Os alunos que afirmaram não gostar de visitar museus são aqueles que, sempre conectados, têm as imagens e todo o tipo de informação na ponta dos dedos. Hoje é possível acessar na internet imagens e realizar passeios virtuais com uma qualidade nunca antes imaginada em sites como o do Google Art Project, ou os sites oficiais dos grandes museus, por exemplo. Evidentemente consideramos que há ganhos, em contrapartida perde-se a “aura” do objeto artístico, conforme a colocação visionária de Walter Benjamim (1987). Embora suas publicações sejam anteriores ao boom das visitas virtuais e das imagens em altíssima qualidade, concordamos com Leite (2005) que coloca que os diversos meios e materiais têm a sua importância, mas não substituem o contato direto com as obras em seus espaços construídos simbolicamente, “espaços de educação e cultura”: O local onde se encontra a obra já é para o contemplador um a priori que dirige o seu olhar — estar em um museu confere à obra um status diferenciado que conduz/induz sua contemplação pelo espectador. Nosso olhar não é ingênuo nem neutro, ele congrega as marcas de nosso tempo, a experiência vivida, ideologias, etc. (Leite, 2005: 26)
Desbravar, deslocar-se nesses espaços com o corpo todo é uma experiência diferente da virtual, é evidente. E facilitar o acesso junto a elementos de cultura variada e ao patrimônio é matéria prima do ensino de arte na escola, em todos os níveis. Com base em nossa experiência, consideramos que tanto para crianças e adolescentes que dispõe de recursos e têm acesso à tecnologia, tanto quanto para grupos menos privilegiados e até mesmo excluídos, a entrada em uma instituição cultural, a visita e fruição, o estar frente à obra, abre portas que talvez não fossem abertas de outra forma; e promove encontros únicos. 2. De onde se parte?
O trabalho aqui compartillhado parte da pesquisa de doutorado em andamento de uma das autoras, que abarca fotografias de apreciadores em museus e exposições de arte. Contudo, mais do que meros registros ou ilustrações de uma teoria, essa coleção de flagrantes, realizados entre 2011 e 2014 em diversas
Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 221-233.
O homem é um ser de encontro: constitui-se, desenvolve-se e se aperfeiçoa encontrando-se com realidades de seu meio ambiente que em princípio lhe são distintas, distantes, externas e estranhas. — Alfonso López Quintás (1992:26)
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1. Por que museus? E por que ver ao vivo?