem on-line através de seu endereço, a ferramenta descobre a origem da imagem, como está sendo utilizada, se existem versões modificadas ou versões de maior resolução. Ideal para referências, controle de distribuição de imagens e busca de versões melhoradas. Site em inglês.

The Big Picture :: www.boston.com/bigpicture - Referência mundial em fotojornalismo, o site é uma espécie de fotoblog hospedado pelo jornal americano The Boston Globe. Atualizado todas as segundas, quartas e sextas-feiras, tem seu foco em publicar fotografias de alta qualidade ilustrando ricamente as maiores manchetes do mundo. Site em inglês.

Olhares :: http://br.olhares.com - Comunidade online de fotografia em que a publicação e distribuição de imagens é bastante voltada à fotografia profissional. Além da visualização normal de imagens, conta com seções especiais de classificação, como fotografias mais vistas, mais votadas, mais comentadas e a escolha do site. Oferece também serviços de impressão em álbuns e demais produtos, lembrando que todas as fotos hospedadas estão protegidas pelas leis de direitos autorais. Site em português.

TinEye :: www.tineye.com – Site que contém uma poderosa ferramenta chamada “Pesquisa Reversa de Imagens”. Podendo-se optar entre fazer

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Fotografia DG :: www.fotografia-dg.com - Blog indispensável para quem quer se aprofundar e manter-se atualizado no universo da fotografia. Criado por Diogo Guerreiro há cerca de um ano, o blog disponibiliza um excelente conteúdo que engloba teorias, notícias, dicas e técnicas fotográficas, além das diversas colunas escritas por profissionais da área. Site em português. DIY Photography :: www.diyphotography.net - Idealizado por um fotógrafo amador, ao perceber sua necessidade e dificuldade em obter equipamentos de estúdio, o site visa compartilhar conhecimentos dentro da técnica “Faça Você Mesmo”. Com tutoriais passo a passo e ilustrados, é possível produzir equipamentos baratos e funcionais com materiais acessíveis, além de aprender técnicas de iluminação e efeitos na fotografia. Site em inglês.


FALANDO DE TECNOLOGIA

O Narciso invertido read this article in english at page 50

Por Altair Hoppe

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esde o reconhecimento da primeira fotografia, em 1826, atribuída ao francês Joseph Nicéphore Niépce, nunca sentimos tanto, no meio social, a relevância e a influência da imagem. Basta ligar a televisão, acessar a internet ou os aparelhos celulares, e lá estão as imagens mergulhando dentro de nossos olhos, formando conceitos, causando reflexões, e, principalmente, alterando a nossa forma de interagir com o mundo. Sem perceber, estamos espelhados em um universo que não para de se expandir. Um novo big-bang, agora no comportamento humano, que mescla a imagem estática ou em movimento com o avanço das novas tecnologias. Que a tecnologia digital modificou drasticamente o nosso contato com a imagem não há dúvidas. Enquanto a fotografia de filme, analógica, reinava absoluta, a velocidade da imagem para nos afetar era mais serena e compassada. O velho filme 35mm, depois do clique, demorava, às vezes, semanas ou meses para se transformar em imagens impressas. Agora, tudo é diferente. Você clica e a imagem digital explode em seus olhos no mesmo segundo, através do monitor LCD, na parte traseira da câmera ou na tela do telefone celular. Aprendemos a sentir, em tempo real, o impacto da imagem digital e das tecnologias em nossa vida familiar, social e profissional. Geralmente, ela não pede licença, ela simplesmente impressiona, seduz, emociona ou, simploriamente, como se diz na gíria de rua, causa. A fotografia digital causou. Mudou a forma de sentir e enxergar o mundo. Mas onde estão os limites dessa revolução tecnológica da imagem? Bem, a julgar pelo que estamos presenciando nos últimos meses, o céu não é o limite. Temos avanços extraordinários em três frentes distintas: a imagem na internet, a imagem em movimento pelas câmeras fotográficas e a imagem 3D no cinema, televisão e fotografia. embrião de tudo isso, sem dúvida, foi a imagem associada à expansão da internet. Novas tecnologias, que puxaram e massificaram outras. O Orkut, por exemplo, que reúne nada menos que 35 milhões de usuários só no Brasil (62% do total no mundo), alia ferramentas para envio e recebimento de textos com robustos álbuns de imagens. União perfeita para o perfil dos brasileiros. A partir do boom do Orkut, outras ferramentas ganharam força no país como o Flickr, que é um site que partilha imagens fotográficas, os blogues e fotoblogues, o Facebook, o MySpace, o Google Maps, o Google Earth, além do famoso YouTube. Todas redes sociais ou mecanismos de compartilhamento de imagens ou vídeos, que direta ou indiretamente abriram portas para uma

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nova cultura da aplicação, exposição e liberdade da imagem. Liberdade e diversidade que alimenta negócios, que faz acelerar a máquina do desenvolvimento de empresas de tecnologias, ansiosas por novos conceitos e produtos. Por isso, hoje, qualquer internauta se tornou um potencial fotógrafo, criador de imagens ou gerador de conceitos, mesmo que de forma empírica. O YouTube, por exemplo, impulsionou a criação de clipes e vídeos caseiros. O que a indústria fez? Percebendo o interesse do público na tecnologia e na imagem em movimento, fabricantes de aparelhos celulares e câmeras fotográficas desenvolveram equipamentos capazes de filmar não só de maneira doméstica, mas de forma profissional, como no caso da câmera fotográfica Canon 5D, que está mudando o conceito de captura de vídeos. Agências de publicidade e produtoras de vídeo estão largando as tradicionais filmadoras para aderir ao equipamento, que grava filmes em FULL HD, com qualidade similar ao de cinema. O boom é tão vertiginoso que uma das séries de TV mais famosas do mundo - Dr. House - produziu um episódio inteiro com a 5D. Ela é a precursora dessa revolução, mas já temos uma dezena de modelos com a mesma capacidade. A qualidade é consistente ao ponto de, ao invés de fotografar, é possível apenas filmar uma cena e depois transformar cada frame e uma imagem estática para incluir em um álbum ou livro fotográfico. Mas isso seria o precipício para o instante decisivo na fotografia? Talvez sim, talvez não. O mais provável é uma nova forma de captura, como passamos da pintura para a fotografia, da fotografia analógica para a digital. Evolução e reinvenção do processo. A pintura não morreu, nem a fotografia analógica, nem a digital. Apenas a cultura muda. A massa é conduzida gentilmente e mansamente para novos meios. Então, se daqui alguns dias ao invés de fotografar, você filmar, não se espante. Tudo, claro, feito com uma câmera fotográfica, que poderá instantaneamente publicar suas imagens ou vídeos no YouTube, blogues ou redes sociais. um estágio mais recente, mas muito acelerado, temos a imagem em 3D. Essencialmente, o 3D não é uma novidade. Na década de 30, o cinema já usava imagens 3D. Mas James Cameron, com o seu Avatar, revolucionou a tecnologia e está criando, literalmente, um novo universo, que antes era bidimensional e que agora será todo tridimensional. Além dos cinemas 3D, estamos entrando numa onda de televisores 3D, monitores de computador e câmeras fotográficas. Tudo em 3D. Logo ali na frente, os impressos: revistas, jornais e catálogos, sem exceção, serão ajustados ao novo padrão de imagens. Para onde seremos levados por tudo isso? Haverá convergências? Em quanto tempo? A imagem é uma revolução datada ou sem prazo de validade? Não resta a menor dúvida de que a influência e a presença da imagem e da tecnologia irão aumentar cada vez mais. A maioria das tecnologias ainda está na primeira fase desenvolvimento, levando em conta seu ciclo evolutivo, como por exemplo, a velocidade de acesso na internet ou a qualidade de imagens. Logo ali na frente, não haverá mais o teclado, nem o monitor do computador, nem a câmera fotográfica, toda tecnologia será convergida para a criação apenas da imagem projetada no espaço vazio de nossas mãos, de onde poderemos capturar, compartilhar e visualizar vídeos, fotografar ou interagir. Os produtos serão reinventados ou extintos, mas a imagem, em todas suas formas, será cada vez mais democrática e onipresente. Agora cabe a nós olhar pra dentro de nós mesmos e enxergar que tipo de imagem queremos externar aos olhos do mundo.

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FALANDO DE MERCADO

Tornar-se referência read this article in english at page 51 Por Wander Roberto

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or uma questão de negócios, experiência ou até mesmo sobrevivência, o fotógrafo deve fotografar de tudo, mas, em contrapartida, o mercado requer especialização. Basta parar em frente a uma banca e observar as revistas de moda, esportes, adolescentes, produtos, imóveis ou festas para perceber que os veículos que precisam de um fotógrafo priorizam o profissional referenciado no ramo específico. Cada pessoa enxerga as coisas do seu jeito e tem seu próprio modo de retratar, é por isso que afirmo ser quase impossível saturar o mercado fotográfico. Há espaço para todos os profissionais mostrarem sua identidade através de seus trabalhos e, paralelamente, há um mercado que necessita cada vez mais da imagem. O leque de opções que a fotografia oferece também é um fator positivo para a valorização dos profissionais da área. Fazendo uma breve listagem, pode-se fotografar em ambientes fechados ou abertos, registrar produtos, modelos, animais, plantas, esportes, publicidade ou jornalismo e,

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dentro de cada uma dessas opções, encontram-se muitas vertentes para escolher uma especialização. Sou fotojornalista esportivo, especializado em futebol, mas isso não me impede de fotografar outros esportes ou até mesmo outros ramos. Desde que comecei a fotografar, já sabia que minha paixão era o esporte - o futebol em especial - mas nem por isso recusei outros trabalhos. Antes de me estabilizar nessa área, fotografei casamentos, conferências, books e fui paparazzi, mas tudo isso sem perder o foco no meu grande objetivo. Apesar de ter começado minha carreira como fotógrafo contratado por um veículo de comunicação, há nove anos atuo como freelancer e acredito que essa seja a tendência do mercado. Ao contrário do que muitos pensam, existem épocas do ano em que é impossível trabalhar sozinho como freelancer. Em todos esses anos, foram raros os meses em que tive escassez de trabalho, e por isso hoje conto com outros três fotógrafos para atender todos os meus clientes. Você desenvolve seu lado em-


preendedor e administrador para que não falte verba nos meses em que diminui a demanda de trabalho. ara os fotógrafos fixos de um veículo, também é possível atuar como freelancer, basta saber dosar essa relação. Muitos dos meus atuais clientes são da época em que eu trabalhava em um jornal. Cabe aqui ressaltar que, neste caso, é importante ter seu próprio equipamento. Mesmo que ele não seja o top de mercado, ele é seu e será fundamental caso perca o emprego fixo. As únicas dificuldades de ser freelancer são a administração da sua própria empresa, a compra e manutenção do próprio equipamento. No mais, tenho a liberdade de fazer meu próprio calendário, programando minhas férias ou folgas para a data que eu desejar, além ser remunerado proporcionalmente ao tempo em que trabalho, o que não acontece quando se tem emprego e salário fixos. Primeiramente, acho fundamental que o fotógrafo descubra o que lhe agrada fotografar. Independente do ramo escolhido, quanto mais cedo ele começar a praticar, mais tempo tem para se especializar, aumentando, assim, as chances de se tornar referência no seguimento escolhido. Outro fator importante é jamais abrir mão de seu estilo. A identidade do fotógrafo está ligada à sua personalidade e ela soma positivamente no mercado de trabalho. Já estive com editores de imagens de grandes veículos, por exemplo, no momento em que um estava cercado por muitas fotografias, ele escolheu uma imagem em meio a tantas, olhou para mim e disse: “Essa foto só pode ser sua”. Independente do motivo que o levou a chegar a essa conclusão, a luz diferenciada ou a angulação, de alguma maneira ele identificou que era meu trabalho, a minha fotografia. Quem vê em meu currículo a cobertura de dois Jogos Olímpicos, três co-

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pas do mundo incluindo a de 2010, eventos esportivos e sociais do Comitê Olímpico Brasileiro, Campeonatos Sul-Americanos de futebol de campo ou basquete, pode pensar que tive sorte. Porém, cada passo da minha carreira, além de uma grata surpresa, foi graças à identidade que expus nas minhas fotos e que se tornaram minha marca registrada. Obviamente, a identidade profissional não deve tornar-se uma obsessão na busca do reconhecimento imediato. Existem pautas que permitem fazer algo novo, trabalhar com uma luz nova ou um novo recurso, mas há trabalhos em que não é possível ficar “inventando” muito. É melhor garantir o factual e depois ousar, sem colocar em risco a qualidade do trabalho ao cumprir a pauta. prazer de quem fotografa está em proporcionar ao espectador uma imagem ou cena que se torne inesquecível, lances diferenciados, que aos olhos humanos são impossíveis de serem apreciados nos mínimos detalhes. Registrar os fatos é uma forma de transportar o espectador ao passado, o que, no caso do fotojornalismo, jamais se repetirá. Pode haver semelhanças, mas jamais haverá um lance totalmente igual àquele. A fotografia tem a função de ilustrar, entreter, divertir e, especialmente no fotojornalismo, informar. Muitas vezes a fotografia fala mais do que o próprio texto e sua utilização é essencial. Ao tornar-se referência profissional em um ramo da fotografia, o fotógrafo também se torna essencial, ganhando destaque e reconhecimento no mercado de trabalho. Nenhuma empresa irá arriscar na hora de contratar um fotógrafo, sendo que depende da qualidade do trabalho desse profissional para ter uma projeção positiva de seu produto. Por isso, especialização é a palavrachave do mercado e são os profissionais com as melhores referências que acabam ganhando notoriedade

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PROJETOS FOTOGRÁFICOS Um dos maiores objetivos da Foto Grafia é seder espaço para a publicação autoral de fotografias produzidas por universitários, assim estimulamos a produção e somos surpreendidos com novos talentos. Consulte os editais de publicação no site

www.grupolapis.com.br

Os seguintes fotógrafos foram selecionados para esta edição: 10 - Davilym Dourado

17 - Eduardo Hideichi Fujise

11 - Elias Azevedo da Silva

18 - José de Almeida Viana Junior

12 - Calebe Simões de Souza

19 - Thiago Guedert

13 - Francismar Ramírez Barreto

20 - Frederico Guilherme Bonatto

14 - Daniel Tonial Thomaz

21 - Thais Monteiro da Rocha

15 - Fernando Gregório Catto

22 - Mariana Araujo Zanatta

16 - Gilson de Rezende


Davilym Dourado Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo - Fespsp - SP

www.flickr.com/davilym

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Elias Azevedo da Silva Universidade de BrasĂ­lia - UNB - DF

eliasazevedo@ibest.com.br

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Calebe Simões de Souza Universidade Metodista de São Paulo - UMESP - SP

www.calebesimoes.blogspot.com

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Francismar Ramírez Barreto Universidade de Brasília - UnB - DF

http://salvapalabra.tumblr.com

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Daniel Tonial Thomaz Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC - SC

danieltonial@gmail.com

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Fernando Greg贸rio Catto Universidade Estadual de Campinas - Unicamp - SP

fegcatto@gmail.com

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Gilson de Rezende Universidade do vale do Itajaí - UNIVALI - SC

www.flickr.com/gilsonderezende

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Eduardo Hideichi Fujise Universidade de Sรฃo Paulo - USP - SP

www.flickr.com/eduardoducho

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José de Almeida Viana Junior Faculdade do Pará - FAP - Pr

www.flickr.com/joseviana

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Thiago Guedert Universidade do vale do itajaí - UNIvali - SC

www.flickr.com/thiagoguedert

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Frederico Guilherme Bonatto istituto brasileiro de mercado de captais - Ibmec - MG

www.bonattodesign.com

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Thais Monteiro da Rocha Centro universitรกrio da cidade - UniverCidade - SP

www.cargocollective.com/thaisrocha

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Mariana Araujo Zanatta pontifícia universidade católica - PUC - MG

www.flickr.com/marianazanatta

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www.grupolapis.com.br * todos os trabalhos enviados passaram pela seleção da equipe responsável. Apenas trabalhos selecionados serão publicados.

Novidade: Preocupada com a natureza e com o aquecimento global, o Birô Erre adquiriu a impressora

HP LÁTEX,

uma novidade que minimiza o impacto ao meio ambiente.

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3367.4944

www.b i r o e r r e .com.br

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Caverna Planaltina, PA. A quantidade de nĂŠvoa gasosa dificultou muito o trabalho.


ENTREVISTA

“OLHOS DO MUNDO” AS DIVERSAS FACES DE GAMBARINI read this article in english at page 52 Por Paola Donner

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ão é apenas dos olhos que depende o trabalho de um fotógrafo. Literalmente, foram os pés de Adriano Gambarini que o levaram a fotografar. Apaixonado por viajar, desde seu primeiro ano de idade esteve sempre a bordo do carro da família rumo a um acampamento, retratando em filme fotográfico as belezas da natureza com a câmera Olimpus Trip do seu pai. As viagens em família foram apenas o marco inicial da trajetória desse profissional. Suas expedições “por seus próprios pés” começaram em 1985, com apenas 15 anos. Sozinho ou com seus irmãos, e sempre portando a câmera paterna, viajou como mochileiro por todo o Brasil, pedindo carona, acampando em praias e montanhas, sendo guiado apenas pelo vento. Pouco fotografava, mas dedicavase intensamente aos diários de bordo, poemas e comentários sobre os lugares que conhecia. Entre os prédios das grandes cidades, os vilarejos do sertão e as belezas do litoral, conheceu a escuridão das cavernas e por ela se apaixonou. Foi por causa das cavernas que ingressou no curso de Geologia na Universidade de São Paulo, em 1987, quando a fotografia tornou-se constante em suas saídas de campo. Acompanhou expedições de espeleologia – ciência que estuda as cavidades naturais - durante o período de graduação, e foi buscando um modo de mostrar toda a beleza escondida na escuridão das cavernas que Adriano começou a fotografar. Aposentou a velha câmera do seu pai para manusear uma mecânica Canon AE1. Em 1992 tornou-se fotógrafo profissional e, consequentemente, ainda mais andarilho. Seu trabalho foi além das cavernas. O verde das matas e a diversidade de bichos e plantas que fascinam Gambarini desde sua infância também se tornaram alvo de suas lentes. Suas fotografias já ilustraram as principais revistas FOTO GRAFIA / Nº 3 / 2010

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brasileiras, assim como diversas edições da National Geographic, Mercator’s World e GEO Magazine. Pode-se dizer: Adriano Gambarini é um viajante que retrata a natureza não apenas com a câmera fotográfica, mas também com o coração. É um profissional que se preocupa com o benefício que sua fotografia pode trazer e que se entrega inteiramente ao seu trabalho a ponto de, através de suas imagens, conseguir tocar os sentimentos mais profundos do ser humano. A luz, a escuridão e a poesia As cavernas foram sua grande escola autodidata. Exploradas desde o período de graduação, Adriano utilizou a escuridão dessas cavidades para entender a importância de luz. “A escuridão absoluta, a necessidade de entender qual é o conceito de luz e como ela se comporta, para conseguir uma boa imagem condizente com a beleza daquele mundo subterrâneo, foram os ingredientes necessários para eu tomar gosto pela arte e perceber que a alma da fotografia é a luz”. Tendo a câmera fotográfica como seu pincel, transformou lugares antes escuros em verdadeiras obras de arte. Além da imagem, Gambarini também viu nos textos uma oportunidade de compartilhar suas crenças e seu modo de ver a vida. Sempre gostou de escrever e, antes de começar a fotografar, era através da escrita que se expressava sobre as viagens, as belezas e as indagações a respeito do que via e sentia. resultado foi a publicação de dois livros de poesias, contos e crônicas que retratam vivências de suas viagens. Entre tantas outras atividades, também é autor fotográfico de oito livros de arte e produz artigos para revistas especializadas em meio ambiente. Sem criar estereótipos de beleza, Adriano fotografa o que gosta e o que sente, busca algo que o emocione e o incentive a produzir a imagem, pois acredita que o motivo pelo qual está clicando fica implícito de alguma forma que será percebida por quem observar a imagem. “Gosto muito de arte e já experimentei poesia, música clássica e escultura. Acredito que isso contribuiu para algum tipo de apuração estética sobre meu modo de olhar para as coisas e criar um conceito próprio de beleza, e não especificamente o que as pessoas, nos diversos momentos sociais, ditam como sendo bom ou ruim, bonito ou feio. E na fotografia sempre foi assim: se me agrada aos olhos ou me emociona de alguma forma, eu fotografo”, afirma. Além disso, crê que a fotografia pode ser um grande instrumento de conscientização no que se refere às questões ambientais e de valorização cultural.

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Onça-pintada no Parque Nacional das Emas, GO.

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Artesã produzindo guarda-sol de folha de papel de arroz. Norte da Tailândia. Criança brinca com borboletas em ilha do Rio Negro, AM.

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Casa palafita de madeira, típica moradia amazônica.

