256 Alvarenga, Ana Maria de Oliveira (2014) “Corpo e Imagem em trânsito informacional: uma experiência em arte / educação.”
O projeto interdisciplinar Corpo e Imagem se constitui em campo de investigação e experimentação estética envolvendo as expressões do corpo e da imagem na interação com os dispositivos tecnológicos. A palavra interdisciplinar aí utilizada objetiva definir o campo intersticial entre linguagens distintas que se interpelam na emergência de um novo campo simbólico. Imagem e corpo enquanto linguagens que comunicam, colocam em movimento signos que potencializam a afirmação da diferença, mas também a emergência de um campo forjado pelo acréscimo mútuo às linguagens em questão. Na afirmação da diferença, constituída por campos textuais distintos, o processo interdisciplinar subscreve um cenário de articulações e interpelações pedagógicas que reinventam práticas expressivas e discursivas do corpo e da imagem. Na visão de Bhabha (1998) a interdisciplinaridade cultural “nunca é simplesmente a adição harmoniosa de conteúdos e contextos que aumentam a positividade de uma presença disciplinadora ou simbólica pré-estabelecida”, nesse sentido, a articulação textual das linguagens de forma interdisciplinar, imprime à experiência dos saberes adjacentes, um movimento contínuo em direção à construção de novos significantes visuais e corporais. Em acréscimo a essa experiência interdisciplinar está a transversalização da materialidade fluída das mídias digitais que, no espaço intersticial das linguagens, agrega novos sentidos, práticas e repertórios expressivos e representativos. A prática interdisciplinar desenvolvida confere o caráter de pesquisa à experiência, na medida em que assume a exploração dos resultados implicados na utilização dos equipamentos digitais e sua intrínseca materialidade poética, a partir de um planejamento sistematizado e executado de forma a contribuir para o desenvolvimento do ensino da arte na esfera escolar. Reflexões acerca da representação do corpo em processo de hibridização pela interação com a máquina, como também acerca da imagem por sua constituição numérica, produzida em alta resolução em substituição à própria realidade, são geradoras de interrogações e inquietações sobre corpos desfronteirizados, expandidos, híbridos, digitalizados em trânsito informacional por territórios coletivos, colaborativos, em deslocamentos para além do próprio corpo e em permanente atualização de si. A investigação das linguagens corpo e imagem, avança em aprofundamento contínuo na medida em que se intensifica a articulação com as mídias de reprodução, exibição e captura, na produção de refrações, espelhamentos, simulações e esquadrinhamentos de um corpo-imagem e de um corpo-movimento (Figura 1). O convite às experimentações propostas aos alunos está presente na observação e análise de obras que problematizam o corpo humano em seus aspectos