34 Maneschy, Orlando Franco (2014) “Audiovisual no Ensino Médio: videoarte paraense como conteúdo e material didático: Perspectivas Preliminares.”
Ao executar essa série de ações poéticas de performance a partir de uma intervenção urbana que se torna vídeo, propõe uma maneira de observar a natureza do homem e sua existência de maneira crítica, discussão que também permeia o vídeo Vermelho de Melissa Barbery em uma situação de violência e inferioridade de um ser “verme”, que transita imprimindo rastros pictóricos por um espaço de resistência na busca de sua sobrevivência. Esses espaços de convívio, de sobrevivência e comunhão são reiterados nos trabalhos de Alberto Bitar, Dirceu Maués, Maria Christina e Orlando Maneschy. Ao fotografar a cidade de Belém em momentos diversos do dia e também durante meses Alberto Bitar em Paisagem urbana em 3 atos direciona o olhar do público para o pensamento da passagem do tempo e seus desdobramentos na articulação cotidiana de uma metrópole, o morar, se relacionar, uma investigação afetiva da memória da cidade a partir da fotografia e processos digitais de manipulação, uma fotografia que se torna vídeo. Assim como Bitar, Dirceu em ... feito poeira ao vento se utiliza da fotografia, neste trabalho artesanal e a partir de processos de edição torna-as vídeo. Ao fotografar o Mercado do Ver-o-Peso e seus arredores em Belém com uma câmera pinhole em 360º o artista realiza um recorte de paisagem em um espaço de tempo para falar do encaminhamento cotidiano de um lugar de pertencimento local, e assim tratar de questões de memória e patrimônio. Para ampliar essas discussões Maria Christina em Subindo a Serra nos convida a retornar ao seu espaço de infância, a Vila de Serra do Navio, o lugar de lembranças. A artista percorre um lugar calmo e que aparenta estar abandonado, realiza um deslocamento de seu espaço comum em busca de outro lugar, que possibilitará a ressignificação dessas memórias, com seus lugares, pessoas, cheiros, sensações. O espaço desenhado por Maneschy no vídeo Desaparição pode se configurar como um refúgio sensorial e intelectual, uma forma de introspecção produtiva, o artista se entremeia à floresta de modo a sumir completamente e ressurgir ao final do vídeo. Uma clara metáfora da relação de devir do homem amazônico com o espaço em que vive, transitando entre cidades, matas e rios. Pensar a Amazônia e suas características recai em nossa responsabilidade enquanto agentes transformadores de lugares, de modo a reforçarmos nossas identidades locais e estabelecermos diálogos expandidos de maneira global. Como artista amazônico, Orlando Maneschy se propõe a discutir o papel do artista como atuante frente a questões políticas que perpassam nosso espaço. Entramos em contato com produções paraenses em uma perspectiva de localização, discussão de especificidades, mas também deslocalização na medida em que buscamos uma compreensão mais ampliada dos trabalhos