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Agregado a estes conceitos próprios de beleza, sua formação acadêmica contribuiu para que grandes partes dos seus trabalhos tivessem relação com atividades científicas, expedições para estudo ambientais e de conservação. “Por ter já trabalhado como pesquisador, conheço as necessidades dos pesquisadores em campo, o que é importante documentar e de que forma. Assim, muitas vezes, consigo imagens com alto valor informativo, mas também com seus valores estéticos ressaltados. Uma atividade técnica, numa dada situação, pode ter uma beleza ímpar”. Assim, é comum ver suas imagens compondo relatórios e publicações científicas, ambientais e históricas, produzidas por ONGs e Órgãos Governamentais. Fotografia e tecnologia

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urante sua carreira, Adriano Gambarini acompanhou as mudanças tecnológicas da fotografia: a evolução da câmera analógica para a digital (apesar de ainda usar filme fotográfico nas imagens produzidas nas cavernas), o surgimento de softwares e os recursos criados para melhoria de imagem, operados em computadores ou na própria câmera. Ele vê a fotografia digital como um reflexo da velocidade do mundo em que vivemos e que facilita a comunicação, mas todo esse processo de aceleração tem um risco. “A arte é algo que não se faz em algumas horas e, tendo a fotografia como arte, por que fazê-la com rapidez? Obviamente esta rapidez permitiu que o fotojornalista, por exemplo, compartilhasse a informação em tempo real, mas temos sempre que trabalhar com discernimento”. A tecnologia digital permite-nos obter inúmeros registros da mesma cena para depois escolhermos o melhor, o oposto dos filmes fotográficos, em que os fotógrafos aguardavam o melhor instante para fotografar. “No filme, priorizávamos o clique certeiro; a relação com o momento muitas vezes era regida pela intuição de clicar na hora certa. Em muitas cenas de animais silvestres, por exemplo, tenho apenas uma foto”. Para Adriano, nada mudou em suas fotos com a tecnologia digital, no sentido estético e de linguagem fotográfica, exceto o fator de poder ver a fotografia instantaneamente. A tecnologia é importante, desde que o profissional não despreze a importância do momento fotografado e não se iluda em achar que qualquer “falha”, na hora do clique, pode ser corrigida posteriormente.

Monge chinês budista. Xiahe, cidade-monastério, China.

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Menina ribeirinha com lábios de açaí, Baia de Caxiuanã, PA.

Gambarini acredita no olho e no coração do fotógrafo, não apenas em sua máquina. “Antes de tudo, somos seres humanos, e nossa presença interfere no momento que vivemos. Assim, viva a realidade e a cultura que estás fotografando, interaja com o meio, se entregue àquele momento, tenha um propósito de estar ali, registrando o que vê. É o primeiro passo para criar uma boa fotografia. A tecnologia soma, mas não é a solução. Imagens ruins e cliques errados permanecerão assim, por mais que tentemos consertá-las nos softwares de tratamento de imagem, porém as boas fotografias serão boas mesmo sem qualquer retoque”. Vale lembrar que existe uma grande diferença entre tratamento e manipulação de imagem. Viagens e experiências Quase todas as expedições que o fotógrafo participou incluem uma grande equipe de pesquisadores envolvidos na questão ambiental. “Valorizo muito a confiança que adquiri de Instituições como WWF, Conservation International,

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The Nature Conservancy. E acho que esta confiança mútua surgiu pelo fato de eu ter muita preocupação em retratar da melhor forma possível as pesquisas e os pesquisadores, sempre priorizando o que é importante para eles. Quando estou numa expedição, tenho consciência que sou apenas mais um participante, portanto devo total solidariedade e respeito às pessoas e suas atividades”. Já esteve em mais de 15 países, entre eles China, Quirguistão, Camboja, França, Grécia, Noruega, Cuba, Bolívia e, como gosta de definir, “todos os países dentro do Brasil”. “Não costumo exacerbar as dificuldades que passo durante um trabalho, na ilusão de que isto tornará as fotografias mais valiosas ou importantes, muito menos mentir sobre a situação vivida. É uma armadilha do ego, além de desrespeito à veracidade da informação que vem contida na imagem e às pessoas que estão ‘lendo’ aquela imagem. Registrar uma cena rara tem um mérito pessoal, não fotográfico. Acredito que as dificuldades que surgem são decorrentes da expectativa que você coloca sobre aquele trabalho, por isso tento não criar expectativas. Porém, já tive dificuldades decorrentes do ‘tema’ fotografado ser muito


complicado”. Adriano já passou quatorze horas em um único salão subterrâneo e 18 horas camuflado na mata, sem poder andar, e sem nada para comer ou beber, na tentativa de fotografar uma espécie rara, o Cachorro-do-mato-vinagre. Apesar da certeza de que o animal estava ali, na toca, não conseguiu a fatídica foto! Mesmo com todos os desafios de sua profissão, Gambarini ama o que faz e dedica-se inteiramente ao trabalho.

“O conceito de linguagem fotográfica é uma coisa que está se perdendo por aqui, pois o mercado de consumo de equipamentos criou a idéia que basta comprar uma câmera para se tornar fotógrafo, e as pessoas estão esquecendo o principal, que é o aprendizado constante, a linguagem e a personalidade do fotógrafo. Não podemos banalizar a arte de fotografar, temos que valorizar quem se dedica a ela”, diz Gambarini.

Linguagem fotográfica

O fotógrafo

É

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necessário cumprir o que o mercado pede, mas também é essencial colocar características próprias na fotografia. Primeiramente é preciso ter um conhecimento aprofundado sobre fotografia para depois poder ousar e construir sua identidade. “Lembro um dia, quando estava na Editora Abril e encontrei um antigo amigo de família. Contei um pouco da minha história e mostrei as fotos para ele e outro senhor, que ao ver os cromos sobre a mesa de luz falou: ‘o mais interessante de todas estas fotos é perceber que foi clicado pela mesma pessoa, por causa da luz’. Isto é muito importante pra mim, que acredito na construção de uma linguagem. Imprimir um modo de fotografar para que as pessoas reconheçam seu olhar, sem sua assinatura. A linguagem deve ser a assinatura do fotógrafo”. A fotografia é o objeto de arte de Adriano Gambarini, algo para ser admirado como uma pintura, apesar da valorização e seu uso decorativo terem começado há poucos anos no Brasil. Gambarini costuma vender com frequência fotografias para esse fim. As fotos têm um número limitado de ampliações, são assinadas e chanceladas com certificado de autenticidade. Essas vendas são feitas através de seu site ou em uma galeria de arte de São Paulo, onde estão expostas algumas séries temáticas.

lém de continuar com as expedições de fotografia ambiental e trabalhar para empresas privadas produzindo fotografias institucionais que compõem relatórios anuais, catálogos e folderes, Adriano Gambarini possui diversos projetos paralelos. É colunista do Blog da National Geographic Brasil e da Agencia OECO, o melhor site de conteúdo ambiental da atualidade; trabalha na publicação de um novo livro sobre a Serra da Canastra, com lançamento previsto para o final deste ano; ministra palestras e workshops pelo país; desenvolve dois projetos novos de livros, e está finalizando duas matérias para a National Geographic. “‘Meu problema’ é que eu gosto tanto do que faço que topo tudo o que me convidam fazer, pois tudo é tão fantástico de se produzir, trabalhar e se dedicar! Pena que o tempo é um só”. Por se envolver com temas tão diversos, o fotógrafo formou um arquivo com mais de 100 mil imagens, possivelmente o banco pessoal de imagens com maior diversidade temática. Fauna e flora raras, modos de vida e cultura de diversas etnias. Desde os budistas cambojanos até os romeiros nordestinos, das plantações de mostarda na China à soja no Mato Grosso, das florestas temperadas da Finlândia ao desconhecido cerrado Amazônico, das cavernas inexploradas do Pará às grutas religiosas do Laos, das capelas mineiras às catedrais européias, tudo se encontra em seu banco de imagens.

“Acredito que nossas ações são reflexos de nossa essência, nossa educação e ‘experienciações’ vividas.Tudo isto se transfere para o que nos tornamos na vida. Estamos aqui só de passagem, então devemos deixar algo de bom.” Adriano Gambarini.

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FALANDO DE ENSINO

Fotografia, Educação e Cultura: Uma Visão Interdisciplinar read this article in english at page 54 Por Lucy Figueiredo

Fotografia: gênese dialógica

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campo do saber fotográfico surge do imbricamento de distintas áreas do conhecimento e estabelece, a priori, uma relação dialógica estrita entre física, química e arte. Podemos afirmar que a linguagem pictórica e os fenômenos físicos e químicos são os principais precedentes da fotografia. A propagação das ondas luminosas, juntamente com as descobertas da óptica, irá desencadear as primeiras experiências de captação de imagens miméticas, trazendo a possibilidade de retenção das imagens projetadas, através da inscrição da luz sobre a superfície fotossensível e a posterior fixação das sombras, propiciada pela realização dos banhos químicos. O entendimento da fotografia enquanto um sistema cultural evidencia-se nas constantes atualizações que o processo fotográfico realiza, pois essas ressignificações resultam das constantes permutas e contágios dos objetos semióticos em circulação. Para Phillipe Dubois, encontramos nas cavernas de Lascaux os primeiros indícios dos procedimentos fotográficos. Tendo como ponto de partida a relação indicial, as Mãos de Padrão seriam a gênese das representações que resultam do registro do referente e da relação física direta, com o objeto

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representado. Dessa forma, teríamos na relação por contiguidade a condição primeira, para a existência das imagens técnicas, em que a fotografia figura como precedente de todas as outras que se sucederam. O instrumental tecnológico sofre constantes modificações, essas inflexões perpassam por todo o percurso da criação fotográfica e é dessa maneira que vão se traduzir novas possibilidades de produção do conhecimento e expressão dessa linguagem. Ao tentarmos traçar um diagrama do campo fotográfico, poderíamos iniciar nosso percurso em Lascaux, passando pela Antiguidade Clássica e pelo Renascimento de Leonardo da Vinci, quando os aparatos ópticos foram largamente utilizados para a criação pictórica desse período. Se, por um lado, Da Vinci consegue aproximar através da inter-relação o campo da ciência exata ao campo da arte, por outro, resultam desse imbricamento mudanças significantes na formulação da linguagem visual, que se traduz em um conhecimento expandido, fabulado com as premissas do que viria a ser o “paradigma fotográfico”. Conhecimento compartimentado X interdisciplinaridade: universos paralelos

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ascensão da era industrial, que nos abre esse novo campo de conhecimento que é a fotografia, nos oferece também a instituição da educação e da pesquisa disciplinar. Com o intuito de atender a sofisticação e a complexidade tecnológica, o saber passa a ser desenvolvido, cada vez mais, de modo compartimentado e fragmentário. Conceitualmente, as disciplinas organizam-se em


torno de uma problemática levantando questões de cunho teórico-prático, que objetiva, através da aplicação metodológica, promover o conhecimento de uma ciência e a aquisição do saber. modelo do aprendizado específico da fotografia, nos moldes contemporâneos, classifica em níveis os ciclos distintos do conhecimento nessa área. Dessa forma, se abre uma gama bastante complexa, de propostas didático-pedagógicas e objetivos disciplinares. A fotografia vem se desenvolvendo no campo da educação prioritariamente, nas áreas de conhecimento da comunicação e da arte, no entanto tornou-se muito recorrente sua utilização disciplinar, nas mais distintas áreas do saber, como sociologia, antropologia, psicologia, medicina, informática, entre outras. Nesse sentido, a aplicação desse aprendizado aponta para objetivos díspares e singulares. Sem sombra de dúvida, o ensino da fotografia desenha uma trama bastante intrincada, na multiplicidade de sua utilização. A constituição desse conhecimento muitas vezes se realiza de forma mais fragmentária e vertical, dentro de uma especificidade pontual, em projetos didático-pedagógicos de caráter mais flexíveis, que visam à aplicação imediata do conhecimento às necessidades do mercado. Esse conhecimento do objeto fotográfico se realiza frequentemente de forma modular, através dos cursos de extensão ou aprimoramento profissional, de oficinas e workshops Esse tipo de aprendizado atende segmentos distintos, suprindo as necessidades de iniciantes no campo fotográfico, assim como também recebe os egressos das formações acadêmicas, que buscam nesses cursos de formato compacto a possibilidade de realizarem as constantes atualizações que o mercado profissional exige. Nesse sentido, essa parcela da educação em fotografia opera com objetivos específicos, e oferece em sua quase totalidade suporte essencialmente tecnológico para a fotografia aplicada e vão desde as atualizações de programas e softwares, aos aspectos técnicos mais elaborados de cada segmento profissional da fotografia. A fotografia, enquanto disciplina, está presente em grande parte das matrizes curriculares das áreas de comunicação, como jornalismo, publicidade, rádio e TV e nas áreas de artes e de design. Essa formação responde por uma parcela significante do mercado de trabalho da fotografia atual, composto, em sua grande maioria, por profissionais egressos desses cursos, uma vez que a formação superior em fotografia é ainda recente em nosso território. Outra vertente que vem se expandindo e que lança mão de um uso singular dessa linguagem são os projetos educacionais de cunho pedagógico-sociais. Nesse âmbito a ênfase no conhecimento técnico possui objetivos que visam, muitas vezes, a inclusão social, a conscientização do contexto socioambiental, a recuperação da própria subjetividade, entre tantos outros.

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Conhecimento compartilhado: saber universal Dentro da proposição de oferecer um conhecimento mais pleno, que tange não apenas o conhecimento tecnológico, mas que visa também uma formação no seu sentido lato, a transmissão desse conhecimento se apresenta através dos projetos pedagógicos de média e de longa duração, que reúnem subsídios para a aquisição do saber de modo integral. Nesse formato, os cursos Superiores de Graduação e de Pós-Graduação lançam propostas pedagógicas que tratam a fotografia enquanto um sistema de conhecimento que se articula, a partir de sua estruturalidade, com as mais diversas áreas científicas. Dessa forma, está prevista na arquitetura curricular desses projetos a interação inter e transdisciplinar, que objetivam propor uma formação pautada nas fundamentações técnicas, práticas, culturais e humanísticas. endo assim, a formação superior possui a primazia em propor um encadeamento circular do conhecimento, buscando inserir um indivíduo plenamente capacitado em um mercado profissional que se apresenta cada vez mais intrincado e hibridizado. Através da difusão de um saber transversal oriundo dos vários campos cognitivos, a formação acadêmica superior potencializa a possibilidade de habilitar profissionais que atendam a abrangência do mercado de trabalho. Este, por sua vez, prioriza os profissionais que possuam capacidade para refletir sobre o seu processo de produção, que deverá ser qualitativo e diferenciado. O ponto de partida da nossa reflexão está ancorado na relação dialógica que a própria gênese da fotografia problematiza. Por sua vez, enquanto um sistema cultural que possui uma estrutura nuclear, armazena, transmite e transforma a informação em novo conhecimento. Dessa forma, sublinhamos a circularidade dos sistemas culturais que se encontram sempre em constante processo de reelaboração e transformação. Nesse sentido entendemos que o trânsito entre as mais distintas áreas científicas, ou o conhecimento interdisciplinar, pode amplificar a retransmissão do saber. O conhecimento transdisciplinar vem fomentar o diálogo entre as disciplinas, propondo um pluralismo epistemológico, no qual os conhecimentos encontram suas potencialidades e limitações. O projeto de aprendizado circular pretende diluir as fronteiras demarcadas e oferecer um processo de cognição, que se pauta na experimentação das idéias que se renova diariamente em uma ação dinâmica na aquisição do saber. Nesse sentido, o ensino contemporâneo da fotografia prevê, em projetos pedagógicos mais arrojados, essa proposta educacional, pois entende que, dessa maneira, poderá qualificar a formação e tornála mais condizente com as expectativas de um universo profissional que é, por natureza, dinâmico, complexo e multifacetado.

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ARTIGOS CIENTÍFICOS A informação faz rever conceitos, abre novos horizontes, permite a socialização do conhecimento, instrui fornecendo dados, visões, instruções, percepções e acima de tudo, bases teóricas que são princípios elementares de uma arte ou ciência. Como sabemos, fotografar é uma arte e, logicamente, não poderíamos deixar de publicar suas teorias na Revista Acadêmica Foto Grafia.

Os seguintes artigos foram selecionados para esta edição: A FOTOGRAFIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS > Pag. 35 A IMPORTÂNCIA DOS PROCESSOS DE INFLUÊNCIA E REPRESENTAÇÃO DA FOTOGRAFIA NA ATIVIDADE TURÍSTICA > Pag. 40 REFLEXÃO SOBRE O PONTO DE VISTA ZENITAL > Pag. 44 Consulte os editais de publicação no site

www.grupolapis.com.br


A FOTOGRAFIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Fabio Noda Hasegawa fabionodahasegawa@hotmail.com Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina - UEL, Pós Graduado em Educação de Jovens e Adultos pela Escola Superior Aberta - ESAB e Pós graduando em Fotografia pela Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI

PALAVRAS-CHAVE: Fotografia, EJA, Antropologia Visual O presente trabalho foi elaborado com o objetivo de analisar através de conceitos pedagógicos e antropológicos a questão da utilização da fotografia na prática pedagógica na Educação de Jovens e Adultos. A discussão em torno deste tema foi feita a luz das propostas pedagógicas de Paulo Freire, com a introdução da fotografia como um material documental, retirado das próprias relações sociais do educando. Neste sentido, se propõe uma discussão do uso da fotografia como uma maneira de olhar de fora a própria realidade, podendo auxiliar tanto educadores como os educandos da EJA no entendimento da realidade social, sendo parte dela, interagindo e modificando-a. Abstract The present work was elaborated with the objective to analyze through pedagogical and anthropologic concepts the question of the use of the practical photography in the pedagogical on the Adult and Young Education. The discussion around this subject was made of a pedagogical proposal light of Pablo Freire, with the introduction of the photography as a documentary material, removed of the proper social relations of educating. In this direction, if it considers a discussion of the use of the photograph as a way to look at of is the proper reality, being able to assist as many educators as the students of the EJA in the agreement of the social reality, being part of it, interacting and modifying it.

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Um dos objetivos deste trabalho é analisar, através de conceitos pedagógicos e antropológicos, a questão da utilização da fotografia como prática pedagógica na Educação de Jovens e Adultos. Para isso, foi utilizada uma variada bibliografia, apesar de o tema ser pouco discutido, que percorreu os campos da pedagogia, antropologia e também da fotografia. Não foi intenção deste trabalho estabelecer métodos e critérios para a utilização da fotografia dentro da sala de aula da EJA (Educação de Jovens e Adultos), neste estudo, o objetivo foi justamente questionar a utilização desta tecnologia, muito presente no cotidiano, como forma de estabelecer uma construção de uma identidade social e reflexão da realidade. Tudo isso com a finalidade de uma transformação da realidade, propostas estas utilizadas pelo educador Paulo Freire em seu Método Pedagógico de Alfabetização de Jovens e Adultos. O EJA comporta um contingente de pessoas, em sua maioria, que possuem precariamente o domínio da leitura e escrita. São jovens e adultos, um grupo homogêneo socioeconomicamente falando, que não concluíram as oito séries de escolaridade obrigatória. Na parte sociocultural, são heterogêneos, trazendo uma bagagem de conhecimentos adquiridos ao longo das histórias de vidas bastante diversas, mas que apesar de todos estes problemas, vivem e compartilham o mundo moderno, inclusive possuindo um vasto registro fotográfico, fazendo uso deste tipo de documentação e linguagem diariamente. São justamente estes registros fotográficos, produzidos pelos alunos do EJA, que se torna um grande instrumento pedagógico na construção de sua autonomia. O aluno já traz consigo uma rica bagagem histórica, registrada através da fotografia, que pode muito bem ser utilizada em sala de aula auxiliando o processo de educação. Tratando-se de educação no Brasil, e em particular a da EJA, a escola tem como uma de suas missões alfabetizar e despertar o gosto pela leitura, mas segundo Freire (2001, p.11) a leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Assim, linguagem e realidade se prendem dinamicamente. Ao trabalhar com a educação popular e comunitária, principalmente voltada para jovens e adultos que não se encaixam no grupo de alunos em idade regular para a conclusão do ensino, Freire acreditava ser a educação um fenômeno social capaz de mudar a realidade de um país. Desenvolveu um método de alfabetização em que o participante fosse capaz de aprender a ler e escrever em trinta horas, e dessa forma surgiu o “Método Paulo Freire de Alfabetização.” (FREIRE, 1996, p. 46). Tal concepção de educação pauta-se no potencial humano para a criatividade e a liberdade no interior de estruturas políticas, econômicas e culturais opressoras. Elas se voltam para descoberta e a implementação de alternativas libertadoras na interação e transformação social através do processo de conscientização. Conscientização essa que se define como o processo no qual as pessoas atingem uma profunda compreensão, tanto da realidade sócio cultural que rodeiam suas vidas, quanto de sua capacidade para transformá-la. Seu método, segundo Ferrari (2008) não foca somente o aprendizado de forma rápida e acessível, mas compete ao aluno “ler o mundo”, em sua mais famosa expressão. Um dos objetivos do método é aprender a ler a realidade, de uma maneira que

