Mais recentemente, Tejero (1999) definiu a atenção como um mecanismo hierárquico de supervisão e controlo da actividade cognitiva. A selecção depende da hieraquia visual, que atende a uma ordem e a uma escala de vantagens, desde as fases de deteccão e análise da informação até à execução (Lund, 2001). A maioria das teorias de atenção baseados no filtro, sejam os de selecção anterior, como o modelo rigidez de Broadbent (1958) ou o filtro atenuado de Treisman (1964), sejam as teorias de selecção tardia como o modelos de Deutsch & Deutsch (1963), ou selecção flexível como o modelo de Johnston & Heinz (1978), divergem na função e na localização do filtro (Villar, 2009). Mas todos defendem uma selecção apenas baseada na informação física do estímulo (bottom-up) sem considerar as expectativas do observador (top-down). Apenas os modelos de filtro tardio de Norman (1968) e construtivista de Neisser (1976) definem uma selecção activa e dinâmica, baseada no estímulo e no sujeito (Styles, 1997). Este duplo sentido é fundamental para a produção de uma actividade física e cultural como é o desenho, que depende do que está a ser desenhado (atenção externa) e do desenhador que o produz (atenção interna). É sobre estas dependências que nos debruçaremos no capítulos seguintes. 2. Os movimentos oculares sacádicos e as fixações visuais: o desenho de contorno orientado ao objecto e orientado ao espaço
O desenho de perspectiva, devido à quantidade de informação presente na cena, como a sobreposição de planos, alteração de profundidades e da constância da forma (Solso, 1994), é um tema onde a multiplicação dos estímulos torna complexa a selecção visual. O desenho de contorno, que define a fronteira da figura em relação ao fundo (Edwards, 1979), é uma técnica de representação que controla a posição dos parâmetros visuais do desenho de observação: o ângulo (direcção) e a distância (tamanho). A selecção e o registo gráfico destes parâmetros são guiados por duas estratégias de atenção visual: desenho orientado ao objecto e desenho orientada ao espaço. O desenho de contorno orientado ao objecto, é centrado na figura, e analisa a proporção, a escala e o detalhe da morfologia. O desenho de contorno orientado ao espaço, é centrado no fundo, e estuda a distância entre os objectos e entre estes e o desenhador. Quer o objecto quer o espaço, são orientados ao sujeito fenomenológico (Merleau-Ponty, 1945).
Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 75-87.
[...] posse da mente, de forma clara e viva, de um entre vários objectos ou sequências de pensamentos que parecem simultâneamente possíveis. A essencia da atenção é constituida pela focalização, concentração e consciência (James, 1890: 403-404).
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William James já colocava a selecção no centro da discussão, definido-a como: