46 Barreto, Umbelina (2014) “O duplo fio da investigação: a didática do desenho.”
se torna incompreensível, pois é extrema a distância que se encontra de nossa experiência. Entretanto, uma das formas que temos de nos aproximar deste universo é através da imaginação, utilizando a ficção, que é própria da arte. Por outro lado, também a pluralidade dos modelos atuais, que tentam dar conta dessa nova sociedade, abarca a necessidade da invenção e da criação, tornando a experiência da arte essencial, pois a arte se desenvolve em um processo compartilhado em um duplo fio entre o pensar e o fazer, envolvendo o desenho do pensamento e a arquitetura da matéria. Isso nos remete as possibilidades trazidas por uma teoria do conhecimento que envolve distintos campos, fazendo dialogar o biológico, o social, o cultural e o mental em um sistema de sistemas acoplados e em constante perturbação, a teoria autopoiética do conhecimento elaborada por Maturana e Varela (1979). Ser criativo em um mundo em que aparentemente tudo está dado passa pelo vínculo estabelecido entre a técnica e o desenvolvimento, que hoje está exacerbada em tecnologia, entretanto é necessário subverter a tecnologia através da criação. 3. Do espaço e da química do tempo
Para finalizar estas pontuações trazidas de uma forma muito intensa, porém breve e curta, volto a enfatizar a aproximação com o duplo fio do tema escolhido. Ao selecionar a investigação proposta por Molina, em um processo de auto-investigação das transformações de seu imaginário como desenhista, em seu desenvolvimento do desenho, que passa de um status adjetivo para uma linguagem substantiva sem perder a característica desse diálogo que une pensamento e ação em um processo contínuo, busquei em algumas marcações aproximar a didática do desenho da formação de um professor criador. A compreensão da didática do desenho enfatizada em processos artísticos contemporâneos, em que se têm simultaneamente a construção e a desconstrução, que necessitam de distintos tempos que precisam ser processados de forma não cumulativa, por não serem uniformes, gerando transformações que precisam ser vividas em experiências concretas, pode vir a ser a referência que necessita o professor de arte na atualidade para apreender a construir os diversos tempos que correspondem à experiência contemporânea. Tal como a arte, a aprendizagem necessita de tempo de maturação. E, na história, muitas foram as formas de negar o tempo como fator de desenvolvimento, pois, por muito tempo, ele foi necessário ao método científico como um indicador uniformemente prefixado e predefinido, e não como uma variável a ser encontrada durante a sua própria variação. Ou seja, parava-se o tempo para que o conhecimento pudesse ser construído. E o conhecimento, dessa maneira,