78 Rahim, Shakil Yussuf & Rodrigues, Ana Leonor Madeira (2014) “Atenção Visual, Precisão e Deformação do Perspectógrafo de Dürer no Desenho de Observação: Metodologias de Coordenação Visual-Motora na Sala de Aula.”
Durante o desenhar, a percepção é framentada pela atenção. O rastreamento ocular da cena (Figura 1) é realizado por relocalização da fóvea, num conjunto de movimentos sacádicos e fixações visuais (Yarbus, 1967). Estes movimentos que fabricam o olhar, excluem uma quantidade consideravel de informação, por serem realizados numa rede de saltos balísticos que comprimem o espaço, ao longo de um periodo de tempo. As fixações recolhem detalhes da cena (Findlay & Gilchrist, 2003). Os vazios deixados nesta rede são calculados por informações disponíveis no cérebro. Dessa combinação resulta a visão (Gregory, 1997). Por regra, orientamos a busca visual, do geral para o particular, com a filtragem de elementos necessários a uma primeira imagem panorâmica (Henderson & Ferreira, 2004). De seguida, a visualização altera-se com os objectivos da acção (Land & Hayhoe, 1999). Com recurso à atenção visual selectiva, escolhemos os segmentos de informação relevantes e somos orientados por mapas visuais de atributos físicos (orientação, contraste, localização, etc.) e pelas demandas cognitivas do desenhador (conhecimento, experiência, motivação, etc.). Porque ver para reconhecer e ver para desenhar são tarefas que descrevem padrões diferentes de movimentos e fixações oculares. Miall & Tchalenko (2001), com o estudo do pintor Humphrey Ocean, mostraram que um desenhador treinado em relação a desenhadores não experientes tende a criar maior número de fixações e mais demoradas, com sacadas mais curtas e concentradas. Os desenhadores não experientes tendem a dispersar com um padrão típico de visão orientada ao reconhecimento. Desenhar é uma actividade em série, que se constrói por sucessão de registos (Figura 2). No entanto cada registo envolve decisões em paralelo (Cohen, 2005). No desenho de contorno, é necessário atender em simultâneo os diferentes ângulos e distâncias que descrevem a forma (orientado ao objecto) e a sua localização no contexto da cena (orientado ao espaço). Tchalenko & Miall (2009) mostrou a facilidade que sujeitos não treinados têm para desenhar com precisão linhas isoladas, mas muitas dificuldades quando essas mesmas linhas fazem parte de um contexto complexo. Aqui, a atenção dividida prejudica a tarefa. No mesmo sentido, há evidências anatómico-funcionais de dois circuitos cerebrais especializados de informação paralela (Milner & Goodale, 1995): via ventral (“o quê?”) e via dorsal (“onde?”). A via ventral é centrada no objecto, com vista ao reconhecimento e a via dorsal é centrada no espaço com vista a acção (Figura 3). Estes circuitos têm alguma independência, ainda que com várias trocas de informação, e atravessam todo o sistema visual, desde a retina ao cortex visual (Palmer, 1999). A rede de contacto chega ainda a outras partes do cérebro, influênciando e sendo influênciada por muitas outras funções (Goldstein, 2010). Há uma associação entre a informação da estrutura espacial e a morfologia do objecto que cria hipoteses visuais sobre a identidade e localização,