98 Paulo, Ana Cristina L. de Sousa (2014) “Riscos que nos definem: o desenho como experiência de transformação do sujeito.”
A partir do registo do primeiro exercício e do texto desenvolvido, pedi aos alunos que criassem um personagem (de corpo inteiro) tendo em consideração as características físicas encontradas no rosto, não colocando de parte as características físicas e psicológicas do próprio autor que deveriam ser exploradas através da expressão facial, das formas do corpo e da sua postura. Nesta fase (Figura 9, Figura 10), os alunos tiveram toda a liberdade na escolha dos materiais a utilizar sem, contudo, deixarem de explorar o conceito de nivelamento e acentuação de formas. Esta proposta teve como objetivo explorar a singularidade dos alunos, para além de abordar os conteúdos programáticos da disciplina. Ao analisar o processo de execução dos personagens, através do diálogo com os alunos, através das questões que eles próprios me colocavam e ao ver o trabalho concluído, penso que os fui conhecendo um pouco melhor. Percebi que interesses tinham relativamente à Banda Desenhada. 5. [IN]CONCLUSÕES | Procura de saídas para muitas asfixias
Através desta unidade didática, apercebi-me que alguns alunos queriam muito expor o seu íntimo, mas ao mesmo tempo se sentiam restringidos para o fazerem (penso que o fizeram através do desenho e não através do discurso). Outros sentiam necessidade de explicar a importância que tinha para eles representarem alguns objetos pessoais e do seu dia-a-dia. Alguns chegaram ao ponto de me explicarem as suas crenças e filosofias de vida. Através do exercício desenvolvido, através do desenho e até através das cores por eles utilizadas nos desenhos, considero que consegui conhecê-los um pouco melhor e ter uma relação professor-aluno mais próxima do que havia conseguido até então. Foi meu intuito, através da fase de criação do personagem, refletir sobre que vestígios os alunos depositavam no seu desenho. Ao analisar os desenhos dos alunos apercebi-me da emoção que eles próprios registaram nas imagens, alguns quase como a tal “válvula de escape” (Sousa, 2003) de tudo o que traziam acumulado no seu íntimo. A meu ver, este exercício para além de explorar a imaginação dos alunos, serviu também para eles próprios entenderem e interpretarem a sua própria experiência como pessoas que são. Penso que a identidade contida no ato de desenhar foi de alguma forma atingida. Aqui o desenho, para além de intenção comunicativa foi também uma impressão de um gesto que, cada um ao desenhar, deixou uma espécie de prova de existência. Refletindo sobre a minha prática considero que esta se baseia na minha