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A U T O R

_

F E L I P E

C O L T U R A T O

C O I M B R A

ARQUITETURA & OCUPAÇÃO U M

E N S A I O

S O B R E

O

V A Z I O

|

O R I E N T A D O R

_

A B Í L I O

G U E R R A

Trabalho Final de Graduação apresentado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackernzie sob orientação do professor Abílio Guerra para a obtenção do título de arquiteto e urbanista.

SÃO PAULO | DEZEMBRO 2013

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Agradeço, Aos meus pais, Carla e Tadeu, pelo imensurável carinho, atenção, força e dedicação, tanto na minha formação pessoal quanto profissional, Ao meu irmão Caio, grande companheiro, por todo apoio, paciência e companhia nesses últimos anos, A todos os meus familiares, pelo interesse e suporte, A Primazzola, pela experiência de ter mais que meros primos, Ao professor Abílio Guerra, pela presente orientação, disposição e confiança, Ao professor Antônio Cláudio Pinto da Fonsce, pela instrução da atividade projetual, Ao Barão, Déborah, Dylan, Edu, José, os Joões, as Luizas, os Márcios, Marina, Matheus e Patu pela amizade e confidência, Ao vô Bado e ao vô Cultura, por toda a inspiração e amor.

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Toda despedida é dor. Tão doce todavia, que te diria boa noite até que amanhecesse o dia. William Shakespeare

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I

Introdução

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REGISTROS

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Registros e histórico Memória e vocação

II

III

E N S A I O S O B R E O VA Z I O

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Cidadela dentro da cidade O prédio público O imprevisto Paço a paço

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PROJETO & CONCEITO

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Projeto & conceito Convívio com o entorno Eixo articulador Estrutura Acessos Módulo Executivo Acervo Municipal Câmara dos vereadores Teatro

Bibliografia

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O objeto aqui proposto não vislumbra o lote vago como local de mera implantação, e sim, tem como intenção ser um mecanismo de reorganização que consolide os fluxos préviamente estabelecidos.


O lote vazio que flutua silenciosamente, sob a movimentação de São José do Rio Preto, arca com o peso de um terrain-vague, um vazio urbano. Carrega em sua memória uma infinidade de nobres propostas de ocupação, nenhuma com efetiva execução. Em meio a um complexo contexto urbano que soma, um zoneamento restritivo, eixo urbano verde, presença de linha férrea e uma abrupta interrupção por meio de um viaduto, o lote parece resignado a assim permanecer. A proposta aqui apresentada prioriza dar continuidade aos fluxos pré-existentes, realçar a rotina que foi espontaneamente criada com o passar do tempo. O projeto reorganiza o espaço, a fim de uma eficiente ocupação que preze pela permeabilidade. Interliga a área residual a sua original conformação somada ao lote vizinho e reaproxima seu conteúdo programático ao que sempre se propôs aquele espaço. A oportunidade de trabalhar uma área residual permite a conquista do espaço vazio por meio de uma grande liberdade ao projetar seus espaços, esta arquitetura evidencia a vivência espacial como sua essência.

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I . REGISTROS

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R E G I S T R O S

Em

E HISTÓRICO

meados do século XIX a enorme área ocidental ao norte

da Província de São Paulo era praticamente desabitada, à época apenas com pousos esparsos interligados por trilhas e caminhos precários. Diversas incursões de colonos para o interior deste território, motivadas por diferentes interesses, deram início a conquista da Boca do Sertão.

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Os colonos vindos de Minas Gerais, tinham por objetivo avançar o território provincial adentro, para a conquista e controle de maior quantidade de terras, visando estabelecer novos pousos e povoados, espaços para a agricultura, além de, se afastar de movimentos conflituosos, políticos e revolucionários. De modo generalizado a histografia de São José do Rio Preto, parece estabelecer alguns consensos e algumas controvérsias entre os vários historiadores que se aventuraram em escrever a história da cidade. Sabe-se, em senso comum, que a abertura de trilhas no sertão do Avanhandava, região localizada entre Araraquara e Jaboticabal, entre os rios tietê, Grande e Paraná, nas áreas limítro-

INSTALAÇÃO DO CRUZEIRO NA NOVA CATEDRAL , INAUGURADA APÓS O PAPA PAULO XI SACRAMENTAR A ARQUIDIOCESE DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO . IHGGSJRP, 1978.


