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MATÉRIA-PRIMA 4

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1. Desenho O impulso para fazer marcas, registos, a que chamamos desenhos remonta a tempos pré-históricos, atravessa toda a história do homem e mantém-se no presente em todas as culturas. A pulsão para marcar, manifestando e exteriorizando o seu mundo interior, é comum a todos os seres humanos. (Soares, 2014: 35)

Quando falamos sobre o que é o desenho, falamos sobre um objeto e uma ação tão familiares e tão comuns a todos nós que parece dispensar qualquer definição ou esclarecimento. O ato de desenhar não só implica a gestualidade controlada da mão, como envolve processos mentais e capacidades de abstração tão complexos que são, em si mesmos, um desafio para estabelecer uma aproximação ao que tenderá para uma definição.

89 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 88-99.

autoconhecimento do sujeito, em contexto de sala de aula, no ensino artístico especializado, concretamente na disciplina de Desenho A. Pretende-se indagar sobre como criar uma experiência distinta entre tantas outras tendo como fundamentação teórica os ideais de John Dewey (2008) expressos em particular na sua obra “A Arte como experiência”. Estudar as possibilidades de ajuda aos alunos para se ultrapassarem as dificuldades que nos são visíveis como docentes, quanto à utilização do desenho como uma gramática de representação, de raciocínio e do seu próprio desenvolvimento como sujeito para além do entendimento do meio em que se insere. As dificuldades que muitos alunos revelam na apropriação da linguagem do desenho como raciocínio e conhecimento de si e do outro, em contexto escolar, são notórias. Num contexto mais pessoal, o desenho é utilizado como mediador de ideias, de inputs culturais, como forma de representar e até como forma de catarse. Mas porque não explorar estes sentidos no contexto escolar de forma a desenvolver o sujeito aluno numa perspetiva social, não descurando o que nos é solicitado pelo programa? O desenho poderia assumir-se como uma nova linguagem, que utiliza os códigos já adquiridos pelo aluno ajudando-o no seu desenvolvimento pessoal e interpessoal. Será possível esta partilha pessoal em contexto de sala de aula com o professor e os seus pares? O que o condiciona? Qual o papel do docente e da instituição escola na construção deste sujeito? Como promover as aprendizagens dos alunos utilizando um dispositivo de aprendizagem que toma o sujeito-aluno como centro do processo de aprendizagem curricular e pessoal/social?


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