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MATÉRIA-PRIMA 5

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195 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 3 (1): 190-199.

que ocorreu com as vivências desenvolvidas no Colégio Pedro II, conforme se pretende mostrar. As referidas e significativas experiências no terreno também foram fundamentais o seminário Tramas para reencantar o Mundo promovido pelo Espaço Cultural da mesma instituição no segundo semestre de 2014. Representadas junto à mesa Tramas Urbanas assumiram com propriedade o papel de revelar as partes da cidade desprestigiadas ou ainda desconhecidas, enfatizando questões pertinentes aos novos paradigmas de ensino que buscam obstinadamente a inserção do cotidiano, a valorização dos discursos não-hegemônicos junto à formação de professores e às práticas docentes em artes em todos os segmentos e âmbitos da educação básica. Recuperando alguns dos argumentos aqui já esboçados, da mesma forma como o autor da Educação como prática de liberdade e da Pedagogia do Oprimido se posiciona contra “as elites dominadoras” (Freire, 2014b: 118), podemos encontrar na cartografia deleuzeana espécie de tradução de seu pensamento revolucionário. Se bem observamos, logo pode se perceber que ambas as visões comungam do mesmo princípio de intolerância a qualquer postura vertical ou hierarquizante, de modo que tais posicionamentos, aqui valorizados, somente se sustentam, pois preferem confiar suas convicções à “experimentação ancorada no real” (Deleuze & Guattari, 2000: 21). Ora, tal afinidade, também pode ser sentida nos textos de Jacques Ranciére (2011), de Carlos Rodrigues Brandão e de Nancy Mangabeira Unger (2000). A boa recepção das bagagens culturais, incorporadas à educação no belo simbolismo da “floresta de signos”, acrescidas das lições do “Mestre Ignorante”, bem como alimentada pela ecologia dos saberes, formam interessante mosaico de ideias, cujas características de teor emancipatório não podem ser desperdiçadas. Por este motivo, todos esses posicionamentos se apresentam muito caros à pedagogia-bricoleur, justamente por identificar em cada uma destas contribuições — formando uma verdadeira cartografia de autores —, muitas possibilidades de abertura à interculturalidade, extremamente generosas no reconhecimento dos conhecimentos advindos da cultura cotidiana e, por isso, inegáveis fontes de reencantamento, a fertilizar o terreno do ensino da arte. Assim, a riqueza que se quer chamar atenção aqui, é a que se apoia na presença, na interação e na intervenção dos âmbitos socioculturais que se confundem com os testemunhos de cada existência que, em suas inúmeras variações de registros, podem fazer toda a diferença, em particular, ao ensino da arte. Como se buscou defender na oportunidade de se abordar sobre a pedagogia-bricoleur, negligenciar as diversas formas estéticas atuantes nas histórias de vidas de cada um dos multíviduos (Canevacci, 2013: 10) — os próprios alunos


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