Considerações finais
Os relatos das experiências vivenciadas e as reflexões delas advindas, expostas neste artigo, tiveram como premissa considerar o sujeito em formação a partir de sua trajetória, ou seja, o processo de formação e atuação, embasado na história de vida. Assim, o estudo apresentado propiciou-me compreender minha própria formação e atuação docente, no contexto do PARFOR, e os desdobramentos provenientes desta experiência. Meu olhar foi se ampliando à medida que participava das aulas. Construí conhecimentos, sedimentei ideias, aprofundei reflexões, troquei experiências com meus pares, adensei leituras, apropriei-me de vários autores, conheci artistas e suas obras, e produzi, também, minhas próprias obras de arte. Por outro lado, aos poucos, fui me construindo como professora de arte, ao mesmo tempo em que era também aluna da graduação em arte. O trabalho interdisciplinar proposto nas disciplinas de Gravura e Metodologia do Ensino de Arte foi de extrema importância, pois a vivência artística foi fundamental para
207 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 199-208.
Nesse sentido, os alunos apreciaram inúmeras imagens impressas das bailarinas de Degas, em todas as aulas. Assistiram também a um vídeo com imagens dessas bailarinas, pois estes propiciam o contato com as imagens e a audição de música clássica, o que oportuniza fruição das obras de arte. Nas aulas de frotagem e gravura, além do prazer gerado pelos processos de produção, observei que houve uma independência por parte dos alunos em relação à escolha e experimentação de materiais, o que os levou a perceber a diferença entre eles. Uns deslizam, outros arranham, uns são leitosos, outros secos, uns explodem a cor, outros ofuscam. Ao pintar, rabiscar, colar, derreter giz de cera numa vela acesa, observar a luz e a sombra causada pela chama da vela, escolher as cores de guache, a espessura do pincel, a consistência da cola, o tamanho e gramatura do papel, a textura da lixa e a imagem que serviria de suporte para cada trabalho, os alunos construíram conhecimentos. Os alunos apreciaram suas produções, porém, a criação passou pela investigação, pela experiência, pela ação, e não apenas pela contemplação. Por isso, a arte precisa ser vivida, fruída, por cada ser humano. A experiência que cada um vivencia com a arte é única e só pode ser decifrada pelo próprio indivíduo. Ao construir essa reflexão sobre o estágio, percebo o quanto minha experiência discente está em simbiose com minha experiência docente. Penso que o que acontece comigo é uma construção do conhecimento em arte, juntamente com meus alunos. Portanto, acredito que, tanto para mim como para meus alunos, a experimentação tem sido de suma importância.