ESCADARIA QUE LIGA O CENTRO A ESTAÇÃO FERROVIARIA. IHGGSRJRP, 1933.

fes a Minas Gerais e, na época, Mato Grosso, proporcionou o surgimento de pequenas povoações datadas entre 1840 e 1850. Com o tempo, instalou-se entre dois pequenos córregos (Canela e Borá) um pouso que passou a ser chamado de São José do Rio Preto. Devido a distância da capital da Província, o difícil e arriscado acesso por trilhas em estado de abandono e a inconstante perenidade das águas, os pousos do sertão do Avanhandava não eram potencialmente vislumbrados para colonização, como relatou o visconde de Taunay, em seu retorno da Guerra do Paraguai, quando pernoitou em São José do Rio Preto: “Meia dúzia de palhoças abandonadas, uma igrejinha em construção, e cremos que muitos anos fique

MAPA DA MALHA FERROVIÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO. FEPASA, 1987.

neste estado, quando não se arruíne totalmente.” As perspectivas do Avanhandava começaram a mudar apenas em 1912 com a chegada dos trilhos e a instalação da Estação Ferroviária Araraquarense (EFA). Fazendo parte deste projeto, São José do Rio Preto dotou-se do status de ponta de linha, a última parada antes do regresso, fato que impulsionou significativamente a economia, colocando o então melancólico pouso em um rol de municípios com potencial de desenvolvimento. Com as paralelas de metal que rasgavam a

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 “boca do sertão”, a cidade orientou-se em função da estação. A vida social e o comércio pas saram a acontecer a partir da gare. Não por acaso, os principais planos urbanos para o desenvolvimento do município convergiam para a EFA. A impulsão econômica trouxe novos habitantes para São José do Rio Preto. Em franco crescimento populacional, a cidade necessitava se adequar aos padrões de infraestrutura básica. Cenobelino, o primeiro prefeito eleito no voto direto, audaciosamente lançou um plano básico de saneamento para a cidade, no qual o serviço de 16

água e esgoto não continuaria refém da inconstância dos córregos, assim em Outubro de 1955 os rio-pretenses viram a inauguração da Estação de Tratamento de Água, batizado como Palácio das Águas e o Represamento das água do Rio Preto. Se no passado o manancial era vítima do frequente assoreamento por terras das lavouras carreados leito abaixo, as décadas de urbanização e avanço imobiliário no município se encarregaram de minar aos poucos a frágil fauna e flora ciliar. A necessidade de represamento sugeriu um projeto ambicioso formado por três espelhos d’água, dois em exploração há mais de cinco décadas e um terceiro desde 1989, apresentando uma capacidade de estocagem de 4,65 bilhões de litros.


FOTO DA GLEBA A ESQUEDA, CANTO INFERIOR. ÁREA RESIDUAL DA PRAÇA CÍVICA, ONDE SE PROPOS DIVERSOS EQUIPAMENTOS PARA OCUPAÇÃO DO ESPAÇO, 2013.

O Plano Urbanístico do Parque da Represa por sua vez procura tangenciar e convergir o grande represamento com o contexto urbano em que se insere. O represamento se deu ao norte do eixo dos trilhos. A conturbação dos lagos da Represa com a cicatriz do trilho e Estação criou uma situação inusitada na cidade. O projeto da Represa se tornou um caso de sucesso no ponto de vista social. Contemplado no Zoneamento Municipal como Zona Especial, definida como eixo verde de preservação de vida aquática e silvestre, permitindo apenas a construção de equipamentos públicos. O Plano Urbano do Parque da Represa é um projeto de sucesso, um eixo urbano como espaço de contemplação na região central da cidade, onde se toma fluxo para todas as orientações do município. Desde os grandes condomínios fechados com campos de golfe da zona Sul, chegando até o fervilho da zona industrial norte. É um espaço dignamente democrático, uma infraestrutura utilizado por todas as classes sociais. Os esparsos equipamentos público que pontuam e orientam o eixo do parque tem caráter público. A altura do desemboque do rio está implantado o Viveiro Municipal e a Ciclovia, interrompidos

pela

rodovia

Transbrasiliana

(BR-

153), que secciona aereamente o Parque. Num

segundo

fragmento

está

construí-

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 do uma extensa unidade do SESI, um complexo de atividades esportivas coroado com um ginásio poliesportivo e o Teatro SESI. No terceiro fragmento do Parque está locado o complexo cultural Swift, empreendimento público que converte uma antiga instalação industrial em escola de artes cênicas e visuais, dotada de espaço de exposição, teatro e auditório. Ainda neste terceiro fragmento o Parque se encerra com o Centro Cívico Municipal, apenas conhecido como Praça Cívica. Ali estão presentes o Acervo Municipal e alguns monumentos as bandeiras.O plano 18

urbano contemplava a Praça Cívica uma extensão muito maior e a presença de mais equipamentos de ordem dos Três Poderes. Porém com a ebulição imobiliária das áreas limítrofes ao parque e a, já citada, presença dos trilhos em seu limite, as avenidas do centro da cidade forçaram uma transposição aérea por viaduto (sob os trilhos) que apenas encontrariam altura para tocar o chão ao tangenciar a área destinada a Praça Cívica. Com o Centro Cívico fragmentado, apenas a primeira porção da área teve o projeto executado,

a

segunda

porção

perdeu

sentido.

ANTIGO TERMINAL DE ÔNIBUS AS MÁRGENS DA REPRESA. IHGGSJRP, 1976.


O que fora concebido como extensão do marco cívico da cidade encontra-se esquecido, carregando o peso da ausência destes corpos. Tratam-se de exaCOMPLEXO INDUSTRIAL SWIFT, HOJE REVITALIZADO E TRANSFORMADO EM CENTRO CULTURAL. IHGGSJRP, 1984.

tos 34.744,60 metros quadrados, um enorme espaço que flutua silenciosamente no centro da cidade.

