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MATÉRIA-PRIMA 4

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(…) o educador, de um modo geral, não analisa nem discute problemas relativos ao equipamento e pouco ou nada faz no sentido de serem estudadas novas concepções que melhor se adaptem ao indivíduo e ao seu trabalho (Carneiro et. al., 1983: 121).

Se existe uma relação de influências mútuas entre utilizadores e espaço, determinados mecanismos que se usam também na sala de aula são facilitadores ou inibidores da criação de situações de aprendizagem mais apropriadas à participação e motivação dos alunos. Deste modo, quando ocorre uma desmotivação dos alunos em relação à escola e consequente vontade de evasão, esta poderá estar, para além de outros factores, relacionada com o espaço da escola e da aula, nomeadamente com o tipo de espaços existentes (como espaços de convívio), a realização de aulas exclusivamente expositivas que não incentivam a participação, a dificuldade de visão para fora ou para o professor, a inibição da apropriação dos espaços por parte dos alunos e consequente não identificação dos mesmos com os locais (não entender o espaço como «seu») e, por último, as limitações de movimentos impostas (Gago, 2010: 17-18).

O dinamismo na sala de aula está ainda comprometido com a distância dos indivíduos entre si. O manuseamento do espaço influencia o comportamento e o tempo de palavra de cada indivíduo. Edward T. Hall (1966) reflete acerca da noção de comunicação verbal, mais especificamente as alterações do tom de voz consoante a distância espacial. Enquanto alguns alunos preferem ficar mais recuados relativamente ao professor, outros precisam de estar nas primeiras filas para manterem a capacidade de concentração, mas sobretudo para conseguirem ter à vontade para participarem na aula. “Os lugares escolhidos pelos alunos, no princípio do ano lectivo, podem dar importantes indicações sociopsicológicas.” (Carneiro et. al., 1983: 111). A disposição dos alunos em diferentes pontos da sala altera o ambiente da aula, pois tem repercussões que incidem sobre o comportamento, as interações e o envolvimento dos alunos. 5. Relação com o desenho em espaço escolar: a elaboração de um programa de intervenção Após um tempo de observação, no 2º período escolar, foram adotadas estratégias que se centravam na perceção e (re)conhecimento do espaço, na mobilidade do

Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 145-155.

Ainda relativo à organização e estratégias construtivas do espaço, o arquiteto projeta a sala de aula mas não controla os movimentos e comportamentos de quem a habita. Compete a professor e alunos desenvolver dinâmicas espaciais e relacionais. O espaço da sala de aula define algumas orientações pedagógicas, no entanto cabe ao professor não se deixar limitar e explorar estratégias de comunicação.


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