45 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 40-47.
xicidade gerada pela utilização exacerbada do que daí advém. E, este professor precisa apreender a construir a multiplicidade e a diversidade própria da criação, passando por dissonâncias sem enfatizar as cacofonias. Traçar a didática do desenho no contexto contemporâneo é partir da construção e desconstrução da experiência da tradição (tradição que inclui dois paradigmas: o acadêmico e o modernista que podem ser pensados a luz de Thierry de Duve [2012]) como possibilidade de acesso ao mundo da vida, que por sua vez está dado em um cotidiano estetizado não pela arte, mas pela mídia. A esse plano da experiência correspondem duas formas de acesso em que a construção é compartilhada através da valoração e da atribuição de sentido à aprendizagem do vivido. Os limites definidos por um universo que está dado pela tradição são abertos e desconstruídos ao se rejeitar o produto acabado, mapeando as relações que vão construindo o processo. O desenho, nesse sentido, metaforicamente desenvolve-se como uma topologia de uma fita de moebius, cujo percurso dá-se dos limites internos, definidos pela completude da experiência, até os limites externos que se abrem nas relações mapeadas que podem ser compartilhadas ao infinito. No primeiro caso, costuma-se chamar este universo fechado de universo das formas, que podem ser definidas através de medidas precisas que constituem novas formas com novas medidas também precisas que possibilitam uma percepção focada que define sentido a partir de uma localização especificada no plano, seja este plano uma referência ao campo tridimensional ou bidimensional. A completude será sempre definida no sentido da experiência e o fato de a mesma ser compartilhada é a prova de sua infinitude. No segundo caso, é o mapeamento das relações compartilhadas que subverte os limites em um processo que pode se estender ao infinito. O tradicional modelo científico de conhecimento, cartesiano ou newtoniano, não é suficiente para abarcar a complexidade atual, em uma sociedade que dispõe da informação, podendo acessá-la em qualquer tempo a partir da informatização, e podendo escolher o desenho do pensamento, ou a arquitetura da experiência mais significativa à construção do conhecimento. O modelo científico transformado em uma hegemônica metodologia científica, institucionalizada e utilizada reiteradamente como o único acesso ao conhecimento, acaba por definir distâncias que foram se tornando intransponíveis. Pode-se pensar aqui no desenvolvimento do próprio instrumental científico, que, do universo macro passou para o micro e, na atualidade, com a tecnologia, adentra em um universo nano, o qual é tão distante do senso comum que