1) produção do perspectógrafo, com moldura de 80 x 80 cm, uma grelha de 10 x 10 cm e uma mira ajustável ao observador, entre 40 a 50 cm; 2) escolha da cena e colocação, do perspectógrafo entre a cena e o desenhador, sobre o estirador, a uma distância de 60 cm; 3) “Grelha Dürer” — reprodução da grelha sobre folha de desenho; 4) colocação de uma segunda folha sob a anterior, intercalada com papel químico, que irá permitir duplicar o desenho; 5) produção de desenho a partir da relação entre a grelha da folha e a grelha do perspectógrafo, e consequente duplicação na folha inferior; 6) “Grelha Aluno”- reconstrução da grelha no desenho duplicado, através da correspondência da localização dos pontos de intersecção da grelha do perspectógrafo no desenho. Deste processo resulta uma nova grelha com deformações. Esta “Grelha Aluno” mostra os desvios em relação à “Grelha Dürer” original (Figura 7). A coordenação visual-motora, como correlação dos efeitos da atenção visual na precisão do desenho, é definida por uma escala de eficiência medida pelo ajuste entre as grelhas. Esta análise, permite uma auto-avaliação do desenho por parte do aluno, de forma a entender os seus erros. O aluno corrige os desvios que cometeu, e estuda se essas imprecisões têm um padrão no desenho ou ao longo de vários desenhos. Por observação directa, analisa em que zonas do desenho tem tendência a cometer maiores deformações da grelha e consequentemente maiores desvios de precisão: centro-periferia, vertical-horizontal, esquerda-direita. Em que parâmetros visuais — distância ou ângulo — têm maiores dificuldades de precisão. O professor pode estudar o coeficiente de deformação da grelha [0; 1], resultante do rácio entre as áreas da quadrícula (área resultante do Aluno/ área constante de Dürer). A análise estatística das frequências (fi e fri) de distribuição das taxas de deformação (xi) por aluno e na turma, permite comparar em rigor as diferenças entre a curvas da distribuição. Permite personalizar a aprendizagem nos problemas específicos do aluno com controle da progressão do polígono de frequências e através da análise de medidas de localização central (média,
83 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 75-87.
A perspectiva vivida, a da nossa percepção, não é a perspectiva geométrica ou fotográfica [...] (Merleau-Ponty, 1945: 23-24). Nesta metodologia, a técnica de desenho utilizada recolhe em cada quadrícula a informação de ângulos e distâncias, num procedimento utiliza um conjunto de fases, que se enumeram de seguida (Figura 6):