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MATÉRIA-PRIMA 4

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42 Barreto, Umbelina (2014) “O duplo fio da investigação: a didática do desenho.”

em um percurso que vai se cruzando e desdobrando em grafismos e plasticidades elencados na procissão do desenho a ser elaborado no plano. O plano, esse que se costuma dizer como, tradicionalmente, plano de representação, está cheio de sulcos, que mostram que não é um ingênuo “papel em branco” sem nada a contar, pois se constituiu na tradição da academia, entre geometrias e operações algébricas, e hoje, é uma grelha muito complexa que põe em evidência as relações entre o visível e o invisível que o constituem e o definem como um espaço de representação. Nesse espaço, que potencializa o plano, os lugares constituídos pelas linhas e valores do desenho se sucedem entre perspectivas e topologias, reiterando passagens que, aos poucos, vão sendo habitadas, e, é somente dessa forma, como um lugar habitado, que passam a, finalmente, se definir como um desenho. Dessa maneira, em um mundo contemporâneo que nos corresponde, o processo do desenho vai se fazendo ao inverso, talvez em um não-método (seria uma autopedagogia?), pois, nos sulcos do plano, o espaço da auto-observação ainda é somente a potência de uma representação sempre desejada, mas, simultaneamente descartada, constituindo-se em tentativas de redefinição do próprio mapa que se tem como um dado. Por fim, a tentativa de encontrar a referência identificadora de um objeto artístico, no desenho divergente efetivamente realizado nos lugares habitados do plano, dá-se em um percurso definido pelas imagens que presentificam em seu corpo o objeto de desejo denominado arte. E o desenho, que assim vai sendo percebido, está constituído no contexto do universo visual que abraça todo o seu corpo, o qual foi delimitado entre o objeto que está no mundo, utilizado como um dos referentes, definindo tanto o mundo como o sujeito que o percebe, e o instrumento que está na mão, ferramenta necessária à exposição do desenho, e que se mostra na passagem de um ao outro. Cabe ainda ressaltar que, embora a estetização do mundo contemporâneo faça com que se desconstrua o padrão de desenho guardado na memória, a percepção do novo desenho ainda ocorre, e talvez seja, justamente essa construção e desconstrução simultânea que defina as diferenças de um movimento que vai deixando marcas, que são também imagens-memória de uma outra história que ainda se está a contar. 1. O jogo de vozes do tom contemporâneo

É como artista desenhadora que inicio no prólogo desenhando este texto, pois tendo desenhado durante, pelo menos dois terços de minha vida, essa experiência me possibilita encetar esse complexo desenho em duplo fio envolvendo a sua exposição como outro, ou seja, ao envolver o desenho em uma forma de


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