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REGISTRO DA MAQUETE DA PROPOSTA PARA A PRAÇA CÍVICA, COM O ENTÃO PAÇO MUNICIPAL (EDIFICAÇÃO À ESQUERDA), INTERROMPIDO POR OBRA VIÁRIA. SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, 1975.




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IMPLANTAÇÃO DO EIXO VERDE DO PARQUE DA REPRESA. A GLEBA ESTÁ LOCADA AO CENTRO DA IMAGEM. ESCALA 1:5000. GOOGLE.


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FOTO AÉREA COM O PARQUE URBANO DA REPRESA MUNICIPAL DESTACADO. ACIRP, 2013.


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PARQUE URBANO DA REPRESA MUNICIPAL DESTACADO + COMPLEXO CULTURAL SWIFT. ACIRP, 2013.




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EIXO VERDE DO PARQUE DA REPRESA EM SEU CONTEXTO URBANO. ACIRP, 2013.


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O ZONEAMENTO DO PARQUE PERMITE APENAS A EDIFICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE CUNHO PÚBLICO. ACIRP, 2013.




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SÃO JOSÉ DO RIO PRETO COM O PARQUE DA REPRESA DESTACADO AO FUNDO. ACIRP, 2013.


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PARQUE DA REPRESA + SESI + COMPLEXO ESPOTIVO ANTテ年IO NATALONE. ACIRP, 2013.




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COLETÂNEA DE FOTOS DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO. EVANDRO ROCHA, 2013.


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COMPLEXO CULTURAL SWIFT, HOJE REVITALIZADO, 2013.


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SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, VISTA DO PARQUE URBANO DA REPRESA MUNICIPAL, 2013.


 EMÓRIA E VOCAÇÃO M

A

cidade, contexto urbano, é a metasíntese de um planejamento ou de uma

ocupação, dada como tenha sido seu ocorrido. Diante de toda a complexidade da urbe, saltam aos olhos em analises pontuais as vocações peculiares de cada região, de cada lote. Essas possibilidades são produto muitas vezes de um zoneamento, muitas vezes em função do entorno. Seja

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como for, é a própria identidade de uma área. A vocação é um fato. Diante de um lote vago, hoje resquício, com uma extensão larga e enclausurado por três barreiras físicas (um complexo viário que o interrompe, a linha férrea e o lago da represa), sujeito a um zoneamento especial, tirar partido da complexidade em que se insere é buscar a essência da identidade do local. O

vazio,

pode

ser

que

refém

é

tão

genérico,

da

falta

de

não

identidade

“A cidade genérica é a cidade liberada do cativeiro central, da camisa de força da identidade [...] ela é nada senão uma reflexão da presente necessidade e da presente habilidade. É a cidade sem história. É grande o

PROCESSO DE RECUPERAÇÃO DA MEMÓRIA. REM KOOLHAAS. S, M, L, XL., 1995.

KOOLHAAS, 2005: 327


KOOLHAAS, 2005: 327

suficiente para todos. É fácil. Não precisa de manutenção. Se fica muito pequena, simplesmente se expande. Se fica muito velha, simplesmente se auto destrói e se renova. É igualmente excitante e não excitante em qualquer parte. “É superficial” - como um estúdio de Hollywood, podendo produzir uma nova identidade a cada manhã. [...] A Cidade Genérica está no caminho da horizontalidade para a verticalidade. O arranha-céu parece ser a tipologia final, definitiva. Engoliu todo o resto. Pode existir em qualquer lugar, em um campo de arroz ou no centro da cidade – já não faz nenhuma diferença. As torres, agora, não estão mais juntas, estão tão espaçadas que não interagem. Densidade no isolamento é o ideal.”

Koolhaas conceituou também o resgate da memória e da identidade. A identidade é a essência que centraliza a vocação do local. A sensação dominante um ambiente genérico é uma silenciosa calma. Quanto mais calma está, mais se aproxima do estado puro. A serenidade do genérico é permitida pela evacuação do domínio público, como um treinamento de emergência contra incêndios. A arquitetura não é uma ciência exata. Seus resultados não baseiam-se exclusivamente em produtos de equações. Em arquitetura se exige repertório e PROCESSO DE FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE. REM KOOLHAAS. S, M, L, XL., 1995.

vivência, mais que isso, sensibilidade e um refino do olhar para compreender o que parece misterioso.

