O que me liga a esse lugar? Quais são minhas maiores referências com essa cidade? Com a paisagem deste lugar? Qual objeto você escolheria para estabelecer a relação entre suas vivências e a cidade em que você vive e considera? Para relacionar com o objeto, qual obra você escolheu? Esta obra foi construída por quem e em qual período? Qual é a conexão estabelecida entre a referência pessoal/afetiva (objeto) com a imagem advinda do repertório artístico que você escolheu para trazer aqui neste momento?
Foram muitos os objetos trazidos (Figura 1) — cada qual carregado de histórias, de marcas, de sentido, de vida. Muitas construções e trajetórias foram ali relatadas, descritas, rememoradas passo a passo, sendo que cada um que apresentava seu objeto, ia descortinando ao outro a história de uma vida inteira, reconfigurada em recortes selecionados por uma memória que aquele objeto, ali, cumpria e cumpre o papel de não deixar apagar, cair no esquecimento. Ao apresentar, (Figura 2) as emoções foram afloradas, histórias relembradas. Algumas histórias muito queridas. Outras, segundo seus próprios protagonistas,
23 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 20-28.
singulares de ver o mundo. É preciso passar pela experiência do fazer arte para ser professor de arte. Como muitos estudiosos reconhecem, é fundamental que o professor de arte mantenha um constante processo de criação. Afinal o que é a docência, senão a arte de aprender e ensinar num movimento contínuo? O presente processo de trabalho foi iniciado por meio de uma escuta às expectativas que os alunos traziam com relação aquilo que eles aspiravam conhecer. Foi somente após termos conversado e nos aproximado uns dos outros, é que o plano de curso foi feito e apresentado no encontro seguinte. O plano de ensino é registro de um processo criador que poderá vir a ser, por isso o plano é autoral, ele contem escolhas e indicações a partir de leituras e das conversas que foram estabelecidas a partir do encontro da aprendizagem. Este encontro é marcado por uma relação aberta, dialógica, na perspectiva em que propõe Paulo Freire, cujo enfoque evoca a relevante premissa de que nos educamos e nos construímos e constituímos enquanto pessoas em comunhão. Definida a direção primeira da disciplina de Metodologia e Prática do Ensino de Arte I e II , após termos realizado uma leitura conjunta e sistematizada de reproduções de obra de arte, as quais traziam imagens de cidades/paisagens enquanto tema, pedi a cada um para que, nos próximos encontros trouxessem um objeto que tivesse relação com a sua cidade, ou seja, a cidade em que cada um vive, ou a cidade que vive em nós. Solicitei também que buscassem alguma referencia no campo da arte, que apresentasse alguma relação com o seu objeto. Junto a esse pedido foi sugerido que respondessem um roteiro com as seguintes questões: