59 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 55-64.
A Figura 2 reproduz uma das ilustrações criadas por Maurice Sendak para o momento no qual a imaginação do menino faz crescer as árvores que tomam conta de seu quarto iniciando sua viagem sem sair do lugar. Na ilustração é possível observar que Max usa uma espécie de fantasia, na verdade um pijama que simula a pele de um lobo. O mesmo elemento também se faz presente no filme, este é o traje que Max está usando ao chegar à ilha dos monstros e com o qual ele permanece durante todo tempo. Outro elemento interessante e que contribuiu para escolha do filme é o fato de que nem os monstros nem o menino reparam em suas diferenças, a monstruosidade de uns e a humanidade do outro não são empecilhos para que se estabeleça uma relação de amizade e confiança. É possível considerar que a roupa de Max tenha contribuído para que os monstros não o estranhem, mas, mais importante é o fato de que o menino não demonstra medo ou surpresa ao encontrar os monstros e não questiona, em momento algum, suas aparências como estando relacionadas a conceitos de beleza ou feiura. Para o trabalho desenvolvido, esse aspecto foi de extrema importância. Após assistirem o filme, as crianças foram incentivadas a debater aspectos relacionados ao mesmo de forma a pensar criticamente a respeito de aspectos estéticos relacionados à construção dos personagens. Quem são os monstros? Como eles se parecem? Qual seu personagem favorito? Ao finalizarmos a fase de identificação e descrição oral das características físicas e emocionais de cada um dos monstros, iniciamos o trabalho com o desenho. Primeiro alunas e alunos desenharam seu personagem favorito. Depois passamos a reprodução utilizando paper toys previamente preparados das cenas que mais chamaram a atenção de cada criança individualmente. A Figura 3 e Figura 4 representam respectivamente a cena do filme escolhida por um dos alunos e o resultado do trabalho desenvolvido em sala de aula. A escolha nessa etapa do trabalho pela utilização de técnicas relacionadas à tridimensionalidade ocorreu por conta do conteúdo programático, determinado pela escola, a ser desenvolvido com cada adiantamento e em cada um dos trimestres letivos específicos. A utilização do paper toy possibilitou o cumprimento dos requisitos referentes a trabalhos em três dimensões e possibilitou que as crianças obtivessem a percepção de que, mesmo partindo de uma forma idêntica, já que o molde do boneco era o mesmo para todos, era possível chegar a resultados diferentes, a ideia de poética visual foi trabalhada a partir dessa atividade que ainda funcionou como gancho para a apresentação de obras de arte de diversos períodos artísticos relacionadas à temática do monstruoso e do feio. A antropomorfização dos monstros criados pela imaginação de Max, tanto na literatura quanto no cinema, foi o caminho escolhido para seleção das obras