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o faça conhecê-la, para logo em seguida poder reescrever essa realidade, ou seja, transformá-la. A educação seria o caminho para os desfavorecidos transformarem a realidade, como sujeitos da própria história, alcançarem, assim, sua autonomia. De maneira resumida, o método propõe a identificação e catalogação das palavras-chaves do vocabulário do aluno, ou seja, as palavras geradoras. O processo proposto por Freire se inicia através de conversas com os educandos. A partir deste processo o educador observa os vocábulos utilizados pelos alunos e pela sua comunidade, baseando-se em algumas palavras para as futuras lições. No processo de silabação, as palavras geradoras são trabalhadas de modo que o grupo passe a formar novas palavras através das famílias silábicas já conhecidas no processo anterior. Todas as etapas acima são necessárias para chegar ao ponto de conscientização em que é discutido sobre diversos temas surgidos a partir das palavras geradoras. Para Freire (2005, p.112): Neste sentido é que a investigação do tema gerador, que encontra contido no “universo temático mínimo” (os temas geradores em interação), se realizada por meio de uma metodologia conscientizadora, além de nos possibilitar sua apreensão, insere e começa a inserir os homens numa forma crítica de pensarem o mundo. Deixa claro dessa forma que o objetivo da alfabetização de adultos, além de promover a conscientização acerca dos problemas cotidianos, é despertar a compreensão do mundo e o conhecimento da realidade social. Paulo Freire (2003) deixa claro o significado de ensinar, para ele ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor, em que os dois aprendem, possuem e sanam dúvidas, crescem como seres humanos. É com este pressuposto de que o professor deve estar sempre em constante formação, procurando sempre novas formas de educar, levando o seu aluno a uma consciência de ser transformador de sua realidade e interagindo com seu contexto social que o presente trabalho apresenta a necessidade de se conhecer um pouco sobre a Antropologia, a Antropologia Visual e o uso das imagens como forma de conhecer esta realidade social. Percebe-se então, que se pode utilizar a fotografia na educação. Ela se torna de grande valia, tanto para o professor quanto para o aluno, quando se possui uma relação dialógica e dialética entre ambos, no sentimento de aceitação do outro, da interação e da intersubjetividade. Esta construção se encaixa na valorização da cultura do aluno, tornando-se assim a chave para o processo de conscientização. É nessa fase que o professor-antropólogo e o aluno atingem uma compreensão tanto da realidade sócio cultural que rodeiam suas vidas quanto na capacidade de transformação. Relatando ao fracasso da educação ela se encontra principalmente às técnicas de ensino ultrapassadas e sem alguma ligação com o contexto social, econômico e cultural do aluno, privilegiando, o papel da escola como aparelho ideológico do Estado, reproduzindo na educação a sociedade capitalista e neoliberal. Por isso o presente trabalho trata de imagens como instrumentos tanto do professor quanto do aluno para se alcançar o conhecimento da realidade. É através das fotografias, presente durante toda a vida de uma pessoa a partir do


século XXI, seja essa pessoa pertencente a qualquer classe sócio-econômica e cultural, que o educador pode diminuir as distâncias com seu aluno. A partir de imagens do próprio cotidiano, do dia-a-dia do educando se originam as palavras geradoras, estabelecidas no método Paulo Freire. A tecnologia, a modernidade e os avanços da sociedade capitalista tornaram muito mais fácil possuir uma câmera fotográfica, ela se tornou barata e de fácil manuseio, sendo encontrada em qualquer residência e até mesmo já se enquadrando como objeto pessoal em todas as classes sociais e independente da idade. Todo este avanço tecnológico e a constante utilização da fotografia e da imagem no dia a dia das pessoas acabaram por banalizar esta forma de linguagem sendo ela utilizada muito em prol da economia. Segundo Flusser (2002), hoje em dia as pessoas estão tão acostumadas com as imagens que já não questionam seu valor e nem param para realmente prestar atenção no que aquela imagem quer dizer. Salienta ainda que a imagem acabou por alienar a população do que realmente acontece ao apresentar, sem parar, imagens que para a massa não tem significado. No que concerne à fotografia, Júnior (1994) afirma que o processo fotográfico transforma em cena o que é vivido. A fotografia é capaz de retratar eficazmente a realidade de um momento, tornando as lembranças registradas através dessas representações. As representações remetem a representações, duplicando-se até multiplicarem-se infinitamente. E, enfim, o prestígio da imagem é que se substitui a experiência por representações. Essas reações perante a imagem demonstram todo o manancial de significados que elas carregam para um possível leitor. Mais do que mágica ou misticismo, a imagem é permeada de sentidos que falam à vivência do espectador, reelaborando e permitindo o afloramento de fragmentos de experiências. Esta proximidade tão singular que nos proporciona um registro visual pode trazer à tona uma realidade complexa, fazendo emergir também experiências e participações muito difíceis de serem expressas somente através de palavras. A imagem pode funcionar não como uma representação nua e crua da realidade, mas ela pode ser um caminho para se chegar a uma realidade invisível que se esconde por trás da aparência sensível. É justamente esta realidade e este olhar que se trata a antropologia visual ao utilizar de dispositivos técnicos como a fotografia para estudar a realidade sócio-cultural de um determinado núcleo. Tal abordagem antropológica pode ter um efeito oriundo tanto do espectador quanto do “produtor” destas imagens. No que concerne a fotografia e o EJA se torna interessante o educador possuir conhecimentos sobre o ramo da antropologia que se preocupa com as representações visuais, como a antropologia visual. Para isso, o educador deve conhecer o próprio meio do educando, pois é através das realidades destes jovens e adultos que haverá uma educação de qualidade. Assim, diminuindo a distância entre as realidades, haverá a motivação necessária à aprendizagem, despertando o interesse, dando margens às buscas de conhecimentos. O educador do EJA tem que ser um observador do outro e de si mesmo, da mesma forma que o antropólogo, que segundo Andrade (2005, p.55):

[...] tem que ser um observador participante (Malinovski), que além da coleta minuciosa de dados e da compilação de documentos, olha cautelosa e diretamente para os instantes. Olha cada comportamento na rotina de trabalho, detalhes como o cuidado com o corpo, a maneira de preparar comida, o tom de conversa, a vida social em volta do fogo, hostilidades e simpatias entre eles... Observa apurando todos os sentidos, observa ouvindo. É um participante em todos os sentidos. Esta conivência que existe entre observador e o objeto observado pode despertar momentos fundamentais e de grande apoio nas pesquisas. Do mesmo jeito, a maneira de olhar na fotografia pode nos fornecer uma visão ampliada das coisas. Assim, tanto a antropologia como a fotografia se alimentaram da mesma fonte: a observação. Não só o educador irá atuar como um antropólogo, mas também irá refinar o seu olhar, para melhor compreender a linguagem estabelecida por seus alunos na captação das imagens. Na realidade, a fotografia auxilia a aprofundar a análise antropológica, quando bem feita esteticamente, podendo assim facilitar a interpretação e análise de alguns significados do objeto estudado, contribuindo assim, no processo educacional. A antropologia, segundo Corrêa (2001), em poucas palavras, é a ciência que estuda as culturas humanas. Tendo como foco principal as sociedades humanas, tenta através de métodos investigativos próprios, desvendar as origens, o desenvolvimento e as semelhanças entre as diversas sociedades. A antropologia cultural, segundo Corrêa : [...] está preocupada com o desenvolvimento das sociedades no mundo. Ela investiga os comportamentos dos grupos humanos, a origens da religião, seus costumes, suas convenções sociais, o desenvolvimento técnico e também o relacionamento familiar. (CORRÊA, 2001, em: http://www.antropologia.com.br/colu/colu10.html ) Um dos campos mais estudado e importante desta área da antropologia é a lingüística, estudando a história e a estrutura da linguagem. É uma área que possui certa atenção por parte dos antropólogos, pois é nela que eles se apóiam para observar os sistemas de comunicação e apreender a visão do mundo das pessoas. É Justamente neste ponto que este trabalho leva em consideração a linguagem fotográfica, ou seja, a fotografia como uma forma de expressão individual ou de certo grupo social. Sendo a fotografia, uma linguagem muito utilizada hoje em dia, devido ao fácil acesso e utilizada por todas as camadas da sociedade moderna, ela se torna um grande referencial aos educadores da EJA na compreensão da visão de mundo de seus alunos, auxiliados pelos conhecimentos da antropologia. Além disso, é através da antropologia que é possível coletar histórias orais do grupo estudado, histórias estas instituída nas sociedades através de poesia, canções, mitos, lendas populares e muitos outros tipos de manifestação sócio-cultural, afirma Corrêa (2001). Em se tratando de um trabalho que se utiliza a fotografia na Educação de Jovens e Adultos com o auxilio da antropologia, se destaca um dos ramos da antropologia cultural que, de maneira específica, tem um foco nos estudos e produção FOTO GRAFIA / Nº 3 / 2010

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de imagens, nas áreas da fotografia, cinema e tudo que está relacionado às representações visuais. Para Parés (2000/2001) a antropologia visual é compreendida como aquela área da antropologia sócio-cultural que se utiliza de suportes imagéticos, para assim, descrever e analisar uma cultura ou um aspecto de uma cultura em particular. Ela se torna importante neste estudo, pois, ainda segundo Parés (2000/2001, em http://www.antropologia.com.br/colu/colu3.html):

[...] desenvolve um trabalho teórico e reflexivo, que

consiste em analisar as propriedades dos sistemas visuais e suas estratégias discursivas, assim como as condições da sua interpretação, relacionando esses sistemas particulares com as complexidades dos processos políticos e sociais dos quais são parte.

Qualquer registro visual traz sempre subentendido certo grau de interpretação do fato que foi representado, pois ele é um recorte subjetivo dessa realidade. Assim, as imagens podem funcionar não como representações fiéis da realidade fenomenológica, mas como um caminho, uma janela aberta para acender à reali dade invisível que se oculta por trás da aparência sensível (PARÉS, 2000/2001). Através de todo este conhecimento no campo visual é que a antropologia visual pode auxiliar na compreensão da realidade dos educando da EJA, tanto por parte dos educadores, quanto pelos próprios alunos, a fim de se chegar ao objetivo das propostas pedagógicas de Paulo Freire. Segundo Andrade (2005), a autora de “Fotografia e Antropologia: Olhares ForaDentro” afirma que a fotografia, como um meio de expressão, pode fornecer uma visão ampliada das coisas alheias. Para Lévi-Strauss (apud ANDRADE, 2005, p.26) o ato de “[...] perceber o mundo imediato, sintético é um pensar selvagem, não domesticado”. Assim sendo, o etnólogo, o antropólogo ou um fotógrafo tem que possuir este olhar selvagem, utilizando-se dos sentidos para mergulhar sem cerimônia nem medo na história e na vida de sua presa, ou melhor, do seu objeto. Desse modo, é necessário entrar em contato com seus hábitos, seu jeito, sua linguagem, e decifrar seus símbolos, os quais se misturam aos nossos e que por isso, deverão ser codificados. Ainda refletindo sobre as palavras do antropólogo Lévi-Strauss, Andrade (2005, p.27) nos afirma:

Não é preciso ser selvagem para pensar

selvagem. Necessita-se de um olhar único e singular, um processo solitário na tentativa de se redescobrir no outro e o outro em si mesmo – uma permissão ao inconsciente, ao imaginário e à Loucura.

Por isso a importância da fotografia, pois ela é apenas uma imitação, uma reprodução, registra paisagens e acontecimentos, sem chegar ao que eles realmente são. E assim como a antropologia, a fotografia tem um observador participante que se aprofunda nos detalhes e procura com seu olhar o alvo e o objeto de suas lentes e de sua interpretação. Será de grande valia o conhecimento da antropologia visual quando o educando no papel de etnógrafo, mesmo sem o conhecimento de estar realizando esta função, conhecimento esse só percebido e compreendido pelo educador, apre-

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sentar imagens que auxiliarão o próprio aluno na compreensão do mundo. Auxiliarão também o professor, como intermediador do processo de ensino, a compreender o seu papel na prática educativa e da realidade do educando. Segundo Samain (apud BIANCO & LEITE,1998), os recursos visuais são um importante instrumento de conhecimento. A linguagem visual é capaz de abrir uma gama de possibilidades na captação de conhecimentos, seja através da percepção, da simbolização e da comunicação visual. O dispositivo fotográfico passa a ter um papel essencial, quando o que não é visível, então passa a ser através dos olhos dos próprios agentes, atores e espectadores que aprendem e ao mesmo tempo são estudados. Aumont (2002) denomina o sujeito que utiliza do olho para olhar uma imagem, de espectador. Para ele, ao olhar uma imagem o sujeito envolve uma série de fatores como a capacidade perceptiva, o saber, os afetos e as crenças que de certa maneira envolve várias características relevantes como: uma classe social, uma época, ou então uma cultura. Tais noções se encaixam perfeitamente na proposta pedagógica de Paulo Freire (2003) que enfatiza a importância da construção da autonomia dos educandos, valorizando e respeitando sua cultura e seu acervo de conhecimentos empíricos junto a sua individualidade. Essa construção da autonomia dos educandos possibilita também a não banalização da imagem já dita por Flusser (2002), quando fala do não questionamento destas imagens devido o uso exagerado no mundo moderno. A imagem fotográfica surge da observação de uma realidade em que está contida em uma estrutura cultural, ela se encontra cheia de significados, de fragmentos que deverão ser moldados em um relato único e revelador. Fazendo uma ponte com a Educação de Jovens e Adultos e assim com as propostas pedagógicas de Paulo Freire e também o seu método, se pode, através da observação de fotografias documentais destes alunos, retirar de tais imagens palavras geradoras que vão servir de base para a alfabetização do educando, auxiliando, também, no processo de formação da consciência da realidade. A imagem resgatada pelo fotógrafo significa para o antropólogo não só a estética que a compõe, mas a história, a cultura, o que vai contra, em parte, à intenção de seu autor, afirma Andrade (2005). Os indivíduos passaram a ver somente o que precisam ver, não se tornaram bons observadores, e o uso da máquina fotográfica pode auxiliar sua percepção. Na antropologia, o ato de fotografar pode dar uma visão global e uma observação detalhada. O antropólogo na visão de Laplatine (apud ANDRADE, 2005, p.54) “é um observador integrante do objeto de estudo”. Ele não é somente alguém que observa seu objeto, mas um sujeito observando outros sujeitos, portanto, uma pessoa narrando sobre outras pessoas. É justamente este o desafio do antropólogo, ser um observador participante e integrante do campo de pesquisa. E esse também é o papel do educador da EJA que se utiliza da fotografia nas suas práticas pedagógicas, agir como um antropólogo, ser um observador participante e integrante do seu grupo. Um dos grandes desafios dos trabalhadores da educação neste século é de se atualizar sobre as novas metodologias de ensino e desenvolver práticas pedagó gicas mais favoráveis à construção da autonomia do aluno, tornando-o capaz de ser dono de suas próprias escolhas e decisões. A utilização da fotografia como linguagem, como manifestação e até como documento aparece nesse momento


como um espelho da realidade, vindo à tona no processo de compreensão do real. O educador em sua prática deve estimular o seu aluno a procurar respostas, construindo assim sua autonomia. Autonomia tanto de professores como a dos alunos que se desenvolve na prática educativa, não só através da transmissão de saberes, mas dando significados em um processo de construção e redescobrimento do conhecimento, assim, aprendendo, conseqüentemente, ensinando, intervindo e conhecendo. Desse modo, pretendeu-se neste trabalho proporcionar, de forma muito sintética, mas objetiva e estruturante a discussão em torno da utilização da fotografia como auxílio no método pedagógico de alfabetização desenvolvido por Paulo Freire. Trouxe à tona um embasamento teórico para futuras pesquisas em torno do tema, contribuindo assim para tal reflexão.

_Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000. _Pedagogia do oprimido. 47. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. _Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2003. JÚNIOR, Eduardo N. A Imagem. São Paulo: Ática, 2ª ed., 1994. KOSSOY, Boris. Fotografia e História. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002 LÉVI-STRAUSS, Claude. Antropologia estrutural. Ed. Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, 1975.

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PARÉS, Luis Nicolau. “Algumas Considerações em torno da Antropologia Visual”. Coluna. Edição: dez - jan 2000/2001. Disponível em: < http://www.antropologia. com.br/colu/colu3.html >. Acesso em: 11 de outubro de 2008.

AUMONT, Jacques. A Imagem. São Paulo: Editora Papirus, 2002. BIANCO, Bela F. & LEITE, Miriam L. M. Desafios da Imagem. Campinas: Papirus, 1998. CORRÊA, Alexandre Fernandes. “O que você gostaria de saber sobre a Antropologia. O que é Antropologia? O que fazem os antropólogos?”.Coluna. Edição: nº10. 2001. Disponível em: < http://www.antropologia.com.br/colu/colu10.html >. Acesso em: 11 de outubro de 2008. FERRARI, Marcio. REALISMO - PAULO FREIRE: O mentor da educação para a consciência. Nova Escola. Edição esp. 022. 2008. Disponível em : < http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/Esp_022/aberto/mentor-educacao-consciencia349605.shtml > acesso em : 11 de outubro de 2008. FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. Rio de Janeiro: Relumé Dumará, 2002. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 2001. Conscientização – teoria e prática da liberdade: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. _Educação como prática da Liberdade. 19. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989. _Educação e mudança. 26. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002. _Para educadores. 5. ed. São Paulo: Arte e Ciência, 2003.

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A IMPORTÂNCIA DOS PROCESSOS DE INFLUÊNCIA E REPRESENTAÇÃO DA FOTOGRAFIA NA ATIVIDADE TURÍSTICA Bruna Marquardt e Rubiane Sipp

brumarquardt@gmail.com Rubiane Sipp

rubispp@univali.com.br

Orientadora: Prof. MSc Mirian Teresinha Pinheiro mirianpinheiro@univali.br

PALAVRAS-CHAVE: Fotografia turística, caráter representativo da fotografia, motivação. A importância da fotografia, o caráter representativo e o papel influenciador da imagem na atividade turística são apresentados com diferentes peculiaridades em algumas obras publicadas, suscitando o seguinte questionamento de pesquisa: Qual a importância dos processos de influência e representação da fotografia na atividade turística de acordo com obras publicadas? A partir desta pergunta, este artigo tem por objetivo compreender a importância dos processos de influência e representação da fotografia na atividade turística de acordo com obras publicadas. Para atingir tal objetivo este trabalho se baseou na metodologia da pesquisa bibliográfica. Finalizado tal estudo, constatou-se a necessidade da materialização das imagens para que não percam tanto espaço na memória. A fotografia representa a continuidade de uma história e essa oportunidade de recordar todos os momentos, a atividade turística nos permite usufruir através da imagem.

Abstract The importance of the photography, the representative character, and the influential role of the image in the touristic activities are presented different peculia-rities in some published works, raising the following question research question: How important are the processes of influence and representation of photography in tourism activity in accordance with published works? From this question this article has as a goal to understand the significance of the processes of influence and representation of photography in tourism activity in accordance with the published works. To achieve this goal this article was based on the methodology of literature research. By ending this research we realized the need to the materialization of the image so it doesn’t lose as much space in memory. The photograph represents the continuation of a story and this opportunity to remind all those moments, the tourism allows us to enjoy thought the image.

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INTRODUÇÃO A imagem é uma das peças fundamentais da construção do homem contemporâneo. Todas as impressões e informações que se fazem presentes para o homem e que se fixam na memória de uma forma mais indissociável são captadas pelo mais sutil dos sentidos que é a visão. A imagem, e em especial a fotografia, é um dos principais meios responsáveis pelo compartilhamento de informações e portadora de um valor quase absoluto e singular no que tange a relação entre realidade aparente e realidade interna. A particularidade da fotografia está em capturar aquilo que é tão imediato que quase escapa ao registro técnico. A imagem fotográfica produz uma representação pela qual se acredita que as linhas e formas fotográficas caracterizam-se por ter uma semelhança nativa com elas mesmas. Se fosse assim, não poderia haver nenhuma intermediação feita pela linguagem. A fotografia fala a ponto de recusar as palavras. (NEIVA JR., 2002, p. 66)

As representações fotográficas são, nos dias de hoje, um dos meios mais eficazes e utilizados para transmitir uma imagem ou identidade de um destino turístico. A fotografia, em especial a turística, tem a capacidade de despertar e influenciar o desejo ou interesse pelo local fotografado. A imagem dos destinos turísticos se fundamenta da percepção individual, parcial ou total de uma realidade. Analisar a importância dos processos de influência e representação da fotografia no fenômeno do Turismo de acordo com obras disponíveis relevantes ao assunto é a proposta que norteia este estudo, desenvolvido sob a metodologia da pesquisa bibliográfica qualificada por Lakatos (2001, p.43-44) por

Se considerarmos a atividade turística, todas as informações e conhecimentos transmitidos pela imagem são de um significado singular. Ruschmann (2002, p.68) afirma que “a impossibilidade do cliente ver o produto turístico antes de comprálo faz com que este só possa ser apresentado por meio de fotos, filmes. (...) É preciso ‘mostrar’ o produto turístico da forma mais atraente possível”. A máquina fotográfica e o turista são elementos inseparáveis. Segundo Serrano (2000, p.49), “na experiência turística pode-se dizer que ver é estar”, portanto ter a comprovação dessa experiência é quase uma obrigação para todos que estão fora de seu cotidiano. As fotos fazem o turista se aproximar e especialmente vivenciar vários aspectos da realidade que visita. Serrano (2000, p.49) ainda afirma que fotografar “dá, ao observador, legitimidade para olhar o outro e seus espaços”. Isso prova que “parece decididamente anormal viajar por prazer sem levar uma câmera. As fotos oferecerão provas incontestáveis de que a viagem se realizou, de que a programação foi cumprida, de que houve diversão”. (SONTAG, 2004 p.1920) Ainda segundo Gastal (2005, p.35) “Turista e fotografia compõem uma dupla inseparável”. A fotografia turística ligada direta ou indiretamente à promoção de destinações turísticas constitui-se também numa estratégia de marketing, num sentido de ampliar a demanda de consumidores e promover sua oferta utilizando-se da imagem como um potencializador de negócios. Segundo Dubois (2004, p.25) “a foto é percebida como uma espécie de prova, ao mesmo tempo necessária e suficiente, que atesta indubitavelmente a existência daquilo que mostra”. Tal afirmação vem de encontro à necessidade da atividade turística tangibilizar o que se quer oferecer, logo atestar um produto através de uma imagem é uma premissa bastante viável. COMPONENTES DA FOTOGRAFIA

tratar-se de levantamento de toda a bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto.

