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MATÉRIA-PRIMA 6

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a defesa do património … impõe, sim, consciência cívica, histórica, estética, funcional e afectiva, valores quase sempre arredados neste tipo de processos de aviltação das memórias (Serrão, 2014: 31).

25 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 3 (2): 20-26.

O Convento de S. Francisco da Cidade também cabe no conceito de uma construção de importância religiosa, ligada à história de Lisboa, à história da Ordem de S. Francisco em Portugal, mas também à história do património (por aqui terem sido depositados os bens dos Conventos Extintos), da cultura portuguesa (por aqui ter estado sediada a Biblioteca Nacional, até 1969) e à História do Ensino Artístico, por aqui ter estado desde a sua criação a Academia de Belas-Artes, depois a Escola de Belas-Artes e finalmente a Faculdade de Belas-Artes. É certo que a igreja desapareceu com o Terramoto, é certo que o espaço envolvente foi regularizado depois do Terramoto, mas o essencial do edifício mantém-se apesar da adaptação às necessidades escolares: os longos corredores conventuais, as abóbadas em tijolo, a compartimentação das salas em que ainda se percebe uma estrutura de celas. Por outro lado, a construção do convento no chamado Monte Fragoso, proporcionou-lhe uma situação panorâmica relativamente à cidade, que é sobretudo visível do terraço, mas que se adivinha através das janelas dos pisos superiores. Além disso há vestígios de um claustro, uma capela funerária intacta, a cisterna e, evidentemente, um património azulejar notável. Por outro lado, existe toda uma coleção de gessos, herdeiros da Academia, mas que ainda são hoje utilizados pelos professores de desenho, para além de obras originais de professores da Academia: estes são testemunhos da história do ensino que aqui se tem praticado. Existe ainda um acervo de Pintura, de Desenho e de Gravura, conservado na medida do que tem sido possível e agora servindo de material de trabalho para os alunos de Ciências da Arte e do Património. Neste contexto, faz algum sentido que alunos de artes encham as paredes de casas de banho, os recantos, as escadas menos frequentadas de tags e por vezes de desenhos que para além do desrespeito que revelam sobre o património, também não atestam as suas qualidades artísticas. Faz sentido que haja intervenções desadequadas nos gessos, por vezes mesmo agressões, quando são peças de valor histórico no contexto das academias europeias? Recorrendo mais uma vez a Vítor Serrão,


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