174 Ertel, Tatiane (2014) “Desenhar-se professor de Artes Visuais multifacetado: professor-artista-propositor como forma de estímulo ao desenvolvimento da imaginação no espaço escolar.”
contação de histórias. De dentro da mala surgiu uma mochila preta contendo variados objetos: secador de cabelo, colares, caixinhas com aromas diversos, chapéu, fotografias, galhos, lenço, etc. E também uma sacola roxa vazia. A contação se daria da seguinte maneira. Um aluno iniciaria contando uma história a partir de um objeto que ele pegasse da mochila. Após determinado tempo, a mochila era passada para o colega que estava ao lado juntamente com a sacola roxa, na qual deveriam ser colocados os objetos já utilizados na contação. Este deveria dar continuidade à história iniciada pelo colega inserindo o objeto que pegasse da mochila. E assim sucessivamente. Esta atividade causou enorme euforia nos alunos. Pois quando chegava a hora de alguém escolher um objeto e continuar a contação, os demais queriam dar a sua contribuição, falando o que imaginavam que pudesse ou devesse acontecer. Algo a destacar dessa atividade, foi o quanto os objetos adquiriram outros significados, sem ser o óbvio, apenas. Ou seja, os alunos aumentavam, criavam, modificavam as possibilidades de ser, de uso, de significados, de consequências que os mesmos causam, dando origem a lugares, ocasiões e acontecimentos. Uma caixinha de chá havia se transformado no veneno que uma “velha” utilizava para entorpecer suas vítimas. Um chapéu de lantejoulas se transformara num acessório de charme que um rapaz (personagem criado numa das contações) utilizava para ir aos bailes de funk e pagode. Um secador de cabelo era uma poderosa arma utilizada para queimar as pessoas. Enfim, os alunos ampliavam suas leituras, e imaginação a partir dos objetos. Para um dos dias do roteiro, estava prevista uma atividade em que a imaginação dos alunos devia libertar-se, pois criariam um percurso próprio. Como? Prevendo que poderiam ficar aflitos e sentirem-se totalmente perdidos, eu havia preparado um envelope com um fragmento de um mapa para cada um. Foram dadas algumas direções, entretanto não eram fechadas para lhes auxiliarem neste passeio que fariam sozinhos. As orientações dadas foram as seguintes: “Imaginem-se neste lugar. O que vocês fariam ali? Por onde andariam? Como é este lugar, e o clima, como está? O que poderia acontecer?” Não foi informado de que cidade era, porém, como uma das avenidas se chamava Pacaembu, alguns deduziram que era de São Paulo. Foi entregue o mesmo mapa para cada um, para que, mais tarde, pudéssemos compartilhar com os demais os diferentes percursos, caminhos e situações que surgiriam a partir do mesmo recorte de mapa, Figura 5, Figura 6, Figura 7. Nas imagens a seguir é possível transportarmo-nos para alguns trechos dos momentos e lugares que os personagens desta história percorreram. Prepare seu chá, e deixe sua mente e espírito aberto para viajar!