152 Moreira, Agostinha da Conceição Ribeiro (2014) “Espaços para o Ensino das Artes Visuais.”
flexíveis são importantes para a aprendizagem, na tentativa de a melhorar. Para isso, o ideal seria que tanto o mobiliário como os quadros fossem ser movíveis, na medida em que iriam permitir a reconfiguração da sala, criando diferentes cenários de aprendizagem, de acordo com cada atividade. Se o espaço for preparado para as diferentes utilizações ele irá permitir ao/aos professor/alunos usá-lo conforme lhe/s seja mais conveniente e, consequentemente, ajudar a melhorar a capacidade de retenção do conhecimento. A criação de superfícies de trabalho para encorajar a participação democrática, numa aprendizagem realizada lado-a-lado, possibilita a interação e colaboração que aproxima os alunos e contribui diretamente para a troca conhecimento. A comunicação é essencial dentro do espaço de aula e a flexibilidade do mobiliário/alunos torna-se fundamentalmente positiva no seu decorrer. Ao potenciar-se a partilha de ideias entre o grupo poder-se-á também conseguir que a interação ocorra fora do ambiente formal da sala de aula. A comunicação assemelha-se ao efeito “bola de neve”, quanto mais é estimulada, maior será a probabilidade de promover um ambiente comunicativo dentro de determinado grupo. Tudo isto fará com que a sala de aula se torne mais rica e mais extensa, alargando os espaços de aprendizagem. A partilha será intuitiva e naturalizada. Neste sentido, a interação “intraturma” deixa de ser apenas uma ligação forçada e de conveniência, evoluindo para uma interação social. Cada um aprende por si e com os outros. Combatendo-se o ensino “instrutivo” da exposição e assimilação de uma perspetiva unilateral e inquestionável, a do professor (Guerra, 2002). De certo modo será criar uma comunidade que vive de bem com a escola. Uma comunidade amigável de dentro para fora. Isto é, se a generalidade do ambiente da escola tem repercussões no espaço de aula, também a alteração dos pequenos grupos de trabalho geram mudança no colectivo. Outro fator influente na aprendizagem é a disposição e localização dos elementos da turma, assim como em dar a possibilidade de escolha para que o aluno se sente no lugar onde se sinta mais confortável. Seja por que razões forem, o incomodo nunca é bom companheiro para qualquer tipo de recetividade. O ensino torna-se favorável — por exemplo — quando o companheiro de carteira é alguém com quem se está à vontade para fazer comentários paralelos e trocar ideias. Uma aula terá mais probabilidades de obter sucesso se o aluno sentir que se encontra num ambiente confortável para trabalhar. Mayumi Souza Lima (1989) sublinha a importância de planear os espaços com os próprios alunos pois assim coloca-os na posição de ator e não como espectador da aula. O aluno faz parte da produção do espaço e não do resultado. Mas este acontecimento é difícil se