Tanto o turismo quanto a fotografia são fenômenos sociais interpostos às relações com o meio e com as pessoas. Assim, para constatar a realidade que se busca, utilizaram-se teóricos escolhidos para agregar valor e significado ao tema proposto. Dessa forma, o texto segue organizado da seguinte maneira: na primeira parte há uma breve contextualização sobre a fotografia no espaço turístico; posteriormente descrevemos os elementos da imagem; tratando sobre as diferentes interpretações fotográficas; após discorrendo sobre as motivações do registro e a importância da materialização das imagens e as considerações finais ressaltando a importância das representações visuais no cotidiano e no espaço turístico. A FOTOGRAFIA NO ESPAÇO TURÍSTICO O turismo, considerando uma análise macro, está ligado diretamente à imagem. Toda e qualquer destinação, produto ou equipamento turístico é percebido através da maneira como se apresenta aos turistas. Atraí-los é uma meta da atividade, estimulando-os ao consumo ou visitação dependendo sempre dos impactos visuais que instigam sensações e o desejo de alcançar tal objetivo.

A composição fotográfica caracteriza-se por uma ordem de elementos. Estão divididos entre aqueles do primeiro plano e demais motivos secundários da imagem. Essa composição tem o objetivo de formar uma imagem comunicativa e aprazível de ver, também alcançar um efeito emocional e permitir que o expectador fixe sua atenção nos pontos que lhe causam interesse, sejam eles na parte estética da fotografia ou nos elementos mais significativos desta. Os componentes da fotografia podem ser qualificados em dois tipos, os de ordem material e os de ordem imaterial. A materialidade caracteriza-se pela realidade da cena captada, ou seja, a realidade do documento e toda a parte técnica deste, dentro dos limites fotográficos, qualidade estética de imagem, forma e outras características. Há os componentes de ordem imaterial que conforme Kossoy (2002, p. 4445) são os “filtros individuais, sociais, ideológicos, etc.”, além do “repertório cultural particular”, uma vez que “nosso imaginário reage diante das imagens visuais de acordo com nossas concepções de vida, situação socioeconômica, ideologia, conceitos e pré-conceitos”. Carvalho (2009), a partir dessa análise complementa que os componentes imateriais são: [...] tudo o que liga as demais motivações e as filtra no instante da foto, o imaginário e o olhar do fotógrafo, sua subjetividade, ora mais influenciada por uma, ora por outras das orientações anteriormente descritas, mas sempre levada por um misto de

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todas elas. É o que determina o ato fotográfico no exato instante do clique, de forma às vezes mais intuitiva que consciente.

Citado ainda por Carvalho (2009) o que definiria esse tipo de elemento fotográfico se traduz na famosa frase de Henri Cartier-Bresson que diz que “Fotografar é por, na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”. Dubois (2004, p.15) por fim define “a fotografia, em suma, como inseparável de toda sua enunciação, como experiência de imagem”. Existe uma forte relação entre turismo, imagem e sentimentos e hoje na atividade turística contemporânea não se pode ignorar essa relação, pois conforme Gastal (2005, 12-13) “antes de se deslocarem para um novo lugar, as pessoas já terão entrado em contato com ele visualmente, por meio de fotos em jornais, folhetos, cenas de filmes, páginas na internet.” Essas diversas redes de informações são capazes de alimentar sentimentos e fazer com que o turista considere determinado lugar bonito, ou romântico, ou até perigoso. São impressões que determinados lugares causam. A fotografia atual traduz-se em uma expressão técnica e por alguns momentos, subjetiva. Na imagem, encontram-se incorporados os recursos químicos, técnicos ou mesmo eletrônicos necessários para a materialização da foto e todas as variáveis consideradas imateriais, estas caracterizadas pelo simbolismo mental e cultural de cada indivíduo. AS INTERPRETAÇÕES DAS IMAGENS TURÍSTICAS As representações fotográficas possuem uma espécie de independência e para tanto, permitem modificações e utilização de seu conteúdo para variáveis situações, uma destas é o apelo visual, recurso mais utilizado para a comercialização e marketing de um atrativo turístico. O turista, em sua maioria, consome a destinação em função de sua imagem e poucos são aqueles que existem sem a fotografia. As interações humanas, perante suas atividades, necessitam do registro visual para sua futura lembrança, o símbolo relevante para quem o fotografa vai além de sua cópia, demonstra expectativas e sentimentos de quem o faz. A fotografia ainda pode ter outra função, ou destinar-se a outros propósitos, pelo menos atualmente as possibilidades são múltiplas neste ínterim. Na atualidade, existem inúmeros recursos da tecnologia que transformam a imagem naquilo que o turista procura. Pode ser uma paisagem montanhosa que passa a idéia de frio, neblina e a torna mais aconchegante e romântica. Ou para o mesmo local, uma imagem luminosa que transmita calor para os que buscam aventura e ecoturismo. Hoje a fotografia faz e se refaz a partir de uma minuciosa escolha e montagem do local, paisagem ou cena a ser registrada. Depois de uma iluminação adequada, as fotos são obtidas através de equipamentos muito sofisticados e ainda assim, passam por softwares específicos a fim de retirar-lhes qualquer imperfeição. Essas diferentes formas de reprodução visual e todo o processo de estetização da imagem é fruto não apenas da moderna tecnologia que permite registrar e reproduzir a imagem de diversas formas, mas de um mercado que exige cada vez mais perfeição seja na arquitetura da paisagem, na decoração do restaurante, no design dos hotéis, na claridade da água da praia. Afinal de contas, o material publicitário e de divulgação de todas as localidades está recheado de fotos. Folhetaria, pôsteres, reportagem em jornais e revistas especializados, websites, todos eles priorizarão

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mais as fotos que os textos. (Gastal, 2005, p.35). Para Kotler (1994, p.151), “a imagem de um local é um determinante básico da forma de como os cidadãos e os negócios reagem a um lugar” num sentido de atrair cada vez mais consumidores. Assim, o uso das cenas captadas pelos instrumentos de fotografia, constitui-se em métodos de promoção especialmente, e neste caso, das destinações e da oferta que a compõe, já que as imagens estão presentes no imaginário das pessoas e são responsáveis por boa parte da tomada de decisões e nas escolhas que elas fazem. Entretanto, o uso correto da imagem no turismo é uma questão que precisa ser discutida pelos profissionais da área para que se estabeleça até que ponto ela pode ser alterada sem comprometer a realidade, Fernandes (2009) lembra que o avanço provocado pela tecnologia e a conseqüente facilidade de aquisição e uso da câmera fotográfica pelos fotógrafos amadores, favoreceram a produção das imagens. Ao mesmo tempo, é perceptível a queda de produção da fotografia de qualidade, já que a tecnologia produz um equipamento que nada exige do fotógrafo. Por isso mesmo, essa produção doméstica, rápida e imediatista, tende a desaparecer com a mesma velocidade com que foi produzida e consumida.

Fotografias apresentam-se como um artefato socialmente construído, causando diferentes interpretações e significados, tanto para quem a narra – fotografa, tanto para quem a ouve, vê e analisa. A fotografia torna-se, portanto, imagem real, palpável e realidade imaginada, ou seja, aquela que expressa a característica principal do meio, este que é a dualidade inquestionável das representações. AS MOTIVAÇÕES DO REGISTRO FOTOGRÁFICO E A IMPORTÂNCIA DA SUA MATERIALIZAÇÃO Com a modernidade e a facilidade que os equipamentos para registro de imagens oferecem, as pessoas são levadas a consumir, cada vez menos, as impressões destas. As fotos perderam espaço nos porta-retratos, quadros de família e álbuns de lembranças. A digitalização permitiu que se armazenassem em CDs, DVDs e outros equipamentos um número incalculável de cenas. Além disso, esses avanços permitiram que se pudessem alterar cores, defeitos, luminosidade, tamanho e outras características, tornando as imagens um fato produzido e manipulado pela tecnologia e não o espelho do real que é o verdadeiro sentido do fotografar. As representações fotográficas têm a necessidade de serem impressas “caso contrário, essas imagens permanecerão estagnadas no seu silêncio: fragmentos desconectados da memória, meras ilustrações ‘artísticas’ do passado” (Kossoy, 2002, p.22). Ainda conforme Kossoy (2002, p. 27): Seja em função de um desejo individual de expressão de seu autor, seja de comissionamentos específicos que visam a uma determinada aplicação (científica, comercial, educacional, policial, jornalística etc.) existe sempre uma motivação interior ou exterior, pessoal ou profissional, para a criação de uma fotografia.

As motivações do registro podem ser alternadas, em ordem de prioridade, durante o ato fotográfico. A captação das imagens pelo observador e o envolvimento no instante da foto dependem do que se sente, do que acontece ao redor do fo-


tógrafo e quais os motivos que o fizeram registrar aquela paisagem, pessoas ou momento, em detrimento de tantas outras possibilidades. É importante salientar que o meio cultural, o estilo e o modo de vida das pessoas às permite compreender e perceber a paisagem através de sentimentos, impressões e considerações diversas. Toda informação visual é inspirada, concretizada e até modificada pelo sentimento pessoal, bem como pelo contexto cultural daqueles envolvidos com o fotografar. Com o avanço do processamento digital na fotografia nas últimas décadas as opiniões tem divergido e tem havido uma influência significativa no que diz respeito ao conceito original de fotografia. Assim, é cada vez mais difícil saber o que ainda especificamente é o registro real ou o que tem se tornado uma conversão de imagem. Toda essa tecnologia nos leva a repensar a própria identidade e o caráter de transmissão de informação, conhecimento, sentimentos e memória da imagem. A necessidade de comprovar a realidade, principalmente no turismo, através da fotografia torna a todos dependentes da imagem num sentido em que materializálas seria a forma mais adequada de transmitir aos demais todas as experiências vividas sem que houvessem alterações tecnológicas das mesmas. Fotografias são como resíduos que refletem num modo de ver, conceber e interagir com o mundo, sendo relacional que revela, suprime, modifica, enfim enviesa o

a consciência do fotógrafo e destitui de autonomia tudo aquilo que é fotografado. As fotos podem transpor o real – e, quando são boas, sempre o fazem. No turismo a realidade sempre é interpretada por meio das informações fornecidas pelas imagens, quando algo é fotografado, seja uma paisagem, um produto, pessoas ou lugares, as imagens representam mais do que a definição comum, representam fragmentos e continuidades de uma história contada por aqueles que presenciaram dado momento. Essa é a gama de oportunidades e sensações que a atividade turística nos permite usufruir, com o espetáculo da imagem fotográfica, precioso documento que guarda a memória passada e que num exato instante permitirá diferentes interpretações. Por tais razões as fotografias servem para tentar preservar as cenas, as pessoas, os sonhos, as experiências; bem como auxiliar no processo de tangibilizar a memória. REFERÊNCIAS BIELLA, Célia R. F. Águas encantadas: uma análise sócio-histórica das representações do litoral potiguar pelo olhar do turista. Dissertação de Mestrado. São Carlos: USP, 2006. Disponível em < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18139/tde-08042008-151419/> Acesso em 02.11.2009.

real. E são através desses resíduos que as experiências podem ser revividas, contadas e recontadas, ilustradas ou mesmo interpretadas, quantas vezes se desejar, pois se tornaram perenes e concretas, foram “objetivadas”. (BIELLA, 2006, p. 96)

O momento salvo na imagem é o que real tem valor para o turista longe das distorções e com objetivo principal de traduzir aos demais tudo o que se viu, viveu e sentiu. CONSIDERAÇÕES FINAIS No período pós-moderno em que se vive e com o imediatismo das pessoas, há uma necessidade de fixar e materializar as imagens das ações vividas, guardando-as como elo de memória e de representações sociais, culturais e ambientais, porque perdeu-se a capacidade de esperar pela foto impressa, as pessoas obtêm a imagem no momento instantâneo da foto e tem o poder de descartá-la caso julguem necessário. Todo o clima de espera e toda a expectativa de desfrutar a experiência fotografada desfez-se com a falta de tempo do cotidiano. É de fundamental importância, especialmente no turismo, que se obtenham não apenas imaginários, mas sim documentos e registros palpáveis de tudo aquilo que se viveu num sentido de promover e oferecer uma memória histórica ao longo do tempo. As pessoas têm ignorado ou simplesmente esquecido daquelas boas lembranças, dos sonhos e das impressões. As imagens perderam espaço na memória e os fragmentos que restam não são suficientes para recordar todos os momentos. A razão final para a necessidade de fotografar repousa na lógica que ao produzirmos imagens precisamos de ainda mais imagens. As relações humanas passaram a ser mediadas por representações visuais, e a necessidade de tê-las, em forma de fotos, como prova de todas as experiências e como uma aproximação da realidade representa inevitavelmente o ato pensado antes e depois de fotografar. Fotografar é, portanto, um momento grandioso, que por muitas vezes, transcende

CARVALHO, André Luís. Memórias visíveis. Studium, no. 26. IFCH-UNICAMP, Instituto de Filosofia e Ciência Humanas. Pós-graduação de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas: Brasil. Disponível em <http://www.studium.iar.unicamp.br/26/03.html> Acesso em 02.11.2009. DUBOIS, Philippe. O Ato Fotográfico. 8. ed. Papirus: Campinas, 1994. FERNANDES JR., Rubens. Desconhecidos íntimos: O imaginário do fotógrafo Lambe-Lambe. Disponível em <http://www.mnemocine.com.br/fotografia/rubens.htm> Acesso em 06.11.2009. GASTAL, Susana. Turismo, imagens e imaginários. São Paulo: Aleph, 2005. KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. 3.ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002. KOTLER, Philiph. Marketing Público. São Paulo: Makron Books, 1994. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do Trabalho Científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2001. NEIVA JR., Eduardo. A imagem. São Paulo: Ática, 2002. RUSCHMANN, Dóris. Turismo no Brasil: análises e tendências. São Paulo: Manole, 2002. SERRANO, Célia. Poéticas e políticas das viagens. In: SERRANO, Célia; BRUHNS, Heloísa; LUCHIARI, Maria. (orgs.) Olhares contemporâneos sobre o turismo. 2 ed. Campinas, SP: Papirus, 2000. SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. FOTO GRAFIA / Nº 3 / 2010

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REFLEXÃO SOBRE O PONTO DE VISTA ZENITAL Luiz Claudio Gonçalves Gomes luizggomes@gmail.com Instituto Federal Fluminense / Universidade de Barcelona

PALAVRAS-CHAVE: Fotografia zenital, controle, vista de pássaro. As imagens têm sido parte do campo da moral desde a Antiguidade, em alguns casos como símbolo do poder e da continuidade pessoal e, em outros, como tabus icônicos do sagrado, em primeira instância, e também da própria identidade. Com a aparição da fotografia, a democratização do direito à própria imagem. Um século e meio mais tarde, vivemos com a inflação de imagens que ameaça a nossa intimidade. Abstract Images have been part of morality field since Antiquity. In some cases, they are considered as being symbols of individual strength and continuity, in others, as iconic taboos of both sacred things and identity itself. The coming of photography allows everyone to have their own image. A century and a half later, there is an overabundance of image that threats our privacy. Key words: Zenithal photograph, control, bird sight

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Introdução

A proposta deste trabalho

A sociedade moderna tem se caracterizado como uma sociedade disciplinar, organizada ao redor de mecanismo de vigilância e punição. De acordo com Focault (1977), o poder na sociedade capitalista possui uma dimensão positiva, ou seja, volta-se para a produção de comportamentos adequados às normas sociais. Focault se preocupa com a presença do poder nas diferentes dimensões da vida cotidiana, pois este é sustentado por mecanismos de vigilância dos comportamentos individuais e sociais, e de punição dos desvios das normas. A presença cada vez maior de câmeras de vídeo em centros comerciais, em ambientes de trabalho e residenciais e nas ruas dos grandes centros urbanos, por exemplo, parece confirmar o papel atribuído por Focault aos mecanismos de vigilância. Produtos culturais como os reality shows parecem transportar para os meios de comunicação (TV e Internet) os mecanismos de vigilância presentes na vida cotidiana. Neste trabalho, interessam as repercussões e as consequências das novas tecnologias da informação em forma de imagem em movimento – aqui em sua representação fixa (fotográfica) – sobre nossas sociedades democráticas. Essa linha de pensamento exemplificada, entre outros, nos trabalhos de Focault, ressalta o problema da vigilância e o uso estratégico como instrumentos de controle social. A fronteira entre o público e o privado se dissipa, se desfaz, se desvirtua, e acaba sendo motivo de diferenças de critério entre o olho gráfico (a imagem) e a intimidade do sujeito representado (ROMÁN ALCALÁ, 2001). Segundo Focault, Vigiar e Punir, a vigilância é anônima e onipresente: qualquer um pode ser sujeito ou objeto da vigilância, pois o poder está organizado em forma de uma rede descentralizada que envolve toda a sociedade. A proliferação das “máquinas de ver” do panoptismo é a característica definidora da sociedade disciplinar:

Nossa primeira experimentação circunscrevia ao básico desse projeto tirando fotografias dos transeuntes (sozinhos ou em pares). Observamos um resultado muito curioso e interessante que foi o “transpasso” entre eles, ou seja, pessoas que caminhavam em sentidos opostos, mas que ficavam lado a lado por uma fração de segundos. O momento seguinte, e mais reflexivo, foi fotografar o ambiente sem as pessoas, que seriam os carros estacionados e motos, as árvores, a rua e suas “marcas”, e a sombra projetada em diagonal do edifício sobre a rua. No nível do terceiro andar, a máquina não permitiu, com seu zoom de pequeno alcance, a aproximação necessária para melhor compor a fotografia com as pessoas melhor enquadradas no campo visual fotográfico. O “recorte” das fotografias foi feito a posteriori.

[...] Vimos que qualquer pessoa pode vir a exercer na torre central as funções de vigilância; é que fazendo isso pode adivinhar a maneira como é exercida a vigilância. Na verdade, qualquer instituição panóptica, mesmo que seja tão cuidadosamente fechada quanto uma penitenciária, poderá sem dificuldade ser submetida a essas inspeções ao mesmo tempo aleatórias e incessantes: isto não somente por parte dos controladores designados, mas por parte do público; qualquer membro da sociedade terá direito de vir constatar com seus próprios olhos como funcionam as escolas, os hospitais, as fábricas, os presídios. Não existe, consequentemente, risco de que o crescimento de poder

FIGURA 1. Primeiros ensaios.

A proposta da representação fotográfica como representação do controle e vigilância, principal objetivo desse projeto, que tem se estendido aos lares por meio da TV e da Internet, e a observação da vida alheia. Para Román Alcalá (2001) podemos qualificar esta mirada social como uma degradação da representação privada, como um voyeurismo social. Existe uma forte demanda de consumir a intimidade, a única coisa que não se consumia. É o que M. Kundera denomina, acertadamente, de imagologia, entendendo com esse termo o desejo de felicidade (como substituto) que gera a cultura da imagem. Esse fenômeno propõe uma reflexão até agora alheia ao mundo do pensamento. Por que existe tão pouco protesto social contra a invasão da nossa privacidade por meio da tecnologia de vigilância e pela apropriação de nossos dados pessoais? Antes tínhamos medo de um vigilante centralizado, um olho de Deus que tudo vê. Mas as novas tecnologias tornam os indivíduos “visíveis” de um modo descentralizado; essa visibilidade está exposta a uma multidão de observadores de diferentes lugares, e em busca de direções muito diferentes.

devido à máquina panóptica possa se degenerar em tirania; o dispositivo disciplinar será democraticamente controlado, pois será sem cessar acessível ao “grande comitê do

A segunda proposta

tribunal do mundo”. Esse panóptico, sutilmente arrumado para que um vigilante possa observar, de uma só vez, tantos indivíduos diferentes, permite também a qualquer pessoa vigiar o menor dos vigilantes (FOCAULT, 1977 p. 182-183).

As imagens têm sido parte do campo da moral desde a Antiguidade, em alguns casos como símbolo do poder e da continuidade pessoal e, em outros, como tabus icônicos do sagrado, em primeira instância, e também da própria identidade. Com a aparição da fotografia, a democratização do direito à própria imagem. Um século e meio mais tarde, vivemos com a inflação de imagens que ameaça a nossa intimidade.

Ao considerar a fotografia como representação fiel da realidade, a sociedade não faz mais que se confirmar na certeza tautológica de que uma imagem da realidade que se ajusta a sua própria representação da objetividade é autenticamente objetiva (BOURDIEU apud KRAUSS, 1991). Com as restritas funções sociais que promovem e limitam radicalmente a prática do homem comum, o resultado é uma estereotipificação tanto dos temas fotográficos como da forma de representá-los. O tema fotográfico, a coisa que se considera digna de ser registrada, é sumamente limitado e repetitivo. A frontalidade e o centrado, com sua proscrição de todo o signo de temporalidade ou FOTO GRAFIA / Nº 3 / 2010

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contingência, são as normas formais (KRAUSS, 1991). As relações de profundidade e de volume, através das quais um arquiteto tenta impor o poder de imperador ou a presença de uma divindade, na fotografia, encontram-se reduzidas a simples jogos de formas. Para Tisseron (1996), a fotografia é a arte dessacralizadora por excelência. Um ponto de vista pouco comum – como o de cima e perpendicular ao solo – responderá à frontalidade da imagem natural da visão humana a partir de sua visão natural olhando para frente. De certo modo, isso responderia à canalização do uso das imagens nos dias de hoje.