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II . ENSAIO SOBRE O VAZIO

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E N S A I O

S O B R E O VA Z I O

Define

-se

arquitetura

como a propensa

construção de volumes que conformam espaços positivos ou negativos. Todavia, a ocupação do vazio avança além da mera ausência ou presença de matéria. Ocupar espaço vago requer estratégia. O vazio urbano é tema cada vez mais recorrente das apaixonadas discussões no debate da cidade pós

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-industrial e pós-moderna. O ‘terrain-vague’, expressão de transversalidade linguística, define o vazio urbano em um conceito de ressonância imagética: O vago é um ambiente expectante, ora mais ora menos esquecido, mais ou menos linearizado no coração da cidade tradicional, ou indefinidos na difusa periferia. São manchas de “não-cidade”, ausentes, em desuso ou ignorados, alheios. Resquícios ou sobreviventes do sistema estruturante do território. Solà-Moralles, conceituou o terrain-vague em seu ensaio homônimo, publicado em 1995, a partir da discussão sobre a ideia de fotografia, que é mencionada pelo autor como vital para a nossa com-

ENCLAVE URBANO DITADO POR UMA UNIDADE INDUSTRIAL DESATIVADA, INS SITU, Nº 3 E 4, 2002.


preensão, em particular através da fotomontagem e sua justaposição inventiva de formas, auxiliando nossa capacidade de explicar a esfera urbana. “Os espaços vazios, abandonados, nos que já sucederam uma série de acontecimentos parecem subjugar o olho dos fotógrafos urbanos. São os lugares urbanos, que queremos denominar com a expressão francesa terrain vague, os que parecem se converter em fascinantes pontos de atenção, nos indícios mais solventes para poder se referir à cidade, para indicar com as imagens o que as cidades são, a experiência que temos dela.” SOLÀ-MORALLES, 2002

O expectante relacionado com a ausência de uso e todo o sentido de liberdade é essencial para a compreensão de toda a potência evocativa que tem os terrain-vague nas cidades, na percepção da própria. Como também conceituado pelo autor: Vazio, portanto, como ausência, mas também como promessa, como encontro, como espaço do possível, expectativa. Todo esse fascínio pelo vago e seu potencial criativo ilimitado que vejo Sola Morales descrever me foi motivador. O espaço essencial é a questão principal. Mas trabalhar A DESSINCRONIA ENTRE A CONGESTÃO URBANA E O VAZIO AINDA RURAL. DESCONHECIDO, IN SITU, Nº 3 E 4, 2002.

o vago está ligado a essência não só do espaço, mas também da própria arquitetura. A essência de ocupação, o artifício de moldar o espaço.

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 A atuação da arquitetura no vazio deve ser cuidadosamente prospectada, para não o converter num agressivo ambiente abstrato ou em instrumento da razão dos poderes. A continuidade é sem dúvidas um fato a ser considerado atentamente. Não a continuidade da cidade eficaz, genérica, legitimada e planejada, mas, ao contrário, através da análise atenta dos fluxos intrínsecos, dos ritmos que o tempo e a perda dos limites têm estabelecido. Somente a arquitetura dualista, da diferença da descontinuidade, instalada na continuidade do 38

tempo pode fazer frente à agressão angustiosa

PAULO CATRICA, IN SITU, Nº 3 E 4, 2002.

do igualitário e homogeneizador, do que está flutuando silenciosamente e adormecido em meio a movimentação. Solà-Morales adota com estudo de caso a Alexanderplatz, Berlim em três diferentes momentos. Três imagens nos mostram três momentos de um mesmo lugar. A primeira imagem [1], a última no tempo, é a construída nos anos do pós-stalinismo através do poder onímodo do Estado. A forma do lugar não é mais que a repetição de um ordenamento universal, radicalmente genérico, pelo que a geometria dos edifícios, o pavimento do espaço público, a praça, se consolidam como um princípio construído. Aqui, teoricamente, os direitos do cidadão moderno, do trabalho infatigável, VISTA EXPLODIDA DO PARC DE LA VILLETTE. BERNARD TSCHUMI, 1983.


encontram o cenário de sua felicidade perdurável. Trata-se do espaço do terror, da primazia do político abstrato convertido em domínio absoluto. A segunda imagem [2] é a da Alexanderplatz em 1945, depois do bombardeio contínuo da aviação aliada. O urbano convertido em ruína, a cidade desfigurada, o espaço deslocado, o vazio, a imprecisão e a diferencia. Através da violência bélica, um espaço urbano se converte em terrain vague, a contradição da guerra faz aflorar à superfície o estranho, o inqualificável, o inabitável. A terceira imagem [3], que é a primeira no tempo, mas a última nessa se1. ALEXANDERPLATZ, BERLIM. GOOGLE, 2002.

quência deliberadamente estabelecida de forma anticronológica, é a do projeto de Mies van der Rohe para a Alexanderplatz no concurso de 1928.

2. “Alexanderplatz tras el bombardeo de Berlín”. Autor desconhecido,1945. 3. Projeto para a Alexanderplatz, (Mies van der Rohe, 1926)

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ILUSTRAÇÕES DA COLETÂNEA “METRÓPOLIS” DE PAUL CITRÖES, 1923.




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ILUSTRAÇÕES DA COLETÂNEA “METRÓPOLIS” DE PAUL CITRÖES, 1923.


