80 Rahim, Shakil Yussuf & Rodrigues, Ana Leonor Madeira (2014) “Atenção Visual, Precisão e Deformação do Perspectógrafo de Dürer no Desenho de Observação: Metodologias de Coordenação Visual-Motora na Sala de Aula.”
que permite orientar as decisões. Para Seeley & Kozbelt (2007), os desenhadores não treinados centram a sua atenção mapa de estrutura funcional e verbal do objecto, baseado na memória (top-down). Enquanto que os desenhadores experientes fixam a atenção no mapa espacial de localização dos elementos da cena visual e os detalhes formais inseridos nessa rede (Kosslyn, 1995). Para ultrapassar a atenção divida no ensino do desenho de observação, tem-se utilizado a estratégia de apenas se orientar o desenho ao espaço, na tentativa de minimizar o conflito com o conhecimento do objecto e reduzir o problema à análise de distâncias (o ângulo da linha e a forma complexa como produtos deste). Um dos exercícios típicos é o desenho de espaços negativos (Edwards, 1979; Nicolaides, 1941), que age sobre um dos mais frequentes erros nos desenhos de observação — a relação de distância entre objectos. 3. A perspectiva no desenho: o perspectógrafo como medida de desvio da atenção visual
As estratégias gráficas do desenho de perspectiva, através da linha do horizonte, pontos e linhas de fuga, tem sido amplamente utilizada para resolver o problema da planificação visual. No século XV, a descoberta de Brunelleschi (1377-1446), teorizada por Alberti (1404-1472) como perspectiva artificialis no De Pictura (1435), ordenou o pensamento visual num mundo homogéneo e normativo. Para além de apresentar uma explicação para a forma como vemos, tornou-se ela própria numa forma de ver (Damisch, 1995). Com influência da visão monocular da perspectiva foram criados vários aparelhos, denominados como máquinas de desenho (Molina, 2002). Nestes dispositivos, o perspectógrafo de Dürer (Figura 4), datado do século XVI, é uma ferramenta importante pela exploração de uma metodologia baseada numa grelha espacial: Diz-nos Dürer, influenciado por Piero della Francesca, que “primeiro temos o olhar que vê, em segundo lugar o objecto visto, em terceiro a distância que há entre olhar e objecto”. Mas a perspectiva elimina também essa distância [...] Isto verificou-se quando a perspectiva, efectuando, pela primeira vez, a substituição do “cone visual” de Euclides pelo “raio geométrico” universal, se desviou, completamente , da linha de visão e explorou assim, por igual, todas as direcções (Panofsky, 1927: 63-65). Com o perspectógrado, Albrecht Dürer (1471-1528) divide a janela de Leonardo (1452-1519), multiplicando os possíveis enquadramentos (Solso, 1994). A grelha é um filtro que reduz a sobrecarga de informação e permite focar a atenção espacial. Cada quadrado da grelha materializa um foco, concentrando os movimentos fóveais, com o objectivo de fazer coincidir maior atenção visual numa