Sua realidade era apresentada de modo pouco ortodoxo e afastada do tema, o que obrigava o espectador a prestar atenção. Os complacentes observadores que tinham que fazer um esforço para descobrir um rosto ou objeto achavam as fotografias irritantes e falsas (BOWLT, 2002). Podemos dizer que, nas artes, as relações espaciais são sempre simbólicas. Desse modo, a visão representada do mundo por meio de uma combinação de opostos tem suas correlações fisiológicas em conceitos como a dialética e o yin e yang. É como uma referência à luta de forças contrárias ou ao tipo de unidade cósmica que toma força criativa da cooperação de poderes contrapostos (ARNHEIM, 2002).

Implicações metodológicas O mundo visto a partir de uma postura ereta Arnheim (2002) se ocupa em seu artigo sobre compreensão óptica e sobre a liberdade de escolher seu posicionamento de modo a oferecer ao fotógrafo uma grande variedade estilística. Ele pode buscar seu ponto visual de modo que seu trabalho reflita a organização do espaço tridimensional da cena o mais fielmente possível. Desse modo, também será possível pegar a estrutura pré-determinada de uma nova organização artificial, com um simples deslocamento de sua posição é suficiente para mudar as conexões, deslocar o centro, construir uma imagem estranha a partir de uma imagem familiar. A soberania da concepção artística está perfeitamente simbolizada nesse poder do fotógrafo e do espectador para contemplar a natureza de um determinado tema com formas sempre novas. [...]

Na história da representação pictórica, um axioma foi constante e se manteve ativo desde o Renascimento, inclusive no Cubismo e no Expressionismo abstrato. A imagem como representação de um mundo, como um mundo espacial que se pode registrar no plano pictórico em correspondência com a postura humana ereta. Desse modo, a parte superior da imagem corresponde à altura que as nossas cabeças alcançam, enquanto que a parte inferior se encontra próxima aos nossos pés. Até mesmo nos collages cubistas de Picasso, que rompem com o conceito espaço-mundo do Renascimento, segue existindo uma lembrança de atos implícitos da visão, e de algo que se de alguma maneira representa o mundo real de algo anteriormente (STEINBERG, 2002). Uma exceção foi o artista holandês Hoogstraten, que pintou o piso de uma casa, ainda assim somente pra compor sua caixa de perspectiva.

O grau de profundidade escolhido pelo fotógrafo ocupa um lugar de destaque entre as vias espaciais da liberdade. O fotógrafo pode imitar a distância quase infinita acessível à visão estereoscópica, ou pode aplanar o mundo a tal ponto que as coisas estejam quase totalmente justapostas na superfície frontal, em vez de aparecer uma após a outra. (ARNHEIM, 2002, p. 36).

Um artifício importante para conseguir a profundidade na percepção é o gradiente, que é a escala de variações de graus a que um traço perceptivo pode se submeter. É como se o gradiente fosse a escala da distância em escala visual disponível para a imagem projetada. Ainda que os quadros abstratos de Rodchenko, por exemplo, sugiram, às vezes, viagens no cosmos e nos façam “girar em círculo como um planeta”, eles não evocam vertigem como em suas fotografias. O artista descobriu que a adptabilidade e a manobrabilidade da câmera eram a grande diferença e vantagem que havia com o aparelho, já que lhe possibilitava apresentar a realidade “a partir de todos os pontos de vista, mas não a partir do umbigo” (BOWLT, 2002, p. 79). Resumindo: para que uma pessoa chegue a se acostumar a ver a partir de pontos de vista novos, é essencial fotografar temas cotidianos, familiares, a partir de pontos totalmente inesperados e em

FIGURA 2. Ponto de vista incomum de uma pintura (piso de uma casa) para compor um aparelho de diversão ótica do pintor renascentista Hoogstraten.

posições totalmente inesperadas; e os temas novos devem ser fotografados a partir de diferentes pontos para apresentar uma impressão total do tema. [...] os pontos de vista mais interessantes para a contemporaneidade são os de cima para baixo e os de baixo para cima, e suas diagonais.

Com suas propostas incomuns, Rodchenko foi acusado de distorcer a realidade.

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As imagens que nos fazem lembrar do mundo natural evocam informações sensoriais que são fruto da percepção de uma postura ereta. Por esse motivo, o plano de imagem renascentista determina a verticalidade como uma condição essencial e o conceito de plano pictórico como uma superfície vertical sobrevive


a qualquer mudança estilística. Mesmo os estilos mais contemporâneos ainda se dirigem a nós da cabeça aos pés (STEINBERG, 2002). [...] isso se aplica tanto aos quadros de gotas de pintura de Pollock como aos derramados Velos y Despliegues, de Morris Louis. Pollock realmente vertia e deixava pingar seu pigmento sobre os tecidos estendidos no chão, mas isto era um recurso, porque uma vez assentadas as primeiras demãos de tinta, pregaria o tecido sobre uma parede – para familiarizar-se com ele, era preciso dizer; para ver aonde queria ir -. Vivia com o quadro em seu estado vertical, como se tratasse de um mundo situado frente a sua postura humana, e é nesse sentido que os expressionistas abstratos seguiam sendo pintores da natureza [...] Que alguns deles sejam pendurados de cabeça para baixo é um dado irrelevante; pois tanto se a imagem sugere quedas de tecidos como se sugerem relâmpagos, a experiência de seu espaço segue sendo gravitacional. (STEINBERG, 2002,p. 275-276).

Para Steinberg (2002), não importa a colocação física real da imagem. Não existe nenhuma legislação contra o fato de pendurar um tapete na parede ou reproduzir uma imagem narrativa como piso em mosaico. Para ele, o importante é o discurso psíquico da imagem, seu modo especial de confrontação imaginativa; ele considera a inclinação do plano pictórico do vertical à horizontal como expressão da mudança mais radical no tema da arte, a mudança da natureza pela cultura. É importante um giro de 90º na postura do ser humano, inclusive em algumas daquelas “obras” de Duchamp que, em seu momento, pareciam simples gestos de provocação (STEINBERG, 2002, p. 278). A horizontalidade do plano pictórico serve a qualquer conteúdo que não evoque um acontecimento óptico prévio. Como critério classificatório, vai além dos termos “abstratos” e “representacional”, pop e modernista. Enquanto os pintores coloristas [...], cada vez que em suas obras sugerem uma imagem reproduzível parecem trabalhar com o plano pictórico horizontal, quer dizer, com um plano criado pelo homem e que se detém bruscamente na superfície pigmentada [...] (STEINBERG, 2002, p. 284).

nenhum ser humano as poderia contemplar. Sinalizemos as separações das funções e dos impactos cognitivos estabelecidos, desde o Renascimento, entre os diferentes tipos de imagem e os pontos de vista sobre o mundo: a partir de então, a observação sobre a paisagem vai se diferenciar entre a vista frontal, a vista vertical e a vista oblíqua. O conhecimento aéreo do mundo vai apoiar-se de forma diferencial na verticalidade e na perspectiva (BESSE , 2003). Com a aparição quase simultânea dos primeiros voos em balão e dos primeiros panoramas pictóricos, no século XVIII, a vista de pássaro constitui-se em um elemento determinante no desenvolvimento da representação da cidade ao longo do século XIX. Nas grandes metrópoles ocidentais, em edifícios especialmente construídos para abrigá-las, nas exposições universais, ou simplesmente nas páginas dos grandes jornais, as vistas panorâmicas se multiplicaram, apresentando as cidades em detalhes e suas paisagens como se fossem contempladas a partir do cesto de um balão. Assim, na Exposição Universal de 1855, Victor Navlet mostra, em um formato gigantesco, uma Visão geral de Paris a partir de um balão, que constitui uma das atrações mais visitadas. A viagem em balão não é unicamente um tema literário, ele proporciona o título a uma enorme série de litografias que circulam no mercado ao longo do século, como os álbuns do desenhista Alfred Guesdon, dedicados à França, à Espanha e à Itália (BESSE, 2003). Em outubro de 1858, Nadar registra uma marca para um novo sistema de fotografia aerostática, aplicável ao traçado dos planos topográficos e hidrográficos. O cesto do balão é coberto com um toldo que faz de câmara escura. Em junho de 1879, Triboulet realiza as primeiras fotos aéreas de Paris a partir de um balão livre. Alem dos balões livres ou ancorados, são utilizados outros suportes para levar as câmaras fotográficas como dirigíveis e inclusive pipas. A fotografia aérea não fará parte dos costumes visuais do grande público até a aparição da aviação. A primeira fotografia foi tirada em 1908 por Bonvillain, a partir de um avião que sobrevoava Le Mans. Os usos militares, antes e principalmente depois da primeira Guerra Mundial, tanto da fotografia como do avião, propiciaram melhoras significativas na qualidade descritiva dos documentos obtidos (BESSE, 2003, p. 346).

Vista de pássaro

Nosso trabalho

A vista de cima é privilegiada, tanto que se diz que é uma visão de Deus. Tem se transformado em uma das técnicas de representação privilegiada. Para Besse (2003),

Propor um ponto de vista incomum é talvez uma resposta à banalização e à vulgarização do uso da imagem nos dias atuais, e nisso está implicada a sociedade civil como um todo; desde o paparazzo de plantão até a vigilância urbana e condomínica com suas câmeras de controle. Um contraponto entre a imagem anônima e sem cara com a celebridade momentânea, muito comum nos dias atuais. A imagem de quem se esconde, a de quem quer aparecer e a de quem não tem a menor idéia de que está no centro óptico da observação alheia que o controla. O ponto de vista incomum, como o visto de cima e perpendicular ao solo, busca também responder à frontalidade da imagem natural da visão humana a partir de uma postura ereta olhando para frente.

a visão aérea ao mesmo tempo que glorifica também denuncia o estado do mundo. E não tem o que excluir, nesse aspecto, que o sucesso popular alcançado no século XIX pelos panoramas, e mais recentemente pelas exposições de fotografias aéreas que mostram a terra a vista de pássaro, não se deve em parte ao impacto filosófico, estético e moral que represente o estado de um mundo convertido subitamente em espetáculo.

Os retratos e vistas de cidades realizados na Europa desde o século XVIII apresentam características tão vivas, impossíveis de conter no contexto das condições técnicas (aeronáuticas) anteriores a esse período. Mostram-nos as cidades como

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FIGURA 3. Em nossa proposta tanto faz a posição da fotografia ao que se refere o ponto a

manutenção da ordem e do controle alheio é mais contundente que o do Big Brother, é uma visão onisciente e onipresente. A vida terrena está abaixo de tudo e sob controle. Estamos falando de uma crítica à vulnerabilidade do homem dos dias atuais, submisso à violência física e psicológica. Hoje, mais que governados por pessoas, somos governados por códigos, todo fenômeno de poder deve ser analisado em termos de comunicação.

partir de onde será observada.

REFERÊNCIAS Branco e preto para acentuar o contraste de um mundo quase intangível que, somado à aproximação óptica (da teleobjetiva), contribui para evidenciar o irreal e o plano (falta de profundidade) da imagem achatada, submissa da visão de um controlador. Os enquadramentos estão vazios de profundidade, conseguindo com o acúmulo de elementos composições quase abstratas. Nessas composições, que configuram a cena, seus valores se condensam e se enriquecem pela acumulação e compressão do espaço em uma imagem de duas dimensões. A fotografia zenital (e seu contraponto e seu contracampo), diferentemente dos outros pontos de vista, não tem referente gravitacional e por isso mesmo pode ser observada em qualquer ângulo sem que a referência seja alterada. Nem mesmo os mapas têm tal privilégio, do ponto de vista de sua funcionalidade/ instrumentalidade, uma vez que devem ser observados cardinalmente apoiados no referente norte geográfico. Gursky (apud PASTOR ANDRÉS, 2004) elimina todos os elementos da perspectiva para que o tema pareça apresentado sem a interferência de um observador, seleciona e configura o ponto de vista para que este sugira uma totalidade completamente autônoma que corresponda a uma imagem mental ou conceito, o que ele previamente tenha gerado em sua mente. Afastamo-nos do sujeito, de sua atenção, e esse distanciamento, que nos resulta familiar a priori, converte-se em algo estranho e novo, e, portanto, chama nossa atenção, nos prende para realizar uma exploração cuidadosa. Paisagens urbanas ou humanizadas, pela máquina ou pela presença do homem, onde a estranheza do espectador se canaliza através do ponto de vista escolhido para o registro fotográfico. O território registrado, a queda vertical do olhar, situa o espectador em um ponto de vista absolutamente novo (PASTOR ANDRÉS, 2004). Para que as fotografias tiradas a partir de um ponto de vista zenital tenham a estranheza pretendida, seria necessário que elas fossem registradas de uma altura mínima daquilo que seria a altura máxima de um homem. Isso implica dizer que a câmera fotográfica deve estar a uma altura mínima de dois metros do chão, fato que por si só já deixa claro que a posição do fotógrafo nunca será de um nível normal, sempre estará sobre algo para realizar o trabalho, desde uma simples cadeira a um aeroplano. Últimas considerações O ponto de vista zenital é uma opção, compreendemos, mais que rupturista; é conservadora. Tal posicionamento, mais que uma escolha espacial ou geográfica, deve ser entendido como de controle e, portanto, político-ideológico. A

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ARNHEIM, Rudolf. Estudio sobre el contrapunto espacial. In Steve Yates (ed.). Poéticas del espacio. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2002. p. 33-50. BESSE, Jean-Marc. Geografías aéreas. In MACLEAN, Alex. La fotografía del territorio. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2003. p 336-363. BOWLT, John E. El arte de lo real: la fotografía y la vanguardia rusa. In Steve Yates (ed.). Poéticas del espacio. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2002. p. 67-85. COELHO, Claudio Novaes Pinto. O conceito de indústria cultural e a comunicação na sociedade contemporânea. In XXV Intercom – Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Salvador, 2002. FOUCAULT, Michael. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1977. KEMP, Martin. La ciencia del arte: la óptica en el arte occidental de Brunelleschi a Seurat. Madrid: Ediciones Akal. 2000. KRAUSS, Rosalind. Nota sobre la fotografía y lo simulácrico. La revista del Occidente. No. 127, diciembre 1991. p. 20-21. PASTOR ANDRÉS, Gema. La miniatura en la inmensidad del paisaje fotográfico. El mapa en las imágenes de Andreas Gursky. In I Congreso de teoría y técnica de los medios audiovisuales: El análisis de la imagen fotográfica. Universidad Rey Juan Carlos. Madrid, 2004. ROMÁN ALCALÁ, Ramón. La obscenidad de la mirada. In Vivre et gérer l’espace urbain au 3e millénaire. Lecce, 2001. STEINBERG, Leo. El plano pictórico horizontal. In Steve Yates (ed.). Poéticas del espacio. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2002. p. 273-286. TAGG, John. El peso de la representación. Gustavo Gili, Barcelona, 2005. TISSERON, Serge. La imagen funámbula o La sensación en fotografía. Papel Alpha, Madrid, 2, 1996. p. 71-94.


english version The main goal of the Academic Magazine Foto Grafia is to encourage intellectual production within the university, seeking for new talents, promoting them not only in Brazil, but worldwide. Having this in mind, from this edition on, the Magazine will be translated into English leading to knowledge sharing.

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By Jana Souza

By Altair Hoppe

One of the main doors the internet has opened is knowledge. Specific content that used to be found only in books – usually imported and hard to purchase – are now only a click away. Being a photographer, the possibilites are almost endless. However, we do not always get to assimilate all the information provided to us, and sometimes we miss something inspiring, and need to be shown how to do it. The role of the online tutorials is to provide detailed instructions that may be accompanied with illustrations, photos and even videos. Being aware of what you want to learn and having reliable sources to do so, you’re able to learn anything. There are tutorials that teach everything from basic features of image treatment, to the most advanced retouching. They also provide free download tools that facilitate and simplify the service. The teaching is not restricted to only the editing that is done, as many tutorials also explain photography techniques, the care of composition, and coloring and lighting techniques. Some sites also show the specific lenses you’ll need for different outcomes, as well as teaching you how to produce them when you may not have the necessary equipment. Commit yourself to good research. Discover. Test yourself. Please enjoy all the information available that is just waiting to be used. The Big Picture: www.boston.com/bigpicture - A world reference in photojournalism, this website is a kind of fotoblog hosted by the American newspaper, “The Boston Globe”. Updated every Monday, Wednesday, and Friday, it has its focus in publishing high quality photographs, richly illustrating the biggest headlines of the world. Website in English. TinEye: www.tineye.com – This website contains a powerful tool called, “Reverse Image Search”. Being able to choose between uploading or using an online image, the tool finds out the image source, how it is being used, if there are modified versions or larger resolution versions. Ideal for references, image distribution control and improved versions search. Website in English. Fotografia DG: www.fotografia-dg.com – An indispensable blog for those who want to broaden their understanding and stay updated in the photography universe. Created by Diogo Guerreiro about a year ago, the blog provides excellent content that involves photographic theories, news, hints and techniques, as well as several columns written by professionals in the area. Website in Portuguese. DIY Photography: www.diyphotography.net – Idealized by an amateur photographer, (who realizes the necessity and difficulty of obtaining studio equipment) this website aims to share knowledge involving the “Do It Yourself” technique. From step by step guides to illustrated tutorials, it is made possible to produce cheap and functional equipment made from accessible materials. You can also learn lighting and other effective techniques of photography. Website in English. Olhares: http://br.olhares.com/ - OnlinComunidade is an online photography site where the image publication and distribution is turned into professional photography. Besides the normal image preview, it has special classification sections, such as the most viewed, voted and commented photographs, and the website favourite. It also offers print services of albums and other products, keeping in mind that all the hosted images are protected by the copyright laws.

Since the invention of the first photograph in 1826, attributed to the Frenchman Joseph Niepce Nicéphore, we have never felt much, in the social environment, the relevance and influence of the image. Just turn on the television, access the internet or use a cell phone and there are images in front of our eyes, forming concepts, causing reflections, and especially changing the way we interact with the world. Without realizing it, we are mirrored in a universe that does not stop expanding. A new big bang, now in the human behaviour, which blends the static image or moving with the advance of new technologies. There is no doubt that digital technology dramatically changed our contact with the image. While film photography, analogue, reigned absolute, the speed of the image to effect us was more serene and steady. The old 35mm film, after click, it sometimes took weeks or months to turn into printed images. Now everything is different. You click and digital image explodes in your eyes in the same second, in the LCD display, on the back of the camera or cell phone screen. We have learned how to feel, in real time, the impact of digital imaging and technology in our family, social and professional life. Generally, it does not ask permission, it simply impresses, entices, excites or, simplistically, as they say in street parlance, it causes. Digital photography has caused a change in the way people feel and see the world. But where are the limits of this technological revolution of the image? Well, judging by what we are witnessing in recent months, the sky is not the limit. We have extraordinary advances on three fronts: the image on the internet, the moving image by the cameras and the 3D image in film, television and photography. The embryo of this, no doubt, was the image associated with the expansion of the internet. New technologies, which pulled and overcrowded others. Orkut, for example, which includes no less than 35 million users in Brazil (62% of the world), combines tools for sending and receiving texts with robust image albums. The perfect marriage for the profile of Brazilians. From the boom of Orkut, other tools have gained strength in the country such as Flickr, which is a site that shares photographic images, blogs and photoblogs, Facebook, MySpace, Google Maps, Google Earth, beyond the famous YouTube. All social networks or mechanisms for sharing pictures or videos, that directly or indirectly opened doors to a new culture of enforcement, exposure, and freedom of the image. Freedom and diversity that fuels business, which makes the machine accelerate the development of technology companies, eager for new concepts and products. So today, any internet user has become a potential photographer, creator of images, or generating concepts, even if empirically. YouTube, for instance, spurred the creation of clips and home videos. What did the industry do? Realizing the public’s interest in technology and moving image, handset manufacturers have developed equipment and cameras capable of shooting not only a homemade way, but in a professional manner, as in the Canon 5D camera, which is changing the video capture concept. Advertising agencies and video producers are dropping traditional camcorders to join the equipment, which records movies in FULL HD, with similar quality to the ci-

SURF THE WEB!

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The inverted Narciso


nema. The boom is so steep that one of the most famous TV series in the world - Dr. House - has produced an entire episode with the 5D. It is the forerunner of that revolution, but we already have a dozen models with the same capacity. The quality is consistent to the point, instead of shooting, you can only shoot a scene and then transform each frame and a still image to include in an album or photo book. But would that be the cliff to the decisive moment in photography? Maybe, maybe not. The most likely is a new way to capture, as we move from painting to photography, analogue photography to digital. Evolution and reinvention of the process. The painting is not dead, nor the analogue photography, not digital. Only the culture changes. The dough is gently and quietly led to new media. So if in a few days instead of shooting, you film, do not be surprised. Everything, of course, made with a camera that can instantly publish your pictures or videos on YouTube, blogs or social networks. In a recent phase, but very accelerated, we have the 3D image. Essentially, the 3D is not new. In the 30s, the cinema was using 3D images. But James Cameron, with his Avatar, revolutionized the technology and is creating, literally, a new universe, which was formerly two-dimensional and that will now be three-dimensional. Besides the 3D cinemas, we are entering a sensation of 3D televisions, computer monitors and cameras. All in 3D. In a short time, the printed: magazines, newspapers and books, without an exception, will be adjusted to the new image standard. Where will we be taken by all this? Will there be similarities? How long? Is the image a dated revolution or with no expiration date? There is no doubt that the influence and presence of image and technology will increase even more. Most technologies are still in the first phase of development, taking into an account their life cycle, for example, the speed of the internet access or picture quality. Soon, there will not be a keyboard, or a computer monitor, or a camera, all technology will be converged to create just the image projected into the empty space of our hands where we can capture, share and view videos, photograph or interact. The products will be reinvented or extinct, but the image in all its forms, will become increasingly democratic and ubiquitous. Now it’s up to us to look inside ourselves and see what kind of image we want to externalize to the eyes of the world.

