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salienta-se pelo caráter único e irrepetível que é cada identidade viva, cada pessoa, tanto quanto são únicas as minhas características, mesmo a uma microescala, e única a minha identidade genética. O objeto desenho não existe precedente a nós. Este é o resultado da nossa relação espacial, da nossa relação fenomenal com o mundo. Assim, este torna-se o resultado direto da nossa determinação e capacidade de ação, neste caso, do desenho.
Antes de mais importa aqui explanar o conceito de experiência. Se pesquisarmos o seu significado no dicionário, rapidamente chegamos a conceitos como “ato de experimentar”; “ensaio”; “tentativa”; “conhecimento adquirido por prática, estudos, observação, etc.; experimentação” (Priberan, 2014) (Figura 3). Mas, como se tem uma experiência? Uma experiência cujo sentido possa ser efetivamente distinto no meio de tantas outras que vão sendo interrompidas ou mecanizadas ao longo da nossa vida? Para John Dewey o conceito de experiência passa por surgir como um fluxo de exploração e interação do sujeito com o meio. La experiencia ocurre continuamente porque la interacción de la criatura viviente y las condiciones que la rodean está implicada en el processo mismo de la vida. En condiciones de resistência y conflito, determinados aspectos y elementos del yo y del mundo implicados en esta interacción recalifican la experiencia com emociones e ideas, de tal manera que surge la intención consciente (Dewey, 2008: 41).
A relação consciente entre o sujeito e o mundo (experiência) surge, para Dewey como uma particularidade irredutível da vida. Nasce como um feito singular que obedece a um fluxo de interação entre a pessoa e o ambiente. Sem lacunas, com pausas e momentos de descanso que definem a qualidade do movimento geral. A sua interação seria um fenómeno recíproco entre o fazer e o sofrer, entre ação e perceção. Para Dewey (2008) esta noção recobre o conjunto das trocas — das transações — que operam no contexto integral das relações com os objetos, ou mais fundamentalmente, entre o sujeito e o seu meio ambiente. Assim, experiência segundo Dewey traduz-se no que acontece entre o mundo e o corpo — ou a “criatura viva” — através dos sentidos. Pensando no Desenho, como pode este ser uma experiência? É a experiência um ponto comum entre a conceção de arte e de desenho? Qual o papel do
Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 88-99.
3. Desenho enquanto experiência