C I D A D E L A D E N T R O D A C I D A D E

O

Parc de la Villette, implantado no décimo nono arrondissement de Paris

é resultado de uma estreita relação de Bernard Tschumi e Jacques Derrida, filósofo francês, teórico da Desconstrução que teve forte influência no desenho do parque. A noção de paisagem, tanto para Tschumi como para Derrida se opõe a de Olmstead, difundida durante o século XIX, que “no

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parque, a cidade não deveria existir.” Em vez disso, propõe-se um ambiente social e cultural, com usos diversos destinados a população. Se verticalizado, La Villette seria uma das maiores construções já projetadas, tamanha sua diversidade de espaços. A ocupação da área do antigo abatedouro, propões eixos e malhas pontuados pelas folies, estes pontos de referência foram projetados para criarem um vácuo desconstrutivista que possa abolir toda e qualquer relação do passado do terreno com sua forma atual para que os seus usuários vivenciem, sem precedentes, uma experiência com o parque. As follies são atrativos que levam as pessoas a fazerem uso de toda a área e, a partir desse arti-

VISTA EXPLODIDA DO PARC DE LA VILLETTE. BERNARD TSCHUMI, 1983.


fício, possam entender o parque como um local de descobertas pessoais, atividade e interação dentro dos princípios da organização de Tschumi. O fundamental a destacar é a oportunidade que Tschumi teve de reorganizar um trecho da cidade, propor um novo eixo modelador do entorno. Reestruturar o contexto, viabilizar novos usos, potencializar pré-existências, atividades e por fim recriar uma dinâmica, ou melhor, propor uma nova microdinâmica local no parque.

45 PROPOSTA PARA O PARC DE LA VILLETTE EM PARIS. BERNAR TSCHUMI, 1983.

INFOGRÁFICO DO PARC DE LA VILLETTE. BERNARD TSCHUMI, 1983.

ESTUDOS PARA AS FOLLIES,. BERNARD TSCHUMI, 1983.


O

PRÉDIO PÚBLICO

O

prédio do Ministério da Educação e Saúde do Rio de Janeiro, de 1943, pro-

jeto de Lúcio Costa, Jorge Moreira Machado, Ernani Vasconcellos, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão e Oscar Niemeyer, inspirados nos traços do croqui de Le Corbusier, representa o marco divisor de edifício público no Brasil. A primeira obra modernista, no mundo, em escala monumental, solto no meio do

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quarteirão por pilotis altos abria novos caminhos, os jardins contemplados por Burle Marx, suas fachadas, uma de vidro e outra de brises contrastava com as construções do entrono todas alinhadas ao passeio. Dentro dessa perspectiva, Getúlio Vargas em 1945 estabelece como plano de governo, priorizar a transformação da estrutura arquitetônica administrativa. Com a exploração do simbolismo em alta, em 1945 inaugurava-se parte dos prédios simbólicos e monumentais de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, os quais criaram a imagem de uma cidade moderna reconhecida mundialmente, Brasília,assim como o futebol, o carnaval e a bossa nova.

PALÁCIO GUSTAVO CAPANEMA, RIO DE JANEIRO, 2012


Esses novos espaços reformulam o cenário visto até então, o rompimento de certos paradigmas arquitetônicos do próprio modernismo. Esta produção revela-nos novos espaços democráticos, integrando o homem, espaço e sociedade. BRUAND, 2005: 327

“As principais características da arquitetura brasileira no século XX, todas elas decorrentes das condições históricas vigentes no país na época, são então as seguintes: predominância da arquitetura urbana, ausência quase total de preocupações sociais, importância fundamental dos edifícios públicos, prioridade as realizações de prestígio, preocupação com o aparato formal, voltada para o

CROQUI DEO PALÁCIO GUSTAVO CAPANEMA, MEC-RIO. LUCIO COSTA 19XX

futuro, mas sem desprezar os valores do passado, conflitos e tentativas de conciliação entre, de um lado, o apelo revolucionário e o apego à tradição, e, de outro, a sedução por tudo que é estrangeiro e o orgulho nacional”

Yves Bruand mostra que a arquitetura contemporânea do Brasil coincide com as demais alterações do país e relata a fundamental importância dos edifícios públicos e o dom dos aspectos formais, a forma norteou o crescimento das cidades. O concurso público no Brasil apesar de ainda representar um nível inferior comparado ao europeu, também contribuiu para o cenário arquitetônico atual. Segundo Bruand, algumas equipes de jovens arquitetos bra-

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 sileiros se especializaram em vencer os principais concursos, segundo o estilo “ortogonal simplista”. A evolução externa, o funcionalismo, segurança, tecnologia e outros muitos fatores ocasionaram a oposição extrema entre público e privado, resultou em desintegração das relações humanas. Este ensaio procura uma reversão deste processo ao expandir a barreira do público até que se difunda no cotidiano citadino. O experimento aqui proposto não se trata de mais um outro objeto autônomo na cidade, porém um complexo integrado na 48

malha infra estrutural urbana, aberto, diluindo barreiras físicas. O projeto não se coloca como solução funcional para o imediatismo das necessidades, mas sim como um ambiente compatível a inconstante vida na urbe. Encoraja-se a experimentação de novos eventos devido a presença de diversos conteúdos programáticos integrados.

JK E REIDY, MAQUETE DO MAM-RIO, 1948.

CROQUI DO PARQUE DO IBIRAPUERA, SÃO PAULO. OSCAR NIEMEYER, 1954.


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OSCAR NIEMEYER E O MODELO DO PALテ,IO DO PLANALTO, 1958.




