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MATÉRIA-PRIMA 4

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232 Demarchi, Rita de Cássia & Martins, Mirian Celeste (2014) “Ver crianças e adolescentes que vêem: reflexões a partir de imagens de visitas em exposições de arte.”

... a mediação hoje ganha um caráter rizomático, isto é, num sistema de inter-relações fecundas e complexas que se irradiam entre o objeto do conhecimento, o aprendiz, o professor/mediador/monitor, a cultura, a história, o artista, a instituição cultural, a escola, a manifestação artística, os modos de divulgação, as especificidades, os códigos, materialidades e suportes de cada linguagem artística... (Martins, 2002: 57).

Entre as diferentes pessoas, olhares e objetos, diferentes experiências e memórias. Em um museu, diferentes seres e tempos se encontram e passam a acontecer no presente (Figura 8), o que refuta a ideia de um espaço de “velharias” (Leite, 2006). Ou de um espaço de “coisas estranhas e sem sentido”. Com os viajantes as musas respiram aliviadas e regozijam-se, porque elas não gostam de solidão e o seu tempo é sempre o agora. Pausa e retorno

Ainda sob a metáfora de viajantes, fazemos agora uma pausa para refletir sobre o que colocamos até o momento. Há tempos trilhamos um caminho que considera as exposições de arte e seus espaços como privilegiados campos para experiências, para encontros significativos. Quintás coloca que a riqueza do encontro advém da interação entre “âmbitos de realidade”, que vêm a representar “todo tipo de realidade que no jogo da vida criadora do homem se apresenta a este como um feixe de possibilidades” (1993: 18). Uma exposição, assim como a aula de arte na escola, configuram-se como “feixes de possibilidades”, ideia que se relaciona ao que Martins (2002: 57) traz sobre a complexa rede tecida por múltiplos aspectos que envolvem o apreciador, a obra, os espaços, e nós educadores. Como professores, mediadores e pesquisadores, é preciso uma atitude de abertura para vermos a arte em sua profundidade, nós mesmos e sobretudo, para ver o outro. E estabelecer relações — um trabalho que sempre envolve algum risco. O trabalho apresentado, derivado de uma tese em andamento, também é um trabalho de risco, pois como empreitada impregnada de subjetividade, em vários aspectos está à margem do padrão acadêmico dominante. Tendo como experientes companheiros de viagem os autores das metodologias artísticas de pesquisa, colocamo-nos na estrada, em processo. Em direção à busca de sentido existem múltiplos caminhos. Mas é com a abertura da arte e da poética que escolhemos olhar para as fotografias e criar elos entre elas, que a princípio se localizavam em tempos e espaços distintos.


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