A personagem do menino Max faz dos embates com a mãe matéria para compor sua viagem existencial. É com as pedras da imaginação que pavimentará o caminho que o liga aos seus monstros internos. Antropomorfizados funcionam como uma imagem que, além de espelhá-lo, permite-lhe a interação. Sendak mergulha Max nessa condição “meta-existencial” sem, no entanto, dirigir um sentido literal ao leitor criança: esses jogos de passagem estão sutilizados no interior dessa contínua metáfora que já é toda a textualidade de Onde vivem os monstros (Cruz, 2011: 83).
Já no campo da arte esse mesmo aspecto, ou seja, a mistura entre características humanas e animais e a hibridização desses dois seres, permitiu que a narrativa histórica através de obras, estilos e artistas ocorresse de forma fluída. Apesar de não fazer parte do currículo oficial das aulas de artes nas escolas brasileiras, ao menos não até o 7º ou 8º ano do ensino fundamental, a história da arte foi considerada no desenvolvimento da atividade proposta como elemento fundamental e, tão importante quanto os exercícios e conversas que ocorreram em sala de aula, foram às pesquisas e discussões estabelecidas fora dela e que tiveram como função estruturar a atividade docente em termos de teoria. 2. História da arte e feiura
A arte educadora brasileira Ana Mae Barbosa (2009) ao elaborar a chamada Proposta Triangular já declarava a importância de manter como pilares nas aulas de artes a história da arte, a leitura de imagem e a produção. No decorrer dos anos suas propostas tem sido reavaliadas e outras percepções têm adentrado as salas de aula. No entanto, a não separação entre produção, interpretação e história da arte mantém-se importante. Nessa perspectiva, ao elaborar a proposta de atividade para alunas e alunos do 4º ano do ensino fundamental tais considerações não poderiam deixar de ser pensadas. Como afirmado anteriormente, a história da arte não faz parte da listagem de conteúdos, elaborados individualmente pelas escolas, mas com orientações estabelecidas pelos chamados Parâmetros Curriculares Nacionais (1999). A solução encontrada foi estabelecer relações entre história e imagem a partir da produção de meninas e meninos e de uma perspectiva não linear da história. Sabemos que a história da arte tem enfrentado processos de revisão, ao menos desde a década de 1960, resultado da virada linguística, e com mais ênfase a partir de 1980, quando são publicados os textos de Hans Belting (2012) e Arthur
61 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 55-64.
e apresentação das mesmas para alunas e alunos. Para Joceli da Cruz (2011) o aspecto de antropomorfismo se destaca na criação literária por permitir a identificação entre o personagem humano e os monstros. Ela afirma que,