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MATÉRIA-PRIMA 4

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Refletir sobre a atuação docente passa necessariamente pelos modos como a formação foi concebida. Desejamos modos dialogados de pensar o ensino de arte, mas, o que muitas vezes não acessamos são os lugares / situações em que aqueles que ensinam viveram e se formaram. A proposta deste trabalho é refletir sobre uma experiência desenvolvida com alunos do curso de licenciatura em artes visuais da Universidade Estadual de Londrina — PARFOR (Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica) onde as histórias de vida foi o caminho metodológico trilhado para a construção do próprio processo formativo. Trabalhando com a disciplina de metodologia do Ensino de arte junto com estes estudantes em formação assumimos uma postura que encara o sujeito que aprende como ponto de partida dos processos de aprendizagem. Os participantes que ora menciono, tiveram as disciplinas de Metodologia e Prática do Ensino de Arte I e II e Gravura, como lugar para essa sistematização (NB: O trabalho de formação docente em artes visuais aqui descrito foi uma proposição dos professores Doutores Ronaldo Alexandre de Oliveira e Claudio Garcia, a partir de um trabalho interdisciplinar tendo as disciplinas de Metodologia e prática do Ensino de Arte I e II e gravura buscaram criar um espaço para pensar processos de criação em arte e metodologia para o ensino de artes visuais). A disciplina de gravura foi o procedimento artístico / criador escolhido para que as imagens dos objetos se fizessem arte. O grupo era composto por treze educadoras e dois educadores, os quais tiveram como pré-requisito para a sua inserção no programa, o fato de já terem cursado uma primeira licenciatura e/ou terem atuado pelo menos três anos na área de artes. Por meio de uma descrição/ narrativa/reflexiva busco explicitar neste artigo meandros sobre este processo de formação em Artes Visuais que teve as narrativas pessoais enquanto mote desencadeador. Lugar este, onde histórias de vida se faz caminho metodológico que ao ser trilhado pelo próprio estudante / educador cria possibilidades para compreensão e construção a partir do próprio processo formativo suas metodologias de trabalho. A experiência partiu das narrativas de cada um acerca de objetos pessoais e aquilo que cada objeto contem de memórias, afetos e histórias de vida que foram entrelaçadas com a história da arte e com o fazer arte. Conceber a formação é, de certa maneira, conferir ao sujeito que aprende modos de restituir a si mesmo sua própria história, e a partir daí, vislumbrar os possíveis entrelaçamentos ou possíveis conexões com os conteúdos pertinentes

21 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 20-28.

Uma história de vida não é feita para ser arquivada ou guardada numa gaveta como coisa, mas existe para transformar a cidade onde ela floresceu — Bosi (2003: 69).


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