Desenvolvimento
A atuação como professora no estágio começou, inicialmente, através de observações. A partir delas foi possível identificar algumas dificuldades dos alunos para desenvolver os trabalhos que lhes eram solicitados. Desta forma, a necessidade encontrada durante o estágio docente, de criar ferramentas e maneiras que pudessem impulsionar o desenvolvimento da imaginação, ultrapassando as formas convencionais para esta possibilidade, levou a busca por atitudes dos artistas, que se afirmam como propositores, como orientação/inspiração para encaminhar o desafio. Dessa forma, tendo como fonte de motivação adotar a postura de professora-artista-propositora, passou-se a utilizar como referencial artístico e ideológico as concepções de alguns artistas que pensaram a arte como experiência e participação, criando obras propositivas e sensoriais que exigem o contato, a manipulação e a vivência direta do público com a obra permitindo que o público, de certa forma, também se sinta autor. A série Bichos (1960) de Lygia Clark, por exemplo, e a obra Parangolé (1964) do artista Hélio Oiticica, Figura 1 e Figura 2, são obras propositivas pelo fato de provocarem interação com o público, exigindo uma participação mais ativa do espectador. Nesses exemplos, enfatiza-se o papel do artista como propositor ou canalizador de experiências. A escolha de iniciar o estágio a partir de uma ruptura criativa no cotidiano dos alunos foi realizada para possibilitar que, a partir desta proposta inicial, os alunos desenvolvessem um trabalho muito mais rico e espontâneo, Figura 3. De entre os possíveis caminhos para esta ruptura foi escolhida a criação de objetos propositores/disparadores aliados a experiências lúdicas, que envolvem uma mudança da postura corporal dos alunos e também algumas mudanças na configuração do espaço da sala de aula, possibilitando novos
Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 168-179.
Como atrair olhares curiosos e despertar o interesse para uma participação mais ativa dos alunos em uma aula de Artes? Como atiçar a imaginação dos alunos quando estes pensam que “não a tem” e canalizá-la para vias de produção de conhecimento? Este texto trata de uma experiência concreta em uma escola pública do ensino básico em Porto Alegre — Rio Grande do Sul/Brasil, descrevendo a atuação de uma professora estagiária da disciplina de Artes em que se buscaram formas que pudessem responder a tais questionamentos.
169
Introdução