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Become a reference By Wander Roberto

Wander Roberto, sports photojournalist for 20 years, says that specialization is the way for those who want to excel in a market that keeps growing. As a matter of business, experience, or even survival, the photographer must shoot everything, but, conversely, the market requires expertise. Just stop in front of a newsstand and look at the fashion magazines, sports, teens, products, properties or parties to realize that the vehicles that need a professional photographer prioritize referenced in the specific field. Each person sees things a different way and has an own way of portraying, that’s

why I say it is almost impossible to saturate the photographic market. There is space for all professionals to show their identity through their work and, in parallel, there is a market that increasingly needs the image. The choices that photography offers are also a positive factor for the development of professionals. Making a short list, you can shoot indoors or outdoors, registering products, models, animals, plants, sports, advertising, journalism, and within each of these options, there are many strands to choose a specialization. I am a sports photojournalist, specializing in soccer, but that does not prevent me from shooting other sports or even other fields. Since I started shooting, I knew that my passion was the sport - soccer in particular - but nonetheless refused other work. Before stabilizing this area, I photographed weddings, conferences, books and used to be a paparazzi, but all without losing focus on my main goal. Despite having started my career as a photographer hired by a vehicle of communication, I’ve been working for nine years as a freelancer and I believe this is the market trend. Contrary to what many think, there are times of the year in which it is impossible to work alone as a freelancer. In all these years, were rare the months that had labor shortages, and so today I have three other photographers to meet all my clients. You develop your entrepreneurial side and administrator not to miss money in the months of low labor demand. For fixed vehicles photographers, you can also work as a freelancer, just knowing how to dose that relationship. Many of my current clients are from the time when I worked at a newspaper. It should highlight the importance of having your own equipment. Even if it is not the top of the market, it is yours and will be crucial if you lose your permanent job. The only difficulties of being a freelancer is the administration of your own company, buying and maintaining your own equipment. At most, I have the freedom to make my own schedule, scheduling my vacation or time off for the date I want, and be paid in proportion to the time I work, what doesn’t happen when you have a fixed job and salary. First, I think it is fundamental that the photographer finds out what he appreciFOTO GRAFIA / Nº 3 / 2010

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ates shooting. Regardless of the chosen field, the sooner he starts practicing, the more time he will have to specialize, thereby increasing the chances of becoming a reference. Another important factor is to never give up your style. The photographer’s identity is linked to his personality and it adds positively in the business market. I’ve been with image editors of large vehicles, for example, when he was surrounded by a lot of photographs, he chose an image in the middle of many ones, he looked at me and said: “This picture can only be yours.” Regardless of the reason that led him to that conclusion, the different light or angle somehow showed that it was my job, my photography. Who sees in my resumé the coverage of two Olympic Games, this year heading to a third World Cup, sports and social events for the Brazilian Olympic Committee, South American soccer or basketball championships, you might think I was lucky. But every step of my career, besides a pleasant surprise, was thanks to the identity that I stated in my pictures and that became my trademark. Obviously, the professional identity should not become an obsession in search of instant recognition. There are guidelines that allow you to do something new, working with a new light or a new feature, but there are jobs that can not be “invented” a lot. It is better to ensure the factual and then dare, without jeopardizing the quality of work while following the to meet the staff. The pleasure of the photographer is to provide the viewer a picture or scene that becomes unforgettable different bids, which are impossible to human eyes to be examined in minute detail. Record the facts is a way to transport the viewer into the past, which in the case of photojournalism will never be repeated. There may be similarities but there will never be fully equal to a bid. The photograph serves to illustrate, entertain, amuse and, especially photojournalism, inform. Often the picture speaks more than the text itself and its use is essential. By becoming a professional reference on a field of photography, the photographer also becomes essential, gaining attention and recognition in the business market. No company will risk when hiring a photographer, and depends on the quality of this professional to have a positive projection of your product. Thus, specialization is the key word in the market and are professionals with the best references he seeks.

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EYes OF THE WORLD THE MANY FACES OF GAMBARINI

his brothers and father, always carrying a camera, he’s backpacked across Brazil, hitchhiking, camping on beaches and mountains, being guided only by the wind. He shortly photographed, but devoted himself intensely to the logbooks, poems and comments about the places he knew. Among the buildings of large cities, the villages of the countryside and the beauty of the coast, he visited the darkness of the caves and fell in love with it. It was because of the caves that he attended the course in Geology at the University of Sao Paulo in 1987, when photography became constant in his trips. He joined caving expeditions - the science of natural cavities - during the period of graduation, and it was seeking a way to show the beauty hidden in the darkness

of the caves that Adriano began shooting. He retired his father’s old camera to handle a mechanical Canon AE1. In 1992 he became a professional photographer and therefore even more stroller. His work went beyond the caves. The green of the forests and the diversity of animals and plants that fascinated Gambarini since his childhood also became the subject of his lenses. His photographs have illustrated the main Brazilian magazines and several editions of National Geographic, Mercator’s World and GEO Magazine. You could say: Adriano Gambarini is a traveler who portrays the nature not only with the camera, but also with the heart. He is a professional who cares about the benefit that his photograph can bring and who gives himself entirely to his work to the point that through his images, to touch the deepest feelings of human beings.

By Paola Donner

The light, darkness and poetry

A photographer’s work do not depend only on the eyes. Literally, Adriano Gambarini’s feet led him to shooting. Fond of traveling, since his first year of age he has been always on board to the family car heading to a camp, without photographic film depicting the beauty of nature with his father’s Olympus Trip camera. The family trips were just the first milestone of this professional career. His expeditions “by his own feet” began in 1985 at the age of 15. Alone or with

The caves were his autodidact great school. Explored since the time of graduation, Adriano used the darkness of these caves to understand the importance of the light. “The absolute darkness, the need to understand what the concept of light is and how it behaves, to get a good picture of that beauty in keeping with the underworld, were the ingredients I needed to take a taste for art and realize that the soul of photography is the light. “ Using the camera as his paintbrush, he

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lighted. A technical activity in a given situation, may have a unique beauty. “ Thus, it is common to see his images composing reports and scientific publications, environmental and historical produced by NGOs and Government agencies.

Photography and Technology

transformed dark places into artworks. Besides images, Gambarini also saw in the texts an opportunity to share his beliefs and his way of seeing life. He always loved writing and, before starting shooting, it was through the writing that he used to express himself about the trips, the beauties and questions about what he saw and felt. The result was the publication of two books of poetry, short stories and essays that portray the experiences of his trips. Among many other activities, he is also the author of eight books of photographic art and he produces articles for magazines specialized in the environment. Without creating stereotypes of beauty, Adriano shoots what he likes and what he feels, he serches something that touches him and incentives him produce the image, as he believes the reason why he is clicking is implied in some way and that will be perceived by those who observe the image. “I love art and I tried poetry, classical music and sculpture. I believe this contributed to some sort of verification on my aesthetic way of looking at things and created a concept of beauty itself, not specifically what people in different social moments, dictate as good or bad, beautiful or ugly. And in photography has been always like this: if it pleases my eyes or if it touches me in some way, I shoot”, he says. Moreover, he believes that photography can be a great tool for awareness regarding environmental issues and cultural appreciation. Added to these concepts of own beauty, his education contributed to relate large parts of his work activities to scientific expeditions of study and environmental conservation. “Having already worked as a researcher, I know the needs of researchers in the field, what is important to document and how. So, often, I get images with high value information, but also with their aesthetic values high-

During his career, Adriano Gambarini accompanied the technological changes of the photograph: the evolution of analogue to digital camera (though he still uses photographic film images produced in the caves), the emergence of software and features designed for image enhancement, operated in computers or in the camera. He sees the digital photograph as a reflection of the speed of the world we live in and that facilitates communication, but this whole process of acceleration is a risk. “Art is something that is not done in a few hours, and taking the photograph as an art, why doing it quickly? Obviously this speed allowed the photojournalist, for example, to share information in real time, but we always have to work with discernment. “ Digital technology allows us to record many of the same scene and then choose the best, the opposite of the film, in which photographers waited the best moment to shoot. “In the film, we gave priority to accurate, the relationship with time was often governed by intuition to click at the right time. In many scenes of wild animals, for example, I have only one photo. “ To Adriano, nothing has changed in his photos with the digital technology, the aesthetic and photographic language, except the factor of being able to see the picture instantly. Technology is important, since the trader does not disdain the importance of the photographed moment and do not be fooled to think that any “failure” at the time of the click can be corrected later. Gambarini believes in the photographer’s eye and heart, not only in his machine. “First of all, we are human beings, and our presence interferes with the time we live. So live the reality and culture that you are photographing, interact with the environment, give yourself to that moment, have a purpose in being there, recording what you see. It is the first step in creating a good photograph. The technology sums, but it is not the solution. Bad images and wrong clicks will remain so, even if we try to fix them with software for image processing, but good photos are good even without any retouching. “ Remember that there is a difference between treatment and image manipulation.

Travels and experiences Almost all expeditions that the photographer joined included a large team of researchers involved in environmental issues. “I appreciate a lot the confidence FOTO GRAFIA / Nº 3 / 2010

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I gained from institutions such as WWF, Conservation International, The Nature Conservancy. And I think that this trust has arisen because I have a lot of concern in portraying the best possible research and researchers, always prioritizing what is important to them. When I’m on an expedition, I am aware that I am just a participant, so I have total sympathy and respect for people and their activities. “He has already been to over 15 countries, including China, Kyrgyzstan, Cambodia, France, Greece, Norway, Cuba, Bolivia and, as he likes to define “all countries within Brazil.” “I do not usually exacerbate the difficulties that I have during a job, under the illusion that this will make the photos more valuable or important, also I do not lie about the current situation. It’s a trap of the ego, and disrespecs the veracity of the information contained in the image that comes and the people who are ‘reading’ that image. Registering a scene has a rare personal merit, not photographic. I believe that the difficulties that arise are due to the expectation that you put on that work, so try not to create expectations. However, I have already had difficulties due to the ‘theme’ photographed being very complicated. “ Adriano has passed fourteen hours in a single room underground and 18 hours hidden in the woods, unable to walk, and with nothing to eat or drink in an attempt to photograph a rare species, the Dog-do-mato-vinagre. Despite the certainty that the animal was there in the hole, he could not take the fateful photo! Even with all the challenges of their profession, Gambarini loves what he does and is dedicated entirely to work.

In addition to continuing with the expeditions of environmental photography and work for private companies producing photographs that make up institutional annual reports, catalogs and brochures, Adriano Gambarini has several side projects. He is the columnist for National Geographic Brazil Blog and Agencia OECS, the best site for environmental news content, he is working on publishing a new book about Serra da Canastra, with release scheduled for later this year, lectures and workshops throughout the country ; developing two new designs of books, and is completing two subjects for National Geographic. “My problem” is that I like so much what I do that I accept everything that I’m invited to do because everything is so wonderful to produce, work and engage! Too bad the time is one. “ By getting involved with such diverse subjects, the photographer has formed a file with more than 80 000 photographs, possibly the personal bank of images with greater thematic diversity. Rare fauna and flora, lifestyles and culture of various ethnic groups. Since the Cambodian Buddhist pilgrims to the northeast, mustard plantations in China to soybeans in Mato Grosso, within the temperate forests of Finland to the unknown Amazon savanna, unexplored caves of Pará to religious caves of Laos, from European cathedrals to chapels mining, all is in his bank of images. “I believe the profession that the human being follows is a reflection of their education, their family relationship and their beliefs. We’re here just passing through and therefore we should leave something good,” concludes Adriano Gambarini.

Picture Language It is necessary to fulfill what the market wants, but it is also essential to put its own characteristics in the photograph. First you must have a thorough knowledge about photography to dare and then to build your identity. “I remember one day when I was at Editora Abril and I found an old family friend. I told him some of my stories and showed the photos to him and another gentleman, who upon seeing the stickers on the light table said, ‘the most interesting of all is to realize that these pictures were clicked by the same person, because of the light’ . This is very important to me, I believe in building a language. Print a shooting mode for people to recognize your look without your signature. The language should be the signature of the photographer. “ Photography is the art object by Adriano Gambarini, something to be admired like a painting, despite the recovery and its decorative use had begun only a few years ago in Brazil. Gambarini often uses to selling his photographs for this purpose. The photos have a limited number of extensions, and facsimiles are signed with certificate of authenticity. These sales are made through his website or in an art gallery in Sao Paulo, where there are some thematic series exposed. “The concept of the photographic language is one thing that is missing here, because the consumer market for equipment has created the idea that just by buying a camera you are able to become a photographer, and people are forgetting the main thing, which is the constant learning, language and personality of the photographer. We can not trivialize the art of shooting, we have to appreciate who is dedicated to it, “says Gambarini.

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Photography, Education and Culture: An Interdisciplinary Vision By Lucy Figueiredo

Photo: genesis dialogic The photographic field of knowledge arises from overlapping of different areas of knowledge and establishes, a priori, a dialogic relationship strictly between physics, chemistry and art. We can affirm that the pictorial language and the physical and chemical phenomena are the main precedents in photography. The propagation of light waves along with the discoveries of the optical, will trigger the first experiments in capturing mimetic images, bringing the possibility of retention of projected images, through the inclusion of light on photosensitive surface and the subsequent establishment of the shadows, caused by the attainment of chemical baths. The understanding of photography as a cultural system is evident in the constant updates that carries the photographic process, as these result from the constant


reinterpretation exchanges and contagion of semiotic objects in circulation. For Philippe Dubois, we found in the caves of Lascaux the first photographic evidence of the procedures. Taking as its starting point the indexical relationship, the Hands of the Standard would be the genesis of the representations that result from the registration of the referent and direct physical relationship with the object represented. Thus, we would have in the relation to the adjacent first condition, for the existence of technical images, where the photo figures as the previous of all the others that have followed it. The technological instrument suffers constant changes, these shifts permeate the entire course of the photo creation and that is how they will translate the new possibilities of knowledge production and expression of this language. When trying to draw a diagram of the photographic field, we could start our trip in Lascaux, passing through the Classical Antiquity and the Renaissance of Leonardo da Vinci, when the optical apparatus have been widely used for the pictorial creation of that period. If, on the one hand, Da Vinci gets closer through the inter-relationship the field of exact science to the field of art, on the other, it results from this overlapping significant changes in the formulation of visual language, which is translated into an expanded knowledge , fabled with the assumptions of what would be the â&#x20AC;&#x153;photographic paradigm.â&#x20AC;?

Compartmentalized knowledge X Interdisciplinarity: parallel universes The rise of the industrial era, which opens this new field of knowledge that is the photography, gives us also the institution of education and disciplinary research. Aiming to support the sophistication and complexity of technology, the knowledge is being developed, increasingly compartmentalized and fragmented. Conceptually, the disciplines are organized around an issue raising questions of theoretical and practical nature, that aims, through the methodologic implementation, the promotion of the knowledge from a science and the acquisition of knowing. The model of the specific education in photography, in contemporary patterns, classifies in cycles the distinct levels of knowledge in this area. Thus opens a very complex range, of didactic-pedagogic proposals and disciplinary goals. The picture is developing in education primarily in the areas of communication of knowledge and art, although it became very recurrent its disciplinary use, in the most distinct areas of knowledge such as sociology, anthropology, psychology, medicine, computer science, among others. In this sense, the application of that education points to disparate and unique goals. No doubt the teaching of photography draws a very intricate plot, in the multitude of its use. The constitution of this knowledge often takes place in a more fragmentary and vertical way, within a punctual specialty, on more flexible didactic-pedagogic projects, designed for immediate application of knowledge to the market needs. This knowledge of the photographic object is often carried out in a modular way, through extension courses or professional development and workshops. This type of learning serves distinct segments, supplying the needs of the beginners in the photographic field, as well as receives the graduates of academic backgrounds, those that seek in these compact courses the possibility of carry-

ing out constant updates to the professional market demands. Accordingly, this portion of education in photography operates with specific objectives, and offers in its almost totality, technological support primarily for applied photography and it goes from updates and software, to more elaborate technical aspects of each segment of professional photography. Photography, as a discipline, is present in most of the syllabus of communication areas, such as journalism, advertising, radio and TV and in the arts and design. This training accounts for a significant portion of the current photography business market, compost, mostly for professional graduates of these courses, since the higher education in photography is still fresh in our territory. Another trend that is expanding and that makes use of a singular using of this language are the educational projects for social-pedagogical. In this context the emphasis on technical knowledge has goals that aim, often, social inclusion, awareness of social and environmental context, the recovery of their own subjectivity, among many others.

Shared Knowledge: universal knowing Within the proposition of offering a more complete knowledge, that comes not only to the technological knowledge but also aims a training in a lato sense, the transmission of this knowledge is presented through the educational projects of medium and long term, bringing together grants to the acquisition of knowledge in an integral way. In this format, the courses of Higher Degree and Postgraduate release pedagogical proposals that deal with photography as a system of knowledge that is articulated from its structurality, with the most diverse scientific areas. Thus, it is planned in these curricular projects to inter and transdisciplinary interaction, aiming to propose a training based on reasoning techniques, practices, cultural and humanistic. Thus, the higher education has the precedence in proposing a circular chain of knowledge, seeking to enter a fully qualified individual in a business market that is increasingly intricate and hybridized. Through the dissemination of knowledge from various fields comes cross cognitive, academic degrees higher enhances the possibility of enabling professionals that satisfy the scope of the buseness market. This, in turn, prioritizes professionals that have the ability to reflect on their production process, which should be qualitative and differentiaded. The starting point of our reflection is grounded in the dialogic relationship that the genesis of photography problematizes. In turn, as a cultural system that has a nuclear structure, it stores, transmits and transforms information into new knowledge. Thus, we emphasize the circularity of cultural systems that are always in constant process of re-development and transformation. In this sense we understand that the traffic between the most diverse areas of science, or interdisciplinary knowledge, can amplify the transmission of knowledge. The transdisciplinary knowledge comes to foster the dialogue between disciplines, proposing an epistemological pluralism in which the knowledge finds its potential and limitations. The circular learning project aims to reduce the boundaries demarcated and offer a process of cognition, which is guided in the trial of ideas that is daily renewed in a dynamic action on the acquisition of knowledge.

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In this sense, the teaching of the contemporary photography provides from daring educational projects, this educational proposal, believing that by doing so, it may qualify the training and make it more consistent with the expectations of a professional universe that is naturaly dynamic, complex and multifaceted.

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THE PHOTOGRAPH ON YOUNG AND ADULTS EDUCATION By Fabio Noda Hasegawa fabionodahasegawa@hotmail.com

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina - UEL, Pós Graduado em Educação de Jovens e Adultos pela Escola Superior Aberta - ESAB e Pós graduando em Fotografia pela Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI.

Abstract The present work was elaborated with the objective to analyze through pedagogical and anthropologic concepts the question of the use of the practical photography in the pedagogical on the Adult and Young Education. The discussion around this subject was made of a pedagogical proposal light of Pablo Freire, with the introduction of the photography as a documentary material, removed of the proper social relations of educating. In this direction, if it considers a discussion of the use of the photograph as a way to look at of is the proper reality, being able to assist as many educators as the students of the EJA in the agreement of the social reality, being part of it, interacting and modifying it.

KEY WORD: Photograph. EJA. Visual anthropology One of the objectives of this work is to analyze, through pedagogical and anthropologic concepts, the question of the use of the pedagogical photograph as practical in Adult and Young Education. For this, it was used varied bibliography, although the subject is little to be argued, that covered the fields of the pedagogic, anthropology and also of the photograph. This work wasn’t intended to establish methods and criteria for the use of the photograph inside a classroom of the EJA (Adult and Young Education), in this study, the objective was exactly to question the use of this technology, very present in the daily, as form to establish a construction of a social identity and reflection of the reality, proposals used by the educator Pablo Freire in its Pedagogical Method of abc learning of Young and Adult. The EJA holds a contingent of people, in its majority, who precariously possess the domain of the reading and writing. They are young and adult, a homogeneous partner group economically speaking, that they had not concluded middle school.

