Oliveira, Ronaldo Alexandre de & Lopes, Rosangela Almeida (2014) “Arte, educação e interdisciplinaridade: o sentido de uma experiência.”
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2. Por uma relação intima com o objeto
A proposta realizada nas disciplinas de Metodologia e Prática do Ensino de Artes Visuais I e II e gravura, instigou-nos a escolher um objeto que nos ligasse a um lugar e a nossa própria história, relacionando esse objeto à imagem de uma obra de arte. A proposta trazia ainda a ideia de englobar mais de uma disciplina no processo criativo, neste caso, foi realizada uma parceria com a disciplina de Gravura. O objeto escolhido por mim foi um par de sapatilhas de ponta, bem velho, muito usado nas aulas de ballet (Figura 1). Para estabelecer uma relação com as sapatilhas, escolhi duas imagens, uma do Teatro Ouro Verde, onde estudei e fiz várias apresentações e outra da minha sala de aula de ballet. Estudei ballet desde a infância, assim, passei muitas horas da minha vida nessa atividade, desse modo, os lugares das aulas e das apresentações marcaram minha vida para sempre. O teatro Ouro Verde é um local marcante, patrimônio histórico da cidade de Londrina/PR e local onde fiz várias apresentações. Nasci e cresci em Londrina, assim, tenho construído minha história aqui. Escolhi as bailarinas de Edgar Degas, artista impressionista que ficou conhecido como o pintor das bailarinas, porque esse tema foi fonte de constante inspiração para seu trabalho. Rememorar estas vivências remeteu-me a Ivani Fazenda (2002: 15), quando diz que a “trilha da interdisciplinaridade caminha do ator ao autor de uma história vivida, de uma ação conscientemente exercida a uma elaboração teórica arduamente construída.”Pudemos verificar isso em nossa experiência na disciplina de Metodologia, pois a ligação do objeto a ser trabalhado com nossa história de vida, com o lugar de referência, com nossas memórias, foi marcante. As duas disciplinas aconteceram simultaneamente, tivemos assim a possibilidade de ir e vir, de pensar os objetos e criar a partir dos mesmos. O início da aula, com a proposta do desenho, foi um choque. Afinal, como dizem também os meus alunos, ‘não sei desenhar’. Entretanto, foi um bom exercício, foi bom tentar desenhar a minha velha sapatilha, queria lhe dar a minha cara por meio do desenho. Experimentei também muitas variações do espaço, sobrepondo a matriz, várias vezes, no mesmo papel. Fiz todas as experiências intencionalmente, mas também me surpreendi com os resultados. Isso é fascinante na gravura, ou seja, a possibilidade de cada trabalho receber uma avaliação particular, de modificar os efeitos visuais ou os tons e cores, ou ainda, de acrescentar ou eliminar elementos que reforcem o caráter que se quer dar à imagem. A madeira e a goiva (Figura 2) criaram um embate diferente. Travamos uma luta com as diferentes “espadas de pontas cortantes” para ferir a madeira. A goiva exige manipulação mais firme e atenção, requer mais força e o envolvimento corporal é maior. A