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MATÉRIA-PRIMA 4

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82 Rahim, Shakil Yussuf & Rodrigues, Ana Leonor Madeira (2014) “Atenção Visual, Precisão e Deformação do Perspectógrafo de Dürer no Desenho de Observação: Metodologias de Coordenação Visual-Motora na Sala de Aula.”

menor distribuição espacial. O desenho é uma imagem toda focada, como se a retina fosse formada só por fóveas. Diferente da distribuição centro-periferia da imagem retiniana, da imagem cortical e da imagem visualizada (Goldstein, 2010). O perspectógrafo representa, por isso, um modelo de atenção visuo-espacial baseado na teoria do holofote de Eriksen & Eriksen (Heijden, 1991). Apenas se ilumina um quadrado de cada vez. A atenção é dirigida para a informação que cai no foco de luz. A grelha cartesiana do perspectógrafo regula a amplitude do foco, e a passagem entre focos é feita em sequência. Desta forma temos movimentos sacádicos curtos e concentrados e um aumento das fixações visuais, coincidindo com o padrão de leitura visual típico dos desenhadores experientes, conforme descrito por Miall & Tchalenko (2001). A delimitação do foco da janela fragmenta a imagem geral e promove uma leitura de ângulos e distâncias afastando-se da identidade verbal da forma. No entanto esta ideia de grelha que nos orienta pelo espaço, não parece ser apenas um artifício. Há evidências de uma grelha de referência nas áreas cerebrais da memória visual e espacial, que permite mapear a cena visual. Identificadas pela primeira vez em 2005, por Hafting et al., as denominadas “células de grade”, localizadas no córtex entorrinal, constituem grelhas de triângulos equiláteros (Figura 5), que se activam quando nos movimentamos no ambiente ou simplesmente quando o observamos (Doeller et al., 2010). Esta grelha biológica assemelha-se em larga medida à ideia de Dürer. 4. A deformação da grelha de Dürer: uma metodologia para a coordenação visual-motora no estudo da precisão do desenho

A metodologia de aprendizagem aqui proposta tem como referência a grelha do Perspectógrafo de Dürer, com o objectivo de medir o desvio de atenção do desenhador. O método utiliza a hipótese da existência de um desenho interno e um desenho externo, defendida por Frederico Zuccari (1540-1609) em L’idea de’ Pittori, Scultori, ed Architetti (1607). O autor define o desenho interno como uma imagem ideal e intelectual que representa e compreende objectivamente a realidade. Enquanto que o desenho externo é a representação física possível que delimita a forma, que pode ter muitas configurações que alteram o desenho interno (Bismark, 2000). Desta forma, a grelha cartesiana de Dürer (desenho interno) é transformada pela grelha fenomenológica do aluno (desenho externo). Em a Dúvida de Cézanne, Merleau-Ponty (1945) aponta para esta diferença no entendimento da perspectiva: As investigações de Cézanne sobre a perspectiva põe a claro, através da sua fidelidade aos fenómenos, o que deveria ser formulado pela psicologia recente.


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