224 Demarchi, Rita de Cássia & Martins, Mirian Celeste (2014) “Ver crianças e adolescentes que vêem: reflexões a partir de imagens de visitas em exposições de arte.”
instituições no Brasil e Europa (sobretudo Portugal) foi ganhando força com o avançar da pesquisa. Quase escondida nos espaços, a pesquisadora evita o contato direto com os apreciadores, assume-se como criadora e se coloca pacientemente entre o estado de busca e espera. Uma das mais estimulantes fontes de inspiração para esse trabalho é a estupenda coleção “O Louvre e seus visitantes”, de Alécio de Andrade (1938, Rio de Janeiro — 2003, Paris), com cerca doze mil imagens produzidas ao longo de 39 anos de visitas ao emblemático museu. Outro importante ponto em comum entre o artigo aqui apresentado e a tese em andamento se refere à adoção das metodologias artísticas na pesquisa, propostas por autores como Eisner & Barone (2011) Roldán & Marin Viadel (2012), que valorizam a força e marca da póetica na elaboração acadêmica. Para nós as imagens têm força em si, como fonte de conhecimento sensível, e são disparadoras de reflexões que aprofundam nossa percepção sobre os encontros com as obras, como veremos a seguir. 3. Ver aqueles que vêem
Para o viajante, todo o percurso é importante. Antes de entrar, tão perto e ainda tão longe. Preparação, expectativa e passagem para o que virá. Prazer da decoberta, jogo, brincadeira, molecagem, romper limites, inventividade, apropriação do espaço, de corpo inteiro... As crianças se surpreendem e surpreendem a nós... Há momentos de dança e festa e há momentos de mergulho silencioso... Às vezes as crianças e todos nós precisamos de tempo, tempo precioso que permite o encontro. Mediador: é aquele que vê junto, que ajuda a ver na exposição, em sala de aula, em qualquer lugar. Afetividade nas mãos que compartilham, apoiam, sustentam.