Paulo, Ana Cristina L. de Sousa (2014) “Riscos que nos definem: o desenho como experiência de transformação do sujeito.”
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4.1. A transformação do eu
O projeto proposto promoveu a utilização do desenho como um fim em si mas também como um meio para chegar a um fim: explora a passagem da observação e representação do real para o contexto do imaginário e da reflexão sobre o eu (Figura 4). Com ele pretendeu-se dar a oportunidade aos alunos de explorarem e desenvolverem as possibilidades da linguagem artística como meio de expressão pessoal. Surge a ideia de explorar o desenho como uma ferramenta quase terapêutica e de autoconhecimento do aluno. Como este poderá pensar e refletir com e através do desenho. Ao esquematizar a proposta de trabalho, foi meu intuito “trazer” algo familiar para cada um. Algo individual e conhecido pelo mesmo; o eu; acrescentando-lhe o pedido pelo programa, o institucional. Pensei em algo que mostrasse as divergências e convergências; o interior e o exterior. Como cada aluno se vê e como é visto pelo outro. Como se descreve e como se desenha a ele próprio. Qual seria a reação dos alunos ao desenharem não de fora para dentro mas de dentro para fora, ou seja, como transformariam graficamente qualidades interiores à sua pessoa? A proposta de trabalho passou por desenvolver uma espécie de autorretrato em formato B. D. onde era pretendido que os alunos explorassem, ao nível do programa, processos de transformação, invenção, expressão e comunicação visual através de conceitos como limite e contorno, forma-fundo e nivelamento. A primeira fase do exercício passou por, uma análise detalhada do rosto fotografado, com vista a identificar formas, sombras e claro-escuro. Para esta primeira etapa os alunos recorreram a papel vegetal de modo a registar os contornos formais e onde puderam registar ainda alguns apontamentos textuais (Figuras 5 e Figura 6). Depois de simplificarem as formas e de encontrarem áreas de tonalidades diferentes, realizaram vários ensaios cromáticos tendo em consideração as anotações quanto às qualidades e critérios de relação ou contraste de cor (transformar). De todos os ensaios desenvolvidos, foi solicitado aos alunos que selecionassem apenas um para a etapa seguinte. Esta etapa pedia que criassem um autorretrato formado apenas por áreas brancas, pretas e cinzentas tendo em conta a simplificação das formas através dos valores e tons encontrados (Figura 8). A segunda fase da proposta de trabalho teve como intuito desenvolver um personagem de Banda Desenhada. Para tal, solicitei aos alunos que redigissem um texto que descrevesse física e psicologicamente, aproveitando para tal, características do próprio aluno. Daí resultaram personagens imaginados mas com um toque subtil do aluno que o criou.