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47 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 40-47.
tendia a ser construído como uma realidade que estava sempre fora do tempo e, nesse sentido, fora de nossas vidas. Dessa negação do tempo, anulado pela tradição, mas, simultaneamente, ampliado virtualmente pela atualidade, em um caminho em que se desenvolveu a tecnologia e a hiper-realidade do espaço-tempo atual, talvez, tenha resultado a submersão físico-química de nossa experiência vivida, que pode ter sido submersa nas virtualidades das formas de se cortar e apropriar os novos tempos. Assim, é extremamente significativo na formação de professores de arte aproximar a experiência da multiplicidade e a apreensão do múltiplo presente na didática do desenho contemporâneo. Sendo que, essa didática está a ser definida nas transformações técnicas ou na mudança dos imaginários correspondentes, em que técnica e imaginário correspondem a uma física relacionada à construção do espaço ou ocorrem na química do tempo. Ambos definem-se em processos que envolvem a matéria e constroem novas materialidades, pois a didática do desenho contemporâneo resgata a importância da desconstrução das práticas pedagógicas tradicionais a partir da construção e desconstrução da experiência da tradição, sem descartar as virtualidades contemporâneas, mas encontrando também aí o que foi sendo soterrado em um mundo em que, aparentemente, tudo é possível, mas que tem se afastado, muitas vezes de forma exponencial da capacidade do sujeito de dar sentido a sua própria existência, afastando-o da construção da experiência.