5. O futuro da identidade
informação, idéias e comunicação são a moeda no mundo virtual de hoje. [...] Fica claro, que o designer tem o poder, considerando sua responsabilidade sobre como as coisas serão consumidas, como as pessoas serão retratadas, como as mídias serão distribuídas e, ultimamente, qual o forma o futuro terá. (PETERS, 2005, p. 11. Tradução pessoal)
Peters parece acompanhar as palavras do historiador Rafael Cardoso, que coloca o design como “principal desenvolvedor dos objetos que constituem a paisagem artificial do mundo moderno e possui importante influência semiótica no que diz respeito à transmissão da informação e à ordenação dos meios de comunicação” 3. Entende-se, assim, a necessidade de reposicionar o design nesse novo “mundo líquido”. O design, reduzido à sua essência, pode ser definido como a tendência humana a modelar e transformar o ambiente circundante de maneiras que não encontram precedente na natureza, para atender nossas necessidades e dar sentido às nossas vidas. (HESKETT, 2002 apud PINK, 2005, p. 63)
A incidência das novas tecnologias e a falta de uma teoria contemporânea são as causas mais visíveis da complexa confusão conceitual e metodológica que o design está experimentando. Em conseqüência, o âmbito acadêmico e o profissional se debatem em busca de um novo paradigma para a reflexão e a prática do design. Sem regulamentação estabelecida, mas com diversas variantes de ensino e denominação, a área tenta se autoafirmar através de outras disciplinas criando um sistema interdisciplinar de ações 4. O consultor em planejamento estratégico e professor de semiologia Norberto Chaves diz que as práticas profissionais vinculadas à identificação institucional experimentaram um significativo processo evolutivo da multiplicação à generalização, excedendo seus alcances e marcos iniciais: [...] dentro das disciplinas básicas – como, por exemplo, o Design Gráfico – consolidaram-se as especializações [...] e se afirmou a tendência à integração interdisciplinar das distintas profissões que concorrem nos serviços globais de identificação institucional. (CHAVES, 2005, p. 7)
Chaves ainda completa dizendo que o processo de cristalização dessas novas especializações profissionais normalmente não possui uma estrutura disciplinar clara ou um respaldo teórico específico, tendo que se apoiar em estruturas preexistentes e um instrumental teórico-técnico demasiadamente eclético. Conseqüentemente, carece de um processamento analítico e uma bibliografia teórica específica e sólida. 5 O artista plástico e designer pernambucano Aloísio Magalhães (1998, p. 11-2) corroborou com esses ideais ao considerar o design uma atividade contemporânea com necessidade de estabelecer uma relação entre diferentes saberes: “Nasceu, portanto, naturalmente interdisciplinar”, disse.
3
CARDOSO, 1998, p. 22.
4
Existe uma enorme discussão hoje sobre essa interdisciplinaridade no design, mas que acontece na maior parte das áreas de conhecimento. Aqui a interdisciplinaridade é colocada como a organização ou estruturação de conhecimentos, capaz de modificar conceitos e métodos em um intercâmbio recíproco de enriquecimento mútuo. Ver mais em COUTO, 2006, pp. 58-59, NIEMEYER, 2006, p. 98 e VILLAS-BOAS, 2002, pp. 21-6. 5
CHAVES, 2005, p. 7.
Filipe Chagas – Design líquido: Uma investigação sobre a construção das identidades contemporâneas
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