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At the social culture part, they are heterogeneous, bringing a luggage of know-ledge acquired throughout stories of sufficiently diverse lives, but that although all these problems live and share the modern world, also possessing a vast photographic register, making use of this type of documentation and language daily It is exactly these photographic registers, produced for the pupils of the EJA, which it becomes a great pedagogical instrument in the construction of its autonomy. The pupil already brings obtains a rich historical luggage, registered through the photograph, that can very be used in classroom assisting well the education process. Talking about Brazil’s education, and in particular of the EJA, the school has as one of its missions to teach and to awake the taste for the reading, but according to Freire (2001, p.11) the reading of the world proceeds the reading of the word, from there that the posterior reading of this cannot do without the continuity of the reading of that one. Thus, language and reality if arrest dynamically. When working with the popular and communitarian education, mainly directed toward young and adult that if does not fit in the group of pupils in regular age for the conclusion of education, Freire believed that the education of a social phenomenon is capable to change the reality of a country. It developed a teaching method where the participant was capable to learn to read and to write in thirty hours, and of this form the “Method appeared Pablo Freire alphabetization.” (FREIRE, 1996, P. 46). Such conception of education guideline in the human potential for the creati-vity and the freedom in the interior of structures politics, economic and cultural oppressors. They turn toward discovery and the implementation of liberating alternatives in the interaction and social transformation through the process of awareness. Awareness that it defines as the process, which people reaches a deep understanding, such as the reality cultural partner who involves their lives, as much as their capacity to transform it. It’s method, as Ferrari (2008) is not focus only at the fast learning and accessible mode, but competes to the pupil “reading the world”, on its most famous expression. One of the objectives of the method is to learn how to read the reality, in a way that it makes to know it, immediately afterwards to be able to rewrite this reality, which is, to transform it. The education would be to the disfavored ones, a path for them to transform the reality, as citizens of proper history, to reach, thus, its autonomy. In summarized way, the method considers the identification and cataloging of the Keys-words of the vocabulary of the pupil, that is, the generating words. The considered Freire’s process initiates through conversation with the pupils. From this process the educator observes the vocabulary used for the pupils and its community, being based on some words for the future lessons. In the syllable process, the generating words are worked in a way that the group pass to form new words through the known syllable families already from the previous process. All the stages above are necessary to arrive at the awareness point where it is argued on diverse subjects appeared from the generating words. For Freire (2005, p.112):


In this direction it is that the inquiry of the generating subject, that finds contained in the “minimum thematic universe” (the subjects generating in interaction), if carried through by means of a knowledge methodology, beyond them making possible its apprehension, inserts and starts to insert the men in a critical form to think of the world. It leaves clearly of this form that the objective of the adults alphabetization, beyond promoting the awareness concerning the daily problems, is to awake the understanding of the world and the knowledge of the social reality. Freire (2003) leaves clearly the meaning of “to teach”, for him to teach is a process of exchange between pupil and professor, where both learn, possess and cures doubts, grows as human beings. It is with this estimated of that the professor must be always in constant formation, looking for always new forms to educate, taking its pupil to a conscience of being transforming of its reality and interacting with its social context that the present work presents the necessity of if knowing a little on the Anthropology, the visual anthropology and the use of the images as form to know this reality social. It perceives then, that if it can use the photograph in the education. It becomes of great value, such for the professor as for the pupil, when it possesses a dialogical relation and dialectic between both, in the feeling of acceptance of the other, the interaction and the intersubjectivity. This construction fits the pupil valuation culture, becoming thus the key for the awareness process. It is in this phase that the anthropologist professor and the pupil reach an understanding of the reality cultural partner that they encircle its lives, such as the transformation capacity. Telling the education failure it finds especially on the exceeded techniques of education and without some linking with the social, economic and cultural context of the pupil, privileging mainly, the school paper as ideological device of the State, reproducing in the education the capitalist and neoliberal society. Therefore the present work deals with images as instruments in such a way of the professor how much of the pupil to reach the knowledge of the reality. Through photographs, present throughout a person’s life from the twenty-first century, it is that any person belonging to socioeconomic class and culture, the educator can bridge distances with your student. From images of the everyday, day-to-day the student originates the generative words, established in the Paulo Freire method. Technology, modernity and the advance of capitalist society became much easier to have a camera, it became cheap and easy to handle, being found in any home and even longer if framed as personal object in all walks of life and independent age. All this technological advancement and constant use of photography and imaging in everyday people eventually trivialize this kind of language being used it much in favor of the economy. According to Flusser (2002), nowadays people are so used to images that no longer question its value and not stop to really pay attention to what that image means. It further notes that the picture ended up alienating the population of what actually happens to the present, without stopping for pictures that the

mass has no meaning. Regarding the photo, Jr. (1994) argues that the photographic process transforms the scene that is lived. Photography is able to effectively portray the reality of a moment, making memories recorded by these representations. The representations refer to representations, doubling up to multiply endlessly. And lastly, the prestige of the image does not replace the experience of representations. These reactions to the picture show all the wealth of meanings that they carry for a potential reader. More than magic or mysticism, the image is permeated with meanings that speak to the experience of the viewer, reworking and allowing the emergence of a fragment of experience. This proximity so unique that gives us a visual record can elicit a complex reality, giving rise also shares experiences and very difficult to be expressed only through words. The image can not operate as a naked representation of reality, but it can be a way to reach an invisible reality that lurks behind the sensible appearance. It is precisely this reality and look at it is this visual anthropology to the use of technical devices such as photography to study the socio-cultural reality of a given nucleus. This anthropological approach can have an effect comes from both the viewer as the “producer” of such images. Regarding photography and EJA becomes interesting educator has knowledge of the branch of anthropology that is concerned with visual representations such as visual anthropology. For this, the teacher must know the proper way of educating, for it is through the realities of these young people and adults there will be a quality education. Thus, decreasing the distance between the realities, there is the necessary motivation for learning, arousing interest, giving the banks to search for knowledge. The educator of EJA has to be an observer of others and of himself, just as the anthropologist, who according to Andrade (2005, p.55): [...] have to be a participant observer (Malinovski), which in addition to detailed data collection and compilation of documents, cautious and look directly at the moment. Look at each behavior in the routine of work, details such as the care of the body, how to prepare food, the tone of conversation, social life around the fire, hostilities and sympathies between them ... Notes straining every sense, listening to notes. It is a participant in all directions. This collusion that exists between the observer and the observed object can trigger key moments and great support in the polls. Anyway, the way you look at the photograph can give us a broader view of things. Thus, both anthropology and photography were fed the same source: the observation. Not only the teacher will act as an anthropologist, but will also refine your look to better understand the language established by his students in the capture of images. Actually, the photo helps to deepen the anthropological analysis, when done well aesthetically, and can thus facilitate the interpretation and analysis of meanings of the studied object, thus contributing to the educational process. Anthropology, according to Corrêa (2001), in a nutshell, is the science that stu-dies human cultures. Focusing on primary human societies, try using FOTO GRAFIA / Nº 3 / 2010

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investigative methods themselves, uncover the origins, development and the similarities between the various societies. Cultural anthropology, according to Corrêa: [...] is concerned with the development of societies worldwide. It investigates the behavior of human groups, the origins of religion, their customs, social conventions, technical development and also the family relationship. (Corrêa, 2001, in: http://www.antropologia.com.br/colu/colu10.html) One of the most studied and important this area is linguistic anthropology, studying the history and structure of language. It is an area that has some attention from anthropologists, for that is they rely on to observe the communication systems and understand the world view of people. It is precisely this point that this work takes into account the photographic language, or photography as a form of individual expression or a particular social group. As the photo, a language widely used nowadays, due to easy access and use by all sections of modern society, it becomes a great reference for teachers of adult education in understanding the worldview of their students, aided by knowledge of anthropology. Moreover, it is through anthropology that is possible to collect oral histories of the study group, these stories set in the companies through poetry, songs, myths, folktales and many other types of social-cultural, says Correa (2001). In the case of a work that uses the photo in Youth and Adults with the help of anthropology, stands a branch of cultural anthropology that, in specific, has a focus on the research and production of images in the areas of photography, cinema and everything related to visual representations. For Parés (2000/2001) visual anthropology is understood as that area of sociocultural anthropology that uses media imagery, thus, describe and analyze a culture or an aspect of a particular culture. It becomes important in this study since, still according to Parés (2000/2001 in http://www.antropologia.com.br/colu/colu3.html): [...] develops a theoretical and reflective, which is to analyze the properties of visual systems and their discursive strategies, and the terms of their interpretation, relating those particular systems with the complexities of social and political processes of which they are party. Any visual record always brings some degree of interpretation implied by the fact that it was represented, as it is a snip of subjective reality. Thus, images can function not as faithful representations of the phenomenological reality, but an avenue, an open window to light the invisible reality that is hidden behind the appearance of sensitive (Peers, 2000/2001). Through all this knowledge in the field of vision is that visual anthropology can assist in understanding the reality of educating the EJA, both by educators, the students themselves in order to reach the goal of the educational proposals of Paulo Freire. According to Andrade (2005), the author of “Photography and anthropology: look outside-in” states that photography as a means of expression can provide a broader view of things others.

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For Levi-Strauss (quoted ANDRADE, 2005, p.26) “[...] the act of perceiving the world instantly think synthetic is a wild, untamed.” Thus, the ethnologist, anthropologist and a photographer has to have this wild look, using the senses to dive without fear or ceremony in the history and life of its prey, or rather its object. Thus, it is necessary to contact your habits, your way, its language and decipher its symbols, which are mixed with ours and that therefore should be encoded. Still pondering the words of the anthropologist Levi-Strauss, Andrade (2005, p.27) tells us: You need not be wild to think wild. Need is a unique and natural look, a solitary process in an attempt to rediscover in the other and the other in himself - a permission to the unconscious, the imaginary and the Madness. Hence the importance of photography, because photography is just an imitation, reproduction, records events and landscapes rather than getting to what they really are. And just as anthropology, photography is a participant observer who delves into the details and looking with his eye the target and the object of their lenses and their interpretation. Will provide valuable knowledge of visual anthropology when the student in the role of ethnographer, even without the knowledge to be performing this function, this knowledge only perceived and understood by the educator, presenting images that help the students themselves to understand the world. Also help the teacher as mediator of the teaching process, to understand their role in educational practice and the reality of schooling. According Samain (apud BIANCO & LEITE, 1998), the visuals are an important instrument of knowledge. The visual language is able to open a range of possibilities in the capture of knowledge, either through perception, symbolism and visual communication. The photographic device is given a key role when it is not visible, then becomes through the eyes of the agents, actors and spectators who learn and at the same time are studied. Aumont (2002) calls the guy who uses the eye to look at an image of the viewer. For him to look at a picture the subject involves a series of factors such as perceptual skills, knowledge, affections and beliefs that somehow involves several relevant characteristics such as social class, a time, or a culture. Those concepts fit perfectly in the pedagogical proposal of Paulo Freire (2003) that emphasizes the importance of constructing the autonomy of learners, valuing and respecting their culture and its collection of empirical knowledge from their individuality. This construction of the autonomy of the learners also enables the non-triviality of the image as said by Flusser (2002), when he speaks of not questioning these images because of overuse in the modern world. The photographic image emerges from the remark of a reality that is contained within a cultural framework, it is full of meaning, fragments to be molded into a single account and revealing. Making a bridge with the Youth and Adult Education and as with the educational proposals of Paulo Freire and also its method, if it can, by observation of documentary photographs of students, drawn from such images generating words that will serve as a basis for literacy of the students, helping also in the process


of forming the consciousness of reality. The image retrieved by means photographer for the anthropologist not only the aesthetics that make up, but the history, culture, which goes against, in part, to the intent of its author, says Andrade (2005). Individuals began to see just what they need to see, did not become good observers, and the use of the camera can help your perception. In anthropology, the act of shooting can give an overview and a detailed observation. The anthropologist’s vision Laplatine (apud Andrade, 2005, p.54) “is an observer member of the object of study.” He is not only someone who watches your object, but a guy watching other guys, so one person telling others about. It is precisely the challenge of the anthropologist, to be a participant observer and member of the search field. And this is also the role of Adult Educator who uses photography in their teaching practices, act as an anthropologist, to be a participant observer and member of their group. A major challenge of education workers in this century is to be updated on new teaching methodologies and develop pedagogical practices more favorable to the construction of learner autonomy, making it able to own their own choices and decisions. The use of photography as a language, and even as a manifestation document appears at this time as a mirror of reality, coming to the fore in the process of understanding the real. The educator in his practice should encourage your student to seek answers, thus building their autonomy. Autonomy of both the teachers and students that develops in educational practice, not only through the transmission of knowledge, but giving meanings in a process of rediscovery of knowledge construction and thus learning, therefore, teaching, speaking and knowing. Thus, this work was intended to provide, very synthetic, but objective and structuring the discussion around the use of photography as an aid in the literacy teaching method developed by Paulo Freire. Brought out a theoretical basis for future research on the theme, thus contributing to this debate.

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FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. Rio de Janeiro: Relumé Dumará, 2002. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 2001. Conscientização – teoria e prática da liberdade: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Educação como prática da Liberdade. 19. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989. Educação e mudança. 26. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002. Para educadores. 5. ed. São Paulo: Arte e Ciência, 2003. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000. Pedagogia do oprimido. 47. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2003. JÚNIOR, Eduardo N. A Imagem. São Paulo: Ática, 2ª ed., 1994. KOSSOY, Boris. Fotografia e História. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002 LÉVI-STRAUSS, Claude. Antropologia estrutural. Ed. Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, 1975. PARÉS, Luis Nicolau. “Algumas Considerações em torno da Antropologia Visual”. Coluna. Edição: dez - jan 2000/2001. Disponível em: < http://www.antropologia. com.br/colu/colu3.html >. Acesso em: 11 de outubro de 2008.

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THE IMPORTANCE OF THE INFLUENCE PROCESS OF PHOTOGRAPHY AND REPRESENTATION ON TOURIST ACTIVITY. By Bruna Marquardt and Rubiane Sipp Mistress Mirian Teresinha Pinheiro

Abstract The importance of the photography, the representative character, and the influFOTO GRAFIA / Nº 3 / 2010

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ential role of the image in the touristic activities are presented different peculiarities in some published works, raising the following question research question: How important are the processes of influence and representation of photography in tourism activity in accordance with published works? From this question this article has as a goal to understand the significance of the processes of influence and representation of photography in tourism activity in accordance with the published works. To achieve this goal this article was based on the methodology of literature research. By ending this research we realized the need to the materialization of the image so it doesn’t lose as much space in memory. The photograph represents the continuation of a story and this opportunity to remind all those moments, the tourism allows us to enjoy thought the image.

KEY WORDS: Tourist Photo - Representative Character of the Photography - Motivation Preface The image is one of the centerpieces of the construction of contemporary man. All the impression and information that are present for the human been which sticks in the memory in an inseparable way are captured by the most subtle of ways: the vision. The image specially the photo, is one of the mainly reasons for the sharing of information and the carrier of an almost absolute value and unique with respect to the relationship between apparent reality and internal reality. The particularity of the photography is to capture what is so immediate that almost escapes to the technical record. The photographic image produces a representation by which it is believed that the lines and photographic shapes are characterized by having a native likeness between themselves. If so, there could be no mediation made by the language. The picture speaks by itself so it can get the point it refuses the words. (NEIVA JR., 2002, p. 66) The photographic representations are, today, one of the most effective and used aways to convey and image or identity of a tourist destination. The photography, in special the tourist photo, has the ability to awaken and influence the desire or interest by the photographed place. The image of the tourist destinations is based on individual, partial or total perception of a reality. By analyzing the importance of the processes of representation and influence of photography on the phenomenon of Tourism according to available relevant works to the topic is the proposal that guides this study, developed under the methodology of the research literature described by Lakatos (2001, p.43-44) because it is a lifting of the entire bibliography which has been published as books, magazines, newspapers, loose and print publications. The finality it is to put the researcher into direct contact with everything that was written about a subject. As far as the tourism as far as the photography are social phenomena that brought to the relations with the environment and people. Therefore, to find the reality it is looking for it was used theoretical chosen to add value and meaning to the proposed theme.

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Thus, the text follows organized as follows: The first part is a brief background of the photography in the tourist space; subsequently describe the elements of the image; trying on different photographic interpretations; after discussing the motivations of the record and the importance of the materialization of the images and the final remarks emphasizing the importance of visual representations everyday and in the tourism.

Photography In A Tourist Area Tourism, considering the macro analysis, is directly connected to the image. Any destination, product or other tourist facilities is recognized through the way that is presented to the tourists. Attract them is a goal on this activity, encouraging them to the consumption and the visitation and always related to the visual impacts that instigate feelings and desire to achieve that goal. If we consider the tourist activity, all the information and the knowledge are transmitted by the image with a singular meaning. Ruschmann (2002, p.68) states that “the impossibility of the customer see the product before they buy it means that it can only be presented through photographs, films. (...) It is need to make the tourism product as attractive as possible. “ The camera and the tourists are inseparable elements. According to Serrano (2000, p.49) “on the tourist experience it means that seen is been” therefore it have to prove that experience is almost an obligation for everyone that is no in their daily lives. The pictures make the tourist experience and especially approaching many aspects of reality of the place that they choose to visit. Serrano (2000, p.49) also says that taking pictures “gives, to the viewer, standing to look at others and their spaces.” It proves that “looks decidedly abnormal travel for pleasure without taking a camera. The pictures provide incontrovertible evidence that the trip did happen, that the schedule was performed, that it was fun. “ (SONTAG, 2004 p.19-20) Also according Gastal (2005, p.35) “Tourist and photography are an inseparable couple.” The tourism photo is directly or indirectly linked to the promotion of tourist destinations. It is also a marketing strategy, in order to expand the demand of costumers and promoting their offer using the image as a potential business. According to Dubois (2004, p.25) “the picture is noticed as a kind of proof, in the same time necessary and sufficient, which certainly attests that the place is really there.” The affirmation comes with the need of tourism activity shows what they want to offer, just demonstrate a product using an image is a very viable premise.

Components Of The Photography The photographic composition is characterized by an order of elements which are divided between those on the foreground and other secondary reasons for image. This composition is intended to create a communicative and pleasant image whenever you look at it, also get an emotional effect and allow the viewer to fix his attention on points that cause you concern, whether in the aesthetics of the photography or the most significant elements of it.


The components of photography can be classified into two types, the material order and immaterial order. The material is characterized by the reality of the scene that was captured, in the reality of the document and all the technical part of it, within the photographic limits, aesthetic quality of the image, the shape and other characteristics. There are components of the immaterial order that according Kossoy (2002, p. 44-45) are the “individual filters, social filters, ideological filters, etc..” But also “cultural particular repertoire,” since “our imagination reacts before the visually images according to our conceptions of life, socioeconomic status, ideology, concepts and preconceptions.” Carvalho (2009), from this analysis the complements of the intangible components are: [...] Everything that combine the other motivations and filters at the instant of the photo, the imaginary and the gaze of the photographer, his subjectivity, sometimes more influenced by one, sometimes for other guidelines previously described, but always driven by a mixture all of them. It is what determines the photographic act at the exact moment of the click, so sometimes more intuitive than conscious. Also mentioned by Carvalho (2009) which would define this type of photographic element is reflected on the famous words of Henri Cartier-Bresson whenever he says “For me photography is to place head heart and eye along the same line of sight.” Dubois (2004, p.15) finally defines “photography, in short, as inseparable from his entire statement, as an image experience”. There is a strong link between tourism, image and feelings, and today’s modern tourism can’t ignore this relationship, according what Gastal says (2005, 12-13) “before moving to a new place, people will try to have a visually contact through pictures on newspapers, pamphlets, film scenes, they will google it” With the variety of information that exist on the networks, they are able to keep their attention and make the tourists consider certain place as beautiful or as romantic, or even dangerous. It is the impression that certain places cause on the people. The current photography translates into a technical term and for a few moments, it is subjective. Images are incorporated at the chemical, technical or electronics resources, needed for the materialization of the picture and all the variables, considered immaterial, which are characterized by mental and cultural symbolism of each individual.

The Interpretations Of Touristic Photo The photographic representations have a sort of independence and to this end, modifications and allow use of it as a content to varying situations, one of them is the visual appeal, most used as a resource for marketing and marketing as a tourist attraction. The tourists, mostly of them choose the destination because of the image and few are those which exist without the photography. The human interactions, given their activities, they need a new visual record to your memory, the relevant symbol to who takes the picture goes beyond of his copy, it shows expectations and feelings of the photographer. The photography can still have another function, or intended for other purposes, at least now the possibilities are multiple in this area. Currently there are nume-

rous of technology resources that transforms the image into what the tourist demand. Can be a hilly landscape that gives you an idea about the cold, the haze and makes it more comfortable and romantic. Or in the same location, a luminous image that conveys warmth to those who search for adventure and ecotourism. Today the pictures are made and remade from a careful choice of the local landscape or scene that will be recorded. After the adequate lighting, the picture are taken by very sophisticated equipment and still go through specific soft wares in order to remove it from any imperfection. These different forms of visual reproduction and the whole process of aesthetic image and it is the result not only of modern technology to capture and reproduce the image in various ways, but in a market that increasingly demands perfection is in landscape architecture, restaurant decoration, the hotels design, at clarity of the water from the beach. After all, the publicity and divulgation material of all locations are packed with photos. Leaflets, posters, newspapers and specialized magazines, websites, they all prioritize the picture more than they do with texts. (Gastal, 2005, p.35). According Kotler (1994, p.151), “the image of a place is a basic determinant of how the citizens and businesses react to a place” in order to attract more consumers. Thus, the use of the scenes captured by the instruments of photography, is a particular promotion method, and in this case, the destinations and offer that consist it, since the images are present in the imagination of people and are responsible for much taking decisions and choices they make. However, the correct use of image in tourism is an issue that needs to be discussed by professionals in order to establish to what extent it can be changed without compromising the reality, Fernandes (2009) says: the technological progress and the consequent ease of acquisition and use of the camera for amateur photographers, have favored the production of images. At the same time, it is noticeable drop in production of photo quality, because the technology produces a device that requires nothing of the photographer. Therefore, the domestic production, fast and immediate, tends to disappear at the same speed with which it was produced and consumed. Photos are presented as a socially constructed artifact, causing different interpretations and meanings, both for those who narrates - photographs, both for those who hear, see and analyze. The picture becomes, therefore, image real, tangible and imagined reality, ie one that expresses the main characteristic of the medium, this is unquestionably the duality of representations.