O IMPREVISTO “Refere-se a um imprevisto que nasce dos próprios

BOGEA, 2009: 187

conflitos resultantes dos convívios de diferenças, ao inesperado que muitas vezes surge daquilo que, por se desconhecer, não se pode sequer imaginar. Essa circunstância é possível apenas se permitida a proximidade e pela acessibilidade aos lugares, condição necessária aos espaços públicos que num acesso permeável recebem o local e o forasteiro.”

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Bernard

Tschumi distinguiu o “pro-

grama” do “evento” de forma a encarar o programático como conjunto de ocorrências esperadas a ser atendido com uma lista de utilidades necessárias e o eventual como fruto de imprevistos e resultados inesperados. O grande valor do evento é sua capacidade reveladora de potencialidades e usos ocultos. A cidade mutante e rica de experiências. Dessa forma o projeto pretende dar continuidade ao vazio. A integralidade de um conteúdo programático enfraquece a ideia de intercâmbio e conflito criado pela presença de um leque maior de usos e atividades.

A VERSATILIDADE DE USO DO VÃO DO MASP, QUE ABRIGA DIVERSOS EVENTOS EXTRAPROGRAMÁTICOS. UOL, 2011.


A implantação pretende dar ao nível do pedestre uma oferta maior de possibilidades. sileiros se especializaram em vencer os principais concursos, segundo o estilo “ortogonal simplista”. Este experimento procura atender o zoneamento, ao mesmo tempo que tenta recuperar a memória do território. É a oportunidade de fazer uma releitura do prédio público brasileiro contemporâneo. A adoção do paço municipal como objeto de projeto é estratégica afim de reintegrar o contexto das duas porções divididas da área, o vazio e o centro cívico em seu limite imediato. Dessa maneira torna-se possível uma nova reflexão do significado de um edifício deste caráter, reconsiderar seu uso e sua ocupação, rever sua relação com seu público. Deve O ESPAÇO PÚBLICO COMUM DO MUSEO DE LA MEMÓRIA (SANTIAGO, CHILE) É UTILIZADO FREQUENTEMENTE COMO PALCO DE DIVERSOS EVENTOS. FLICKR, 2012.

um paço ser isolado e protegido do próprio povo? O dentro e o fora, é uma relação simbiótica? Ao entregar este ambiente ao público os espaços se tornam suporte para a experimentação dos conflitos, os caminhos se tornam mais interessantes que o destino. Deste modo o projeto se consolida como uma ferramenta articuladora da infraestrutura atuando sobre o tecido urbano, preocupando-se mais em projetar condições do que condicionar o projeto.

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PA Ç O A PA Ç O

Projetado

na prim e i -

raira metade dos anos 1960, pelos membros do Departamento de Arquitetura do município, entre eles, Jorge Bomfim, Mauro Zuccon, Roberto Tross e Toru Kanazawa, o edifício do Paço Municipal de São Bernardo do Campo foi implantado na Praça Samuel Sabatini, região central da cidade. No

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grande volume horizontal, correspondente ao embasamento do edifício, localizam-se as áreas de atendimento ao público, biblioteca, teatro e a câmara dos vereadores. A grande laje de cobertura deste pavimento pode ser acessada do pavimento térreo por rampa, assumindo a função de praça elevada. É daí também que emergem a torre administrativa. O projeto do arquiteto Rino Levi para o Paço Municipal de Santo André (1965) foi uma investigação das possibilidade de integração do tecido urbano. No terreno de cerca de 110.000 m² são organizados três patamares vencendo o desnível de 10 m, acomodando o conjunto de edifícios de maneira a proporcionar acessos in-


dependentes a cada um em cotas variadas e ao mesmo tempo garantir o compartilhamento de uma praça central de caráter cívico. Cada edifício é então resolvido funcionalmente conforme suas necessidades programáticas, mas dentro de uma linguagem conjunta, assumindo sutis variações no porte, posicionamento e resolução plástica individual, “caracterizando os edifícios de acordo com o destino de cada um”, como afirma o memorial da obra quando publicado o resultado do concurso. Em 2012, Mário Figueroa propôs para o concurso do Paço Municipal de Várzea Paulista um projeto com uma forte relação do público e do privado em avanço a mera concepção de um conjunto de edifícios emblemático. Tratou-se o complexo como um parque de convergência. É um prédio destinado a atrair pessoas e propiciar espaços de encontro. Seguindo a linha cronológica, é notável a mudança de referência por parte do partido de projeto. Antes o simbolismo e a imponência deveriam ser o carro-chefe do projeto, hoje a interação do público vem à tona. É a relação do horizontal e do vertical. A verticalidade, segregante, perde espaço para a horizontalidade contextualizada a malha urbana. PROPOSTA PARA PAÇO MUNICIPAL DE VÁRZEA PAULISTA. MÁRIO FIGUEROA, 2012.

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III . PROJETO & CONCEITO

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IMPLANTAÇÃO, ESC.: 1:2500.


