22 Calado, Margarida (2015) “Educação artística e respeito pelo património histórico.”
Uma nota anterior, de 30 de Junho de 1940, dirigida ao comando militar de Paris indicava que “o Führer, segundo o relatório do Ministério dos Negócios Estrangeiros, ordenou que se pusessem a salvo — além das obras de arte pertencentes ao Estado francês — as obras de arte e os documentos históricos de proprietários individuais, sobretudo judeus” (Feliciano, 2005: 69). Não cabe aqui narrar como as obras de arte foram metidas em comboios e conduzidas para território do Reich e como foram conservadas em minas de sal, como aconteceu com o célebre retábulo do Cordeiro Místico de Van Eyck. Algumas obras de arte moderna, que os nazis não apreciavam, foram destruídas ou conservadas para troca com obras mais antigas sobretudo germânicas, que os alemães apreciavam, atribuindo esse conceito de germânico a pintores como Rembrandt. Muitas dessas obras modernas, julgadas perdidas, aparecem em leilões de arte, deixando perceber um mercado clandestino em tempos de guerra. O tema vem atualmente a ser divulgado junto do grande público, através de livros mas também de filmes. Mais recentemente temos assistido ao derrube da estátua de Saddam Hussein, no Iraque, ato simbólico e que não afetou uma grande obra de arte, inversamente à destruição e roubo do espólio do Museu de Bagdad. A guerra na Síria e as ações do autoproclamado Estado Islâmico têm contribuído para a destruição de património histórico do Próximo e Médio Oriente, além de tornarem essas regiões inacessíveis a um turismo cultural que as procurava. É o caso de Damasco, de Palmira, de Baalbek, mas também da Tunísia, onde o ataque ao Museu Bardo, uma referência para a história do mosaico romano, instalou na zona um clima de terror. A iconoclastia só prova o poder das imagens e esse fato marcou inclusivamente a pacífica Revolução dos Cravos, com atitudes como a invasão da Embaixada de Espanha, hoje considerada talvez incompreensível mesmo pelos que nela participaram. Na própria Escola Superior de Belas Artes, que mantinha expostos na parede quadros naturalistas do século XIX, assim como obras de professores no ativo, houve, no chamado PREC, ações violentas, como a marcação de um quadro de Luís Filipe Abreu com as letras CDS (que na altura seria tido como ofensa), que foram limpas, tendo a obra posteriormente sido oferecida à Reitoria, ou uma obra naturalista que também foi marcada pelo MRPP. Simplesmente tais intervenções têm sucedido em contextos políticos de guerra, ou em ambiente de revolução, que por muito pacífica teve alguns momentos de exaltação, como o célebre ataque à Embaixada de Espanha em Setembro de 1975, por elementos da chamada extrema-esquerda (alguns dos quais, curiosamente,