The Motivation Of The Photography Recording And The Importance Of Your Materialization. With modernity and ease equipment to record images offered today, people are driven to consume less and less these impressions. The photos lost their space in the frames, pictures of family albums and memories. The scanning allowed us to record those pictures on CDs, DVDs and other equipment that have countless scenes. Moreover, these advances have allowed us to change color, defects, brightness, size and other characteristics, turning the images as a fact which is produced and manipulated by technology and not the mirror of reality FOTO GRAFIA / Nº 3 / 2010

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that is the true meaning of photography. The photographic representations have the need of print “otherwise, these images remain stagnant in their silence: disconnected fragments of memory, just art illustrations of the past” (Kossoy, 2002, p.22). Still following Kossoy (2002, p. 27): Whether due to a desire for individual expression of the author, is aiming for commissioning specific to a particular application (scientific, commercial, educational, police, journalists etc.) Always exists an internal or external motivation, personal or professional, to create a photography. The motivations of the record can be switched in order of priority during the photographic act. The capture of images by the observer and involvement at the time of the photo depends on what you feel, what happens around the photographer and the reasons that made the register that landscape, people or time, to the detriment of so many other possibilities. It is noteworthy that the cultural style and way of life allows people to understand and perceive the landscape through the feelings, impressions, and several considerations. All visual information is inspired, implemented and until modified by personal feelings, as well as the cultural context of those involved with the click time. With the advance of digital imaging in photography on recent decades, the opinions have diverged and there has been a significant influence with respect to the original concept of photography. Thus, it is increasingly difficult to know what specifically is also the actual record or what has become an image conversion. All this technology leads us to rethink about it and the own identity and character of transmission of information, knowledge, feelings and memory of the image. The need to prove the reality, especially in tourism through the picture, makes everyone dependent of the image in a sense that materialize them would be the most appropriate way forward to other experiences without all the technological changes that could happen. Photographs are like a residue that reflects how you see, how you conceive and how you interact with the world, which is the relational that reveals, delete, modify, anyway skews the reality. And through the residue that the experiences can be revived, told and retold, illustrated or even read how many times they want, they have become perennial and concrete, they were “objectified.” (BIELLA, 2006, p. 96) The time saved on the image is what has real value for the tourists away from the distortions and with the main objective of translating the other all that we have seen, lived and felt.

Final In the postmodern period in which we live and the immediacy of people, there is a need to identify and materialize the images by saving them as a bond of memory which are social, cultural and environmental representations, as it lost

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to ability to wait for the printed picture, people get the picture at the moment and has the power to dismiss if they decide it is necessary. The whole climate of wait and every expectation of enjoying the experience photographed broke up with the lack of time everyday. It is of utmost importance, especially in tourism, which are obtained not only imaginary, but documents and tangible records of everything that lived in order to promote and provide a historical memory over time. People have ignored or simply forgotten those good memories, dreams and impressions. The images lost memory space and the fragments that remain are not sufficient to recall all times. The final reason for the need to shoot rests in the logic that we need to produce more and more images. The human relations have become mediated by visual representations, and the need to have them in the form of photos, as proof of all experiments and as an approximation of reality is inevitably conscious act before and after pictures. Shooting is therefore a great time, which often transcends the consciousness of the photographer and strips of autonomy everything that is photographed. Photos can implement the real - and when they are good, they always do. In tourism the reality is always interpreted through the information provided by images, when something is photographed, is a landscape, a product, people or places, the images represent more than the common definition, and continuities represent fragments of a story that is told by those who witnessed the moment. This is the range of opportunities and sensations that tourism allows us to enjoy, with the spectacle of the photographic image, a precious document that holds the memory of the past and right now that will allow a different interpretation. For these reasons the take picture means to preserve the scenes, people, dreams, experiences, and can help the process of keep the memory.

Bibliographical References BIELLA, Célia R. F. Águas encantadas: uma análise sócio-histórica das representações do litoral potiguar pelo olhar do turista. Dissertação de Mestrado. São Carlos: USP, 2006. Disponível em < http://www.teses.usp.br/teses/ disponiveis/18/18139/tde-08042008-151419/> Acesso em 02.11.2009. CARVALHO, André Luís. Memórias visíveis. Studium, no. 26. IFCH-UNICAMP, Instituto de Filosofia e Ciência Humanas. Pós-graduação de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas: Brasil. Disponível em <http:// www.studium.iar.unicamp.br/26/03.html> Acesso em 02.11.2009. DUBOIS, Philippe. O Ato Fotográfico. 8. ed. Papirus: Campinas, 1994. FERNANDES JR., Rubens. Desconhecidos íntimos: O imaginário do fotógrafo Lambe-Lambe. Disponível em <http://www.mnemocine.com.br/fotografia/ rubens.htm> Acesso em 06.11.2009. GASTAL, Susana. Turismo, imagens e imaginários. São Paulo: Aleph, 2005.


KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. 3.ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002. KOTLER, Philiph. Marketing Público. São Paulo: Makron Books, 1994. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do Trabalho Científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2001. NEIVA JR., Eduardo. A imagem. São Paulo: Ática, 2002. RUSCHMANN, Dóris. Turismo no Brasil: análises e tendências. São Paulo: Manole, 2002. SERRANO, Célia. Poéticas e políticas das viagens. In: SERRANO, Célia; BRUHNS, Heloísa; LUCHIARI, Maria. (orgs.) Olhares contemporâneos sobre o turismo. 2 ed. Campinas, SP: Papirus, 2000.

The increasing presence of video cameras in shopping centers in workplaces and residential streets and major urban centers, for example, seems to confirm the role attributed by Foucault to watchdogs. Cultural products such as reality shows seem to convey to the media (TV and Internet) surveillance mechanisms present in everyday life. In this paper, concern the impact and consequences of new information technologies in the form of moving image - here in your flat representation (photographic) - on our democratic societies. This line of thinking exemplified, among others, the works of Foucault, emphasizes the problem of monitoring and strategic use as instruments of social control. The boundary between public and private fades, dissolves, it distorts and ends up being cause for differences between the eye test chart (image) and the intimacy of the subject represented (ROMÁN ALCALÁ, 2001). According to Foucault, Discipline and Punish, surveillance is omnipresent and anonymous: anyone can be subject or object of surveillance, because the power is organized in the form of a decentralized network that involves the whole society. The proliferation of “seeing machine” of panoptism is the defining characteristic of a disciplinary society:

SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

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REFLECTION ON THE POINT OF VIEW ZENITH

By Luiz Claudio Gonçalves Gomes –Fluminense Federal Institute / Barcelona’s University luizgomes@gmail.com

Abstract The images have been part of the moral since antiquity, in some cases as a symbol of power and personal continuity, and others, like the iconic sacred taboos in the first instance, and also of their own identity. With the emergence of photography, the democratization of the right to own image. A century and half later, we live with the inflation picture that threatens our privacy.

Key Words: Zenital Photographs, control, bird sight Introduction Modern society has been characterized as a disciplinary society, organized around a mechanism for monitoring and punishment. According to Foucault (1977), the power in capitalist society has a positive dimension, back to the production of appropriate behavior to social norms. Foucault is concerned with the presence of power in the different dimensions of everyday life as it is supported by mechanisms for monitoring of individual and social behavior, and punishment of deviations from standards.

[...] We have seen that anyone can come to practice in the central tower the functions of surveillance, is that doing so can guess how it is exercised on surveillance. In fact, any panoptic institution, even if it is so carefully closed as a penitentiary, may without difficulty be subjected to such inspections while random and relentless: it not only by the designated drivers, but by the public, any member of society is entitled to come see for yourself how they work schools, hospitals, factories, prisons. There is therefore a risk that the growth of power due to the panoptic machine may degenerate into tyranny, the disciplinary device will be democratically controlled, it will be constantly accessible to the “grand committee of the World Court.” The Panopticon, subtly arranged so that one can observe vigilant, at once, so many different individuals, it also allows anyone to watch the lesser of vigilantes (Foucault, 1977 p. 182-183). The images have been part of the moral since antiquity, in some cases as a symbol of power and personal continuity, and others, like the iconic sacred taboos in the first instance, and also of their own identity. With the emergence of photography, the democratization of the right to own image. A century and half later, we live with the inflation picture that threatens our privacy. The proposal of this work Our first trial circumscribed to the basics of this project by taking photos of passersby (alone or in pairs). We observed a very curious and interesting result that was “pierced” among them, or people walking in opposite directions, but they were side by side for a split second. The next moment, and more reflective, was photographing the environment without people, that would be parked cars and motorcycles, trees, street and their “brands” and the shadow of the building diagonally across the street. On the third floor level, the machine is not allowed, with its short range zoom, the approach needed to better compose the picture with the best people in the visual field framed photo. The “clipping” of the photographs was made retrospectively.

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variety. He can collect his visual point so that their work reflects the spatial organization of three-dimensional scene as faithfully as possible. Thus, you can also catch the predetermined structure of a new artificial organization, with a simple shift of his position is sufficient to change the connections, move the center, build a weird picture from a familiar image.

FIGURE 1. First trials.

The proposal of photographic representation as a representation of control and surveillance, the main goal of this project, which has been spread to households through TV and the Internet, and observation of others’ lives. To Román Alcalá (2001) we classify this as a social gaze degradation of private legal representation, as a social voyeurism. There is strong demand from consuming intimacy, the only thing that was not consumed. That is M. Kundera calls it, rightly, of imagology, understanding by this term the desire for happiness (as substitute) that generates the image culture. This phenomenon suggests a reflection so far outside the world of thought. Why is there so little social protest against the invasion of our privacy through surveillance technology and the appropriation of our personal data? Before we were afraid of a vigilante centralized, one eye of God sees all. But new technologies make individuals “visible” in a decentralized manner, this visibility is exposed to a multitude of observers from different places, and pursuing very different directions.

The second proposal When considering the photograph as a representation of reality, society does no more than confirm the tautological certainty that an image of reality that fits their own representation of objectivity is truly objective (Bourdieu apud Krauss, 1991). With limited social functions that promote and restrict radically the practice of the common man, the result is a stereotyping of both photographic subjects as the way to represent them.The subject, the thing that is deemed worthy of being recorded, is extremely limited and repetitive. The frontal and centered, with its proscription of any sign of temporality and contingency, are the formal rules (KRAUSS, 1991). The relationship of depth and volume by which an architect tries to impose the power of the emperor or the presence of a deity, in photography, are reduced to simple forms of games. For Tisseron (1996), photography is sacrilegious art par excellence. An unusual point of view - as the top and perpendicular to the ground - respond to the frontal image of the natural human vision from their natural vision looking forward. In a way, it would respond to the channeling of the use of images today.

Methodological implications Arnheim (2002) deals in his paper on optical and understanding about the freedom to choose their position in order to offer the photographer a great stylistic

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The sovereignty of the artistic design that is perfectly symbolized the power of the photographer and the viewer to contemplate the nature of a particular theme with ever new forms. [...] The degree of depth chosen by the photographer occupies a prominent place among the types of spatial freedom. The photographer can mimic almost infinite distance accessible to stereoscopic vision, or you can flatten the world to the point where things are almost completely juxtaposed to the front surface, rather than appearing one after another. (Arnheim, 2002, p. 36). An important ploy to get the depth perception is the gradient, which is the scale of varying degrees to which a perceptual trace can submit. It is as if the gradient was the scale of distance on a visual scale available for the projected image. Although the abstract paintings of Rodchenko, for example, suggests sometimes travel in the cosmos and make us “spin in a circle as a planet,” they evoke vertigo as in his photographs.The artist found that the adaptability and maneuverability of the camera was a big difference and advantage they had with the unit since it enabled him to represent reality “from all points of view but not from the navel” (BOWLT, 2002 , p. 79). Summarize: for a person to come to get used to seeing from new points of view, it is essential photographing everyday issues, family, from points in positions totally unexpected and totally unexpected, and new themes should be photographed from different points to provide an overall impression of the theme. [...] The views of most interest to the contemporary are the top-down and bottom-up, and its diagonals. With its unusual proposals, Rodchenko was accused of distorting reality. His reality was presented so unorthodox and away from the subject, forcing the viewer to watch. The complacent observers who had to make an effort to find a face or object found them annoying and fake photos (BOWLT, 2002). We can say that the spatial relationships in art are always symbolic. Thus, the vision of the world represented by a combination of opposites has its physiological correlates in concepts such as dialectical and yin and yang. It’s like a reference to the struggle of opposing forces or the type of unit cosmic creative force who takes the cooperation of opposing powers (Arnheim, 2002).

The world seen from an upright posture In the history of pictorial representation, an axiom was constant and remained active since the Renaissance, including Cubism and Abstract Expressionism. The image as a representation of the world as a spatial world that can record the picture plane in correspondence with the human upright posture. Thus, the upper


image corresponds to the time they reach our heads, while the bottom is close at our feet. Even in the Cubist collages of Picasso, who break with the conceptspace world of the Renaissance, there follows an implicit reminder of acts of vision, and something that somehow represents the real world of something previously (Steinberg, 2002). One exception was a Dutch artist who painted Hoogstraten floor of a house, still only for composing your inbox perspective.

tion, he considers the slope of the picture plane from vertical to horizontal and expression of the most radical change in the theme of art, the changing nature of culture. It is an important turning 90 in the posture of humans, including some of those “works” of Duchamp that in his time seemed simple gestures of provocation (STEINBERG, 2002, p. 278). The horizontality of the picture plane serves any content that does not evoke a prior optical event. As a qualifying criterion, goes beyond words “abstract” and “representational”, pop and modernist.. While the painters [...] colorists, each time in his works suggest a reproducible image seem to work with the horizontal picture plane, a plan created by man and that stops abruptly at the surface pigmented [...] (STEINBERG, 2002, p.284).

Bird Sight The top view is privileged, so that says it is a vision of God. Has turned into one of the privileged representation techniques. For Besse (2003) the aerial view while glorifying also exposes the state of the world. And have nothing to exclude this aspect, the popular success achieved in the nineteenth century panoramas, and more recently by the exhibition of aerial photographs that show the land to view the bird, it is partly due to the impact of philosophical, aesthetic and moral representing the state of a world suddenly turned into a spectacle. FIGURE 2. Unusual point of view of a painting (floor of a house) to compose a set of fun optical Renaissance painter Hoogstraten.

The images that remind us of the natural world evoke sensory information that is the result of the perception of an upright posture. For this reason, the image plane determines the verticality Renaissance as a prerequisite and the concept of the picture plane as a vertical surface survives any stylistic change. Even the more contemporary styles still speak to us from head to toe (STEINBERG, 2002). [...] This applies to both tables of drops of paint spilled Pollock as the Velos y Despliegues, Morris Louis. Pollock poured and really let her drip pigment on the tissues lying on the ground, but this was a feature, because once settled the first coats of paint, nail tissue on a wall - to become familiar with it, had to say, for wanted to see where -. He lived with the table in your state vertical, as if it were a world located outside his human posture, and that is what the abstract expressionist painters of nature being followed [...] That some of them are hanging upside down is as an irrelevant, since both the image suggests Falls tissues as suggested lightning, the experience of your space is still gravity. (STEINBERG, 2002, p. 275-276). For Steinberg (2002) no matter the actual physical placement of the image. There is no legislation against the fact of hanging a rug on the wall or reproduce an image as a narrative mosaic floor. For him, the important thing is the psychological discourse of the image, its special mode of imaginative confronta-

The portraits and city views conducted in Europe since the eighteenth century shows features vivid, impossible to contain within the context of technical conditions (aeronautical) prior to that period. Show us cities as the no humans could contemplate. Signal the separation of functions and cognitive impacts established since the Renaissance, between the different image types and points of view on the world: from then on the observation of the landscape will differ between the frontal view, the vertical view and oblique view. The air waybill in the world will rely differentially on upright and looking ahead (BESSE, 2003). With the almost simultaneous appearance of the first balloon flights and panoramas of the first pictorial in the eighteenth century, the sight of a bird is on a decisive factor in the development of the representation of the city during the nineteenth century. Grids Western cities, in buildings specially built to house them in universal exhibitions or simply in the pages of major newspapers, the panoramic views multiplied by presenting in detail the cities and landscapes as if they were covered from the basket of a balloon. Thus, at the Universal Exhibition of 1855, Victor Navlet shows in a format giant, an overview of Paris from a balloon, which is one of the most visited attractions. The balloon trip is not only a literary theme, he gives the title to a huge series of lithographs that circulate in the market throughout the century, as the albums of the artist Alfred Guesdon, devoted to France, Spain and Italy (BESSE, 2003) . In October 1858, swimming records a brand for a new system of photo aerostatic applicable to layout plans and hydrographic surveying. The basket of the FOTO GRAFIA / Nº 3 / 2010

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balloon is covered with an awning that makes darkroom. In June 1879, Triboulet carries out the first aerial photos of Paris from a balloon free. Besides the balloons free or anchored, are used other media to bring cameras as blimps and even kites. The aerial photography will not be part of the visual habits of the general public until the appearance of aviation. The first photograph was taken in 1908 by Bonvillain, from an airplane flying over Le Mans. The military uses, before and especially after the first World War, both the photo as the plane, brought about significant improvements in descriptive quality of the documents obtained (BESSE, 2003, p. 346).

Our job Propose an unusual point of view is perhaps a response to the trivialization and popularizing the use of images today, and it is involved civil society as a whole, since the paparazzo on duty until the urban surveillance and condominiums with their cameras control. A contrast between the anonymous and faceless image with celebrity moment, very common nowadays. The image of those who hide, who wants to appear and who has no idea who is at the center of the optical observation of others that controls it. The unusual point of view as seen from above and perpendicular to the ground, it also seeks to answer the straightforwardness of the natural image of the human eye from an upright position looking straight ahead.

We move away from the subject of his attention, and this detachment, which results in the familiar a priori, becomes something strange and new, and therefore draws our attention, we bound to make a careful exploration. Cityscapes or humanized, either by machine or by human presence, where the strangeness of the viewer is led through the point of view chosen for the photographic record. The territory recorded, the vertical drop of gaze, puts the viewer in a completely new point of view (PASTOR ANDRES, 2004). For the images taken from a point of view zenith have the desired strangeness would require them to be registered for a minimum height of what would be the maximum height of a man. This implies that the camera should be a minimum height of two meters from the ground, a fact which in itself makes it clear that the position of the photographer never be a normal level, will always be about something to do the work, provided a simple chair to an airplane.

Latest considerations The view zenith is an option, we realized that rupture; is conservative. This position, more than a spatial or geographic choice, it should be understood to control and therefore political-ideological. The maintenance of order and control of others is more convincing than that of Big Brother, is a vision omniscient and omnipresent. Earthly life is everything down and under control. We’re talking about a critical vulnerability of man today, submissive to the physical and psychological violence. Today, more than governed by people, we are governed by codes, all phenomena can be analyzed in terms of communication.

References ARNHEIM, Rudolf. Estudio sobre el contrapunto espacial. In Steve Yates (ed.). Poéticas del espacio. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2002. p. 33-50. FIGURE 3 - In our proposal makes both the position of the photograph referred to the point from where it will be observed..

Black and white to accentuate the contrast of a world that almost intangible added to the optical approximation (telephoto) help to highlight the unreal and flat (lack of depth) of the flattened image, submissive vision of a driver. The frameworks are empty deep, getting to the accumulation of elements almost abstract compositions. In these compositions, which make up the scene, their values are condensed and enriched by the accumulation and compression of space in a two-dimensional image. The photograph zenith (and its counterpoint and his reverse shot), differently from other points of view, has no referent and therefore gravity can be observed at any angle without the reference is changed. Not even the maps have the privilege, in terms of its functionality / instrumentality as it should be observed regarding cardinally supported geographic north. Gursky (cited PASTOR ANDRES, 2004) eliminates all elements of the view that the theme seems to appear without the interference of an observer, selects and configures the view so that all this suggests a completely autonomous corresponding to a mental image or concept, which he has previously raised in his mind.

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Reitora de Ensino: Profa. Dra. Cássia Ferri Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação, Extensão e Cultura: Prof. Dr. Valdir Cechinel Filho retário Executivo da Fundação Universidade do Vale do Itajaí: Prof. MSc. Mércio Jacobsen curador Geral da Fundação Universidade do Vale do Itajaí: Prof. MSc. Vilson Sandrini Filho etor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Comunicação, Turismo e Lazer: Prof. Dr. Carlos Alberto Tomelin rdenador do Curso Superior de Tecnologia em Fotografia da Unidade Florianópolis - Ilha: Prof. MSc. Renato Buchele Rodrigues ponsável pelo Curso Superior de Tecnologia em Fotografia do Campus Itajaí: Prof. MSc. Ricardo Magoga Gallarza

Re i to r : P rof. D r. M á r i o C é s a r d o s S a nto s V i c e - Re i to ra : P ro fa . D ra . A m â n d i a M a r i a d e B o r b a P ró -Re i to ra d e E n s i n o : P ro fa . D ra . C á s s i a Fe r r i P ró -Re i to r d e Pe s q u i s a , Pó s - G ra d u a çã o, E xtensão e Cultura: P ro f. D r. Va l d i r C ec h i n e l F i l h o Se c retá r i o E xe c u t i vo d a F u n d a çã o U n i ve rsidade do Vale do Itajaí: P ro f. M S c . M érc i o J a co bs e n P ro c u ra d o r G e ra l d a F u n d a çã o U n i ve rs i d ade do Vale do Itajaí: P ro f. M S c . V i l s o n S a n d r i n i F i l h o D i reto r d o C ent ro d e C i ê n c i a s S o c i a i s A p l icadas - Comunicação, Turismo e L azer: P ro f. D r. C a r l o s A l b e r to To m e l i n C o o rd e n a d o r d o C u rs o S u p e r i o r d e Te c n o logia em Fotografia da Unidade Florianópolis - Ilha: P ro f. M S c . Ren ato B u c h e l e Ro d r i g u e s Re s p o n s áve l p e l o C u rs o Su p e r i o r d e Te c n ologia em Fotografia do Campus Itajaí: P ro f. M S c . R i ca rd o M a go ga G a l l a r za

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Revista Foto Grafia #03