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PAVIMENTOS

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TÉRREO


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1ยบ PAVIMENTO


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2ยบ PAVIMENTO


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3ยบ PAVIMENTO


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SUBSOLO


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CORTES

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ELEVAÇÕES

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C O N C E I T O

E PROJETO

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partido deste projeto é objetivado pela ideia de proporcionar a cidade de São

José do Rio Preto, sobretudo no território de implantação do Paço Municipal, um ambiente com generosidade espacial revertido a urbe, que apesar

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de ter o acesso controlado poderá ser usufruído com facilidade, quase como se não tivesse portas. O experimento aqui concebido não visa o lote vago ocupado de forma mecânica afim de atender as necessidades imediatas, mas sim como arquitetura agregadora, que potencializa a coletividade urbana.


PROJETO & CONCEITO

O

partido deste projeto é objetivado pela ideia de proporcionar a cidade de São José do Rio

Preto, sobretudo no território de implantação do Paço Municipal, um ambiente com generosidade espacial revertido a urbe, que apesar de ter o acesso controlado poderá ser usufruído com facilidade, quase como se não tivesse portas. O experimento aqui concebido não visa o lote vago ocupado de forma mecânica afim de atender as necessidades imediatas, mas sim como arquitetura agregadora, que potencializa a coletividade urbana. 93


A R Q U I P É L A G O D E V O L U M E S A extensão do conteúdo programático do paço gera a oportunidade de uma ocupação mais difusa. Se verticalizado, o prédio alcançaria facilmente altos gabaritos, porém afim de prezar pela regeneração do ambiente e fortalecer a malha urbana em que se insere o projeto se deu de forma horizontal, em contraste a presença imponente dos paços do passado. O que se apresenta portanto não é um equipamento isolado e autogerido, mas um complexo edificado capaz de urdir urbanidade. Dado o percurso como experiência chave para a vivência da ambientação proposta, os volumes estão organizados de forma a permitir uma fácil compreensão do conjunto. O usuário tem liberdade para descobrir fluxos à maneira que se dá o pedestre na cidade em si, ao percorrer praças e ruas. Assim a extensão do programa se dilui em uma trama viva de acontecimentos. 94


CONVÍVIO COM O ENTORNO A indefinição da existência fundiária e dos diferentes usos estabelecidos no entorno, geram a oportunidade do paço municipal ser uma ferramenta de organização e hierarquização da trama urbana afim de estabelecer uma relação mais franca com o Parque da Represa. A continuidade conceituada por Solà-Morales diante da ocupação do terrain-vague aqui se apresenta de forma a valorar o percurso pré -existente dos usuários do parque, caracterizar o ritmo pela implantação pontuada dos blocos e reafirmar a integralidade do centro cívico. A opção de retirar a alça de acesso do viaduto e estender a praça até o Centro Cívico gera um novo fluxo do pedestre e dilui a tensão da área segregada.

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EIXO ARTICULADOR O programa de necessidades por inteiro está re-

passarelas paralelas multiplicadas em diversos ní-

lacionado ao eixo articulador, um extenso edifício

veis interligando todos os blocos projetados. Per-

que de maneira informal concentrará funcionários,

mite o acesso ao ambiente executivo, dá acesso a

usuários e o público em geral de forma a permitir

circulação vertical de todos os níveis, e se esten-

o fácil acesso a todos os ambientes projetados.

de a todo o conjunto de forma a torna-lo um só.

Devido sua amplidão o eixo é pontuado com os

O eixo será todo envolvido por uma pele de grelha

serviços de atendimento ao público que prima por

metálica, ora vedada ora aberta, modularmente

distinguir esse uso de seu convencional ambiente

disposta, afim de contrastar com a severa estru-

burocrático, com filas, salas de esperas sem janela

tura de concreto armado. Essas lâminas de fecha-

e portas giratórias. É o grande elemento estrutu-

mento permitem a permeabilidade de luz natural,

rador do conjunto, onde acontece principalmente

ao mesmo tempo que protege o ambiente da cas-

a circulação vertical e horizontal. Uma rede distri-

tigadora radiação solar do sertão paulista. A estru-

buidora que organiza o complexo e define a ocu-

tura tem vedado apenas duas fachadas, as outras

pação do terreno. É assim configurado por duas

duas estão abertas e estrategicamente orientadas


à noroeste para a capitação do vendo dominante da região, afim de amenizar o uso da refrigeração mecânica e proporcionar uma climatização natural. É o elemento que confere caráter ao projeto e demonstra a forma de ocupação do território, porem evanesce por sua existência serena.tura tem vedado apenas duas fachadas, as outras duas estão abertas e estrategicamente orientadas à noroeste para a capitação do vendo dominante da região, afim de amenizar o uso da refrigeração mecânica e proporcionar uma climatização natural. É o elemento que confere caráter ao projeto e demonstra a forma de ocupação do território, porem evanesce por sua existência serena.

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ESTRUTURA O uso misto de estruturas também é um partido projetual. As óbvias referências de arquitetura brutalista paulista conduziu o projeto por uma opção ao concreto armado, porém em contraste todo o fechamento, que é um forte elemento caracterizador do projeto, segue uma linguagem mais contemporânea e uso de estruturas mais leves e suaves ao olhar. A modulação foi um artifício considerado. O uso de lajes alveolares, distribuição das placas do fechamento e organização dos pilares são condicionados a esta proposta modular.

