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MATÉRIA-PRIMA 4

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se utiliza da matéria prima da pintura para a realização de uma performance direcionada para o vídeo, o diálogo entre linguagens é um ponto chave neste trabalho, para que possamos também trazer a tona em sala de aula discussões referentes ao caráter híbrido e de auto-referencialidade da produção atual de arte relacionando a conceitos de história da arte do moderno ao contemporâneo. Armando Queiroz pinta-se internamente e personifica a vontade de tornar-se o próprio trabalho de arte, o corpo como suporte de criação, como declara o próprio artista: “Não deixa de ser um gesto pictórico, uma pintura. Uma pintura por dentro, para dentro” (Queiroz, 2007). No vídeo Cenesthesia percebemos como a comunicação humana não está limitada à utilização da linguagem falada ou escrita. A presença de uma linguagem corporal assim como nos vídeos de Luciana Magno e Armando Queiroz é substancial para a existência do diálogo entre os personagens, que se encontram em cômodos paralelos ou comuns executando movimentos espelhados em uma ação ritualística de aproximação e afastamento, individualidade e comunhão entre corpos, troca de fluidos, segundo os autores “sentimentos difusos. Névoa aflita que aflige a razão. Sentimento vago de verdade. Querer distorcido pela própria vontade de querer. Bem estar. Mal estar.” (Castro, Maués & Soares, 1988). No projeto Gallus Sapiens parte 2 (2008) Victor De La Rocque propõe a possibilidade de surgimento de um ser metade homem e metade galo, configurando um certo escárnio a existência humana e as relações de poder entre seres vivos.

Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 29-39.

Figura 1 ∙ Armando Queiroz, frame de Bebendo Mondrian, 2007. Fonte: Acervo do projeto de pesquisa “A relação da imagem nas aartes visuais: mapeamento da produção imagética na arte contemporânea” (CNPq — 2005 / 2010).


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