43 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 40-47.
aprender a aprender a desenhar como princípio de formação de um professor criador. Com este desenho inicial enfatizo uma topologia específica onde tento trazer a ideia de um continum como uma solução de continuidade que corresponde às mudanças e transformações que caracterizam o mundo contemporâneo. Transformar a multiplicidade de vozes da atualidade, que correspondem à complexa sociedade da informação e conhecimento, construindo o tom contemporâneo das diversas formas do aprender, em uma alusão à polifonia, sem cair em uma cacofonia de vozes em constante confronto, pode ser uma forma de trazer a necessidade da experiência da criação, construindo-a através dos valores de um reiterado redesenho. Esses redesenhos vão sendo processados em múltiplos meios que são apresentados simultaneamente, mas não em encobrimento. E essa experiência envolvendo o desenhar, em ato e pensamento, dá o tom significativo à aprendizagem definindo-se como formas do aprender a aprender. A princípio, a investigação da relação da prática artística e da prática didático-pedagógica criativa está a ser trazida neste texto em uma referência a estratégias de desenho de Molina (2002), e a astúcias didático-criativas de Maria Acaso (2009). Esta abordagem, em que se dá visibilidade às investigações dos dois autores, possibilita focalizar o tema trazendo a experiência artística de Molina, ao mapear as transformações da arte contemporânea a partir de seu próprio trabalho como artista e desenhista, bem como, de trazer uma proposta de mudança pedagógica de Maria Acaso, a partir da potencialização de alguns lugares pedagógicos que não se mostram, ou que não se tem constituído na formação do professor de artes visuais. A investigação da prática artística do desenho pode ser utilizada como estratégia para a formação de um professor criativo, em uma referência a estratégias de desenho de Molina, que enfatiza as dificuldades de investigação e registro das transformações que ocorrem no contexto atual, que surgem, justamente, da simultaneidade entre o vivido e o pensado. Juan José Gomez Molina (2002), na tentativa de encontrar a ação que constrói o imaginário contemporâneo, tem investigado de forma exaustiva os diversos aspectos envolvidos nas mudanças atuais que se apresentam nesse novo imaginário que vai sendo construído. A abordagem do artista pesquisador se estende desde o problema do desenhar, passando por uma diversidade de métodos e processos, até as dificuldades que surgem pelas inserções de novos ferramentais correspondentes ao desenvolvimento técnico e tecnológico atual, e as mudanças que estes imprimem ao desenho. A passagem para o desenho no século XXI gera, na abordagem de Molina, também uma passagem da ênfase no território do desenho em que são