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MATÉRIA-PRIMA 4

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26 Oliveira, Ronaldo (2014) “O sentido da memória e dos objetos pessoais na formação docente em artes visuais.”

Muitas vezes, só se vê ou se confere importância àquilo que se quer ver. Os olhos, na maioria das vezes, insistem em não ver aquilo que, a princípio, não lhe diz respeito. Se vemos com desconfiança, com conceitos pré-estabelecidos, perdemos, desse modo, a oportunidade de adentrar na diversidade de lugares que habitam cada um que se predispõe a se fazer conhecer. É preciso um olhar que acolha. Faz-se necessário uma pedagogia do acolhimento — poderíamos assim chamar — para que se possa construir uma metodologia da presença; metodologia que contem a história de cada um. Caso contrário, estaríamos insistindo numa metodologia da ausência, metodologia essa que se encarregou de subtrair historicamente o sujeito de sua própria aprendizagem. Os relatos feitos oralmente por cada um, foram escritos e reunidos num caderno, juntamente com as imagens dos mesmos, as histórias dos lugares, e outras tantas imagens e informações que foram geradas a partir deste ato de acolher os objetos e os encararem enquanto material potente e possível de ser desencadeador de um trabalho no ensino de arte. É interessante assumirmos e tomarmos os objetos enquanto possibilidade. Se pensarmos, os objetos sempre acompanharam o Homem na sua história. Para servir a diferentes fins, eles se faziam presentes, sejam enquanto algo utilitário, adorno, contemplação, objetos de desejo. Não é por acaso que chegamos às grandes coleções de objetos, pois eles testemunham de alguma maneira a história da humanidade, dos lugares e também das pessoas, nas suas singularidades. Tomá-los enquanto mote desencadeador para este trabalho é trabalhar com o sentido afetivo que neles estão depositados por cada um, mas também é rememorar, recontar a história do objeto, sua trajetória, as tecnologias que o fizeram, os espaços que ocuparam, a que fim e a quem serviram. José Reginaldo Santos Gonçalves (2005) em seu artigo intitulado, “Antropologia dos Objetos: coleções, museus e patrimônios”, nos diz: Acompanhar o deslocamento dos objetos ao longo das fronteiras que delimitam esses contextos é em grande parte entender a própria dinâmica da vida social e cultural, seus conflitos, ambigüidades e paradoxos, assim como seus efeitos na subjetividade individual e coletiva (Gonçalves, 2005: 3)

Esta fala de Gonçalves nos faz pensar o quanto, mesmo tendo sido o caráter afetivo que predominou e determinou na maioria dos casos a escolha do objeto, o quanto que cada objeto conta sobre a trajetória do mesmo e também da cultura que o originou e das culturas que o próprio objeto participou da construção, seja no seio familiar, na cidade; da cultura intima à cultura do lugar. Os objetos


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