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MATÉRIA-PRIMA 6

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24 Calado, Margarida (2015) “Educação artística e respeito pelo património histórico.”

o património seja ele natural, material ou imaterial. No entanto, o sistema de ensino tem vindo a descurar a educação artística, como o conhecimento da história, diminuindo não só os horários das disciplinas de História e de Educação Visual, mas valorizando excessivamente as de Português e Matemática. O estudo da História da Arte é cada vez menor e embora fosse desejável estendê-lo a todos os jovens, a verdade é que mesmo os que se destinam a cursos artísticos, podem completar o ensino secundário sem nunca terem estudado História da Arte. Perdeu-se assim um valor de cidadania que é o respeito pelo património, pela sua conservação e pela necessidade de o transmitir intacto aos nossos descendentes. Vítor Serrão numa conferência realizada em 2008 para elementos da Associação Portuguesa de Historiadores de Arte afirmava: Daremos ênfase … à necessidade de se organizar bem o programa de estudos (sobre artistas e obras de arte, exposições, ‘catalogues raisonnés’ de obras, correntes estéticas, etc.) segundo nova metodologia globalizadora e desprovida de preconceitos no modo de abordar aquilo que denominámos os afectos artísticos e que consagram tanta importância, por isso, ao nível da chamada ‘fortuna estética’ (Texto policopiado distribuído aos participantes).

Mais recentemente, integrando o livrinho de Gastão de Brito e Silva, Portugal em ruínas, afirma o mesmo autor: Afinal, os acervos da arquitectura nacional que importa saber preservar não se resumem aos grandes monumentos e aos centros históricos classificados — como se guardaria, desse modo, testemunho da evolução artística de um dado território? — mas abrangem também, necessariamente, imensas construções, por certo menos relevantes de significado e de importância, seja política, militar ou religiosa, mas valiosas pela sua qualidade intrínseca, pela sua integração nos tecidos de paisagem urbana ou rural, e pelo acervo de memórias históricas que inevitavelmente abrigam (Serrão, 2014: 15).

Estarão neste caso edifícios que de momento albergam os Hospitais de Lisboa, como S. José, Santa Marta e Capuchos, os quais ocupam antigos conventos e, no caso do último, também uma casa nobre, cujos azulejos com cenas galantes enquadram uma enfermaria de mulheres (sobre este assunto ver Veloso & Almasqué, 1996). A construção de um novo grande hospital que retoma a designação do antigo hospital de Lisboa — Todos os Santos — coloca em risco, a médio prazo, todo um património construído, tal como a sua decoração azulejar, não esquecendo alguns edifícios industriais de apoio, por exemplo, a S. José.


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