Skip to main content

MATÉRIA-PRIMA 4

Page 171

A viagem

A partir de então, coloquei-me na posição de professora-artista-propositora, convidando os alunos a viajarem comigo para os lugares que nossa imaginação criasse. Antes de viajar, sabemos que é imprescindível ter um planejamento mínimo: saber a duração da viagem, traçar um roteiro, o que será necessário levar e demais recursos que venham a ser importantes. E para tanto, muni a mala com instrumentos que pudessem vir a facilitar essa viagem: mapas, objetos, caixas sensoriais para aguçar a percepção para que pudéssemos nos tornar mais sensíveis. Com hora marcada para fazer o convite e iniciar a viagem, à medida que os demais passageiros iam chegando para a sala de aula — tendo já organizado um círculo com as cadeiras e com a mala posta no centro do mesmo — as perguntas vindas de olhares curiosos eram lançadas: “Professora, a gente vai viajar?” “Para onde vamos viajar?” Excitados com a presença da mala, respondi que viajaríamos para os lugares que nossa imaginação criasse. Contei a eles que a mala nos acompanharia durante as aulas. E de dentro dela, surgiriam algumas “surpresas”, objetos curiosos, que serviriam como estimuladores à nossa viagem e imaginação. E para este primeiro dia, muni a mala com objetos que pudessem incitar os alunos a percorrer lugares e momentos imaginários através de uma proposição:

171 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 168-179.

“sentires e pensares” aos alunos, tornando o tempo e o espaço das aulas de artes propiciadores de novas experiências. Percebe-se a reconfiguração do espaço da sala de aula importante, visto que a maneira pela qual ela é estruturada não se adequa a uma estrutura que promova um melhor desenvolvimento dos alunos em vários aspectos. Seja pela monotonia, ou pelo “engessamento” em que se encontram os alunos dentro de uma estrutura rígida. Sentar “enfileiradamente” na sala de aula, como simples exemplo, limita a possibilidade de uma integração maior entre a turma. Da mesma forma, em uma sala específica de artes, com grandes mesas, temos trabalhos que precisam ser realizados no chão ou mesmo na parede, dinamizando a estrutura do mobiliário. Esta é uma das pedagogias invisíveis a ser considerada, segundo a arte-educadora Maria Acaso (2012). Levando em consideração o que se havia observado durante o estágio inicial — a forma como os alunos realizavam seus trabalhos, suas dificuldades, como interagiam com o espaço escolar, o que gostavam de fazer nas aulas, também o local que seria o ponto de encontro e como esse era organizado e de que modo ele poderia implicar na viagem que se estava disposta a traçar e percorrer — levaram a criar um objeto propositor/disparador central: a Mala dos Possíveis, Figura 4.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
MATÉRIA-PRIMA 4 by belas-artes ulisboa - Issuu