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ACESSOS O acesso ao conjunto é dado por diversos ponto de circulação, tendo o eixo vertical principal locado no volume articulador, através de escadas rolantes, elevadores e escadas fixas. Este eixo segue do subsolo, onde está implantada a praça de estacionamento e alcança até o terceiro e último pavimento do complexo. À sombra dos módulos do Executivo existem mais dois eixos verticais que dão acesso ao conjunto. O ingresso via veículos é localizado no limite do lote por meio de uma extensão da rua. Afim de facilitar o controle, toda a operação de carga e descarga para abastecimento dom complexo será realizado por meio deste acesso.


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MÓDULO EXECUTIVO O programa do paço foi destrinchado em três caráteres diferentes, relacionando atividades em comum. O conteúdo dedicado a administração pública controlada, as secretarias municipais e o setor de atendimento e serviços ao público. Desta forma o módulo executivo foi parcelado em dois edifícios e diversos ambientes ao longo do Eixo Articulador. O módulo administrativo e o das secretárias são dois edifício de tipologias gêmeas dispostos nas extremidades do conjunto de forma a criar um balanço volumétrico. São duas estruturas de salas e circulação arrematadas com varandas extensas de forma a diluir a formalidade. Os serviços de atendimento ao público acontecem onde realmente o público está, no Eixo Articulador. Essa locação é estratégia no momento em que organiza o fluxo e hierarquiza as atividades, ao mesmo tempo que permite uma diversidade de percursos e convívios com outros usos.

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AC E RV O M U N I C I PA L No espaço posterior ao Eixo Articulador, disposto sobre a praça de estacionamento, será implantado o Acervo Municipal. Trata-se de uma ferramenta educacional que será ambiente de exposições e pesquisas. Uma biblioteca completa com amplos espaços de leitura entre estantes centrais. Trata-se de um bloco extrovertido, com permeabilidade de luz natural controlada. É um volume que continuamente convida o público do parque ao paço.

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CÂMARA DE VEREADORES A apresentação do ambiente é com um térreo generoso e acolhedor. Organizado em três pavimentos elevados, todos em contato com o Plenário em pé-direito triplo. Os gabinetes dos vereadores tem vista privilegiada para o Lago Três da Represa Municipal O volume da Câmara também é implantado sobre o estacionamento,

balanceando

o

conjunto

proposto.




T E AT R O Peça chave da fachada Sudoeste, o teatro foi implantado entre os dois edifícios do Módulo Executivo, em um ponto de grande visibilidade. Pelas suas dimensões, é utilizado como contraponto à verticalidade dos Módulos e a amplidão do Eixo Articulador, desta maneira equilibrando o propósito do conjunto. Está totalizado com 650 assentos e um foyer com 20% da sua área, além disso a própria praça proposta serve de elemento de suporte ao espetáculo. Esta atividade é de extrema nobreza, uma vez que a cidade é sede do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, o FIT, aclamado com rigor pela crítica

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especializada

e

componente

do

circuito

sul-americano

de

teatro.


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BIBLIOGRAFIA BOGÉA, Marta. Cidade errante: Arquitetura em movimento. São Paulo: Senac, 2009. BRUAND, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2005. BUCCI, Angelo. São Paulo, razões de arquitetura: da dissolução dos edifícios e de como atravessar paredes. São Paulo: Romano Guerra, 2010. CHOAY, Françoise. O Urbanismo: Utopias e Realidades. São Paulo: Perspectiva, 2005. GHEL, Jan. Cidade Para Pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2013. JORNAL ARQUITECTOS v. JA225, 2006. FRANCO, Fernando de Mello; BOGÉA, Marta. Desvios. (Periódico) KOOLHAAS, Rem. Content. Koln: Taschen GmbH, 2004. KOOLHAAS, Rem.; MAU, Bruce. S, M, L, XL: Office for Metropolitan Architecture. New York: The Monacelli Press, 1998. LE CORBUSIER. Por uma arquitetura. São Paulo: Perspectiva, 1973. ROGERS, Richard.; GUMUCHDJIAN, Philip. Cidades para um pequeno planeta. Rio de Janeiro e São Paulo: Record, 2008. RUDOFSKY, Bernard. Architecture Without Architects: A Short Introduction to Non-Pedigreed Architecture. New Mexico: University of New Mexico Press, 1987. SENNETT, Richard. Carne e Pedra. Rio de Janeiro e São Paulo: Record, 2008. SOLÀ-MORALLES, Ignasi. Territórios. São Paulo: Gustavo Gili, 2002. TSCHUMI, Bernard. Event-Cities 2. Cambridge and London: The MIT Press, 2000. WOODS, Lebbeus. OneFiveFour. New York: Princeton Architectural Press, 1989.

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Arquitetura e Ocupação - Um Ensaio Sobre o Vazio  

O objeto aqui proposto não vislumbra o lote vago como local de mera implantação, e sim, tem como intenção ser um mecanismo 10 de reorganizaç...