154 Moreira, Agostinha da Conceição Ribeiro (2014) “Espaços para o Ensino das Artes Visuais.”
corpo no mesmo e na relação interpessoal entre os alunos que compõe a turma. Os exercícios propostos nas Unidades Didáticas levaram a que os alunos fossem sujeitos a diferentes interações com o desenho, com o espaço e com os restantes elementos da turma. Através da prática do desenho (e fazendo uso da mesma) procurou-se despertar nos alunos a reflexão e a consciência dos fatores espaciais condicionantes nas ações e relações humanas. Com isto, procurou-se ainda potenciar uma produção na companhia de diferentes colegas com o intuito de gradualmente desenvolver a segurança de cada um quer para expôr os seus desenhos, quer para expôr as suas opiniões, para além do companheiro de carteira. As oficinas de desenho tinham por objectivo descentralizar o espaço da sala de aula para o ensino/prático do desenho. Para isso, foram explorados outros espaços e os alunos confrontados com o ato de desenhar desde espaços domésticos até aos mais diversos espaços dentro da delimitação da escola (Figuras 4 — 9). Assim como, criar situações às quais não estavam habituados quanto à organização relacional dentro da turma. A multiplicidade de modelos educativos aplicados — quer através de jogos ou questões situacionais — gerou diferentes combinações/disposições dos alunos pelos espaços. O papel dos professores passou por mediarem as actividades, pois as próprias novidades circunstanciais já eram grandes momentos de aprendizagem, recheados de partilha e transmissão de conhecimento entre alunos. Conclusão Não é possível ignorar-se as condicionantes físicas, pois elas são intervenientes no processo de ensino-aprendizagem. O espaço é o suporte físico de todas as atividades realizadas inferindo de forma diferente sobre cada indivíduo. Tanto a disposição como a distribuição interna dos edifícios e dos espaços da escola influem sobre o ambiente da comunidade escolar e, por sua vez, trespassam para dentro da sala de aula. Considerando que as pessoas são diferentes, todas desenvolvem formas de experienciar e aprender, pois estão inseridas numa sociedade desigual, complexa e por vezes contraditória. Retomando o papel do arquiteto, é muito difícil imaginar um espaço que responda à diversidade, diferença e adapte-se a toda gente. A sala de aula é um espaço coletivo, para a turma, mas também individual, para o aluno. Quando a relação pedagógica e o espaço arquitetural se completam e interagem, oferecem qualidade e conforto, criando condições que estimulam a aprendizagem. As atividades realizadas conseguiram desencadear e sensibilizar a turma para alguns dos objetivos pretendidos, no entanto não é possível esquecer o