3. Elementos de suporte físico às actividades curriculares e didáticas O mobiliário escolar faz parte de um conjunto de elementos de suporte físico às atividades curriculares e didáticas. Este pode ser visto como uma peça que compõe o ambiente, assim como também uma peça que o transforma. Normalmente a disposição dos elementos do mobiliário altera-se conforme o modelo educativo adotado. Um estudo presente na obra “O espaço pedagógico” (1983) mostra diferentes dinâmicas criadas para cada situação na sala de aula e os efeitos que têm na participação dos aprendizes/discentes na própria ação educativa (Carneiro et. al. 1983). Os autores identificam e analisam três tipologias: a aula tradicional, a aula ativa e a aula não diretiva (Figura 3). Refletindo deste modo, como a utilização da mesma área e com os mesmos elementos de suporte físico de apoio às atividades, organizados de diferentes modos, poderiam influenciar o espaço de aprendizagem e as próprias dinâmicas de ensino. Salienta-se aquele que é aplicado na ESRT — o modelo educativo tradicional ou expositivo — em que o saber é uma conceção hierárquica, pois circula de forma descendente (Guerra, 2002). Aula tradicional — O professor está sentado à secretária e dirige-se colectivamente aos alunos. A comunicação faz-se num só sentido. Os alunos não podem sair do seu lugar; as interacções entre eles existem, mas são proibidas (Carneiro et. al. 1983: 115).
4. Flexibilidade As construções escolares massudas e inflexíveis dificultam a adaptação e não possibilitam a capacidade de acomodar as diferentes necessidades de cada utilizador. A atenção e incentivo do aluno podem ser estimulados ou limitados através das mudanças dos elementos físicos que constituem o espaço da sala. Quando se instala a rigidez nas instituições, a inovação está morta mesmo antes de nascer. A organização converte-se assim num obstáculo para a mudança, em vez de ser um elemento de dinamização e de melhoria (Guerra, 2002: 41).
A flexibilidade ao nível de organização e uso do espaço escolar torna-se um fator influente. O desenvolvimento de espaços físicos ou virtuais, inovadores e
151 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 145-155.
espaços. Os arquitetos são “ (...) estudiosos, especialistas e actores da concepção e gestão do espaço para a educação” (Ladiana, 2011: 13). São indivíduos que possuem liberdade de criação, mas que na maioria dos casos está condicionada por parâmetros dos projetos educativos em vigor.