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ocuparam os artistas e que os mais diferentes tipos de desenho podem ser desenvolvidos e valorizados.
Sendak não alude a um lugar puramente espacial, mas a um lugar que está na subjetividade da personagem Max — seus monstros são internos: conflitos próprios de uma criança. A narrativa carrega-se assim de um dimensionamento existencial, mas não dá respostas de pronto ao leitor infante. Ao estimular a criança à construção de uma narrativa poética que poetiza as distâncias percorridas sem a necessidade de lhes dar um verismo “geométrico-espacial”, Sendak propõe-lhe uma viagem por mundos que só se viabilizam poeticamente (Cruz, 2011: 78).
Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 55-64.
1. Onde vivem os monstros: literatura, cinema e arte
Nos Estados Unidos, em uma cidade não identificada, vive Max, um menino de 9 anos, ao lado de sua mãe e uma irmã mais velha. A rotina da família é apresentada nas primeiras cenas do filme Onde vivem os monstros (Where the Wild Things Are), lançado em 2009 e dirigido por Spike Jonze. E é justamente nesse início que os conflitos que terão como resultado a fuga de Max já se mostram: ocupadas com suas próprias vidas, tanto a mãe quanto a irmã não dão a Max a atenção que ele necessita ou acredita necessitar. Magoado, Max, enfrenta a mãe, morde-a e sai correndo de casa em direção à rua. Na tentativa de não ser encontrado, o menino prossegue assustado em meio a um parque repleto de árvores e acaba encontrando um pequeno barco em um riacho próximo. Em seguida ele entra na embarcação e e inicia uma fantástica viagem que o leva até uma ilha habitada por monstros. Por conta de sua atitude diante da bagunça que os monstros estão aprontando e da aceitação dos mesmos, Max acaba por se tornar seu líder. A promessa feita pelo novo rei ao ser coroado de é construir um lugar no qual todos viverão felizes. Ao longo do filme, Max descobre que isso é bem mais difícil do ele imaginava. Os desejos e conflitos dos monstros revelam-se complicados de serem transpostos. É como se cada um dos monstros carregasse um traço da personalidade e dos problemas do próprio menino. O filme, realizado através da adaptação do livro de mesmo nome, escrito e ilustrado por Maurice Sendak em 1963, extrapola as questões propostas inicialmente. No livro, após brigar com sua mãe, Max é mandado para seu quarto sem jantar e é lá, sem a necessidade de uma fuga física, que Max cria uma floresta, um oceano que a invade e o barco no qual parte rumo à ilha habitada pelos monstros. Para Joceli da Cruz (2011), a principal diferença entre o livro e sua adaptação cinematográfica está justamente na viagem empreendida pelo menino, a autora afirma que: