202 Oliveira, Ronaldo Alexandre de & Lopes, Rosangela Almeida (2014) “Arte, educação e interdisciplinaridade: o sentido de uma experiência.”
profissional, pois me fizeram refletir sobre minha atuação. Essa constatação vem ao encontro do que afirma Fazenda (2002: 18, grifo nosso) ao declarar que, “numa dimensão interdisciplinar, um conceito novo ou velho que aparece adquire apenas o encantamento do novo ou o obsoleto do velho. Ele só adquirirá significado e força se for estudado no exercício de suas possibilidades.” Este intenso envolvimento também me marcou emocionalmente, de maneira significativa. Houve o resgate do humano no humano, pois muitas emoções vieram à tona. Para Rosito (apud Fazenda, 2002: 170). “Interdisciplinaridade é isso: a união do coração e a mente, é falar com a alma as questões que permeiam nossas vidas e que são fonte de conhecimento.” Inúmeras foram as experiências ocorridas no processo de formação, no curso de Artes Visuais /PARFOR, e estas se mostraram determinantes para a construção de um elo entre formação e atuação docente. Por meio dessas experiências, compreendi a importância da interdisciplinaridade, da vivência e da experimentação. Fiz descobertas, fruí o prazer da realização e compreendi seu sentido, além de digerir, entender melhor e ressignificar os fatos, aos quais atribuí valor. Acima de tudo, emocionei-me. “A emoção é a força que move e consolida” e “as emoções são qualidades, quando são significativas, de uma experiência complexa que se move e muda” (Dewey, 1980: 94). Para o autor, a experiência é emocional e não existe separada da emoção, pois esta está, intrinsecamente, unida aos eventos e objetos em seu movimento, assim, implica conexão com estes e seus resultados. Dewey argumenta que, em seu sentido vital, a experiência é definida por situações e episódios denominados, espontaneamente, de “experiências reais”; por coisas que dizemos quando lembramos das mesmas, tais como: “aquela foi uma experiência” (Dewey, 1980: 89-90). Nesse sentido, podemos afirmar que, para nós, alunos da turma II do PARFOR, aquela foi uma experiência. Dewey (1980) apresenta dois princípios fundamentais para a constituição de uma experiência: a interação e a continuidade. O princípio de continuidade refere-se a um continuum experiencial e se aplica para distinguir experiências de valor educativo de experiências sem tal valor. Nesse sentido, posso sinalizar que a experiência inicial gerou desdobramentos, pois nossas produções em gravura foram realizadas tendo como base tudo que havíamos construído e experienciado na disciplina de metodologia, além da produção de textos, de poéticas e da própria construção deste artigo, que apresenta o resultado que vivenciamos. A experiência inicial nos afetou e, de certa forma, nos alterou, nos modificou, de tal sorte que já não será mais possível vivenciar novas experiências sem levar em consideração as anteriores.