150 Moreira, Agostinha da Conceição Ribeiro (2014) “Espaços para o Ensino das Artes Visuais.”
e durante o processo de observação nas aulas das diferentes disciplinas). No decurso do ano letivo, e na aproximação individual, fui conhecendo a identidade dos elementos da turma e diagnosticando os seus níveis de insegurança, os seus mecanismos de defesa e de resguardo desenvolvidos. Cada aluno camuflou a sua identidade e aquilo com que se identifica, deixando-se levar por uma identidade coletiva que atenuou o ativismo da turma. Em suma, a turma conseguiu construir uma imagem coletiva absolutamente equilibrada ao nível da apatia e do envolvimento (formal) entre si e com o espaço, mas simultâneamente, de modo ainda mais intrigante, cada um construiu um mundo extremamente subjetivo dentro do seu imaginário. Individualmente os alunos apropriaram-se do espaço e existe um sentimento de pertença em diferentes escalas. Evans-Pritchard (ap. Filomena Silvano, 2010) classifica esta realidade em dois tipos de distâncias independentes: “ecológica” e “estrutural”. Neste relativismo social e espacial a turma “ecologicamente” encontra-se muito próxima (agrupados em turma e sentados todos juntos), mas “estruturalmente” os alunos estão muito distantes entre si (sistema social, organizados em função de diferentes valores). 2. Dinâmicas e espaços da sala de aula Uma aula poderá assumir diferentes contornos em diferentes espaços ou com a constante reorganização dos mesmos. As dinâmicas de aprendizagem podem ser influenciadas por um conjunto de fatores externos (ligados à envolvente: flexibilidade, organização e tecnologia) e internos (ligados ao individuo: criatividade, cooperação e proximidade) (Joana Vale, comunicação pessoal no Colóquio “C+C+W” FBAUP, 10 de Abril de 2013). Os elementos físicos e as condições do espaço podem conseguir afastar ou até mesmo envolver psicologicamente e emocionalmente os alunos na aprendizagem. Entre eles poderá mencionar-se: a decoração, o mobiliário, a tecnologia existente, o som do espaço, a temperatura do espaço, o que envolve o lugar, a serenidade e a sedução do espaço, a luminosidade, a harmonia e a sua funcionalidade. A construção tem a capacidade de tornar o espaço apelativo (ou não) quer para quem lá estuda ou trabalha e, ainda que inconscientemente, terá efeitos nos comportamentos humanos. Ao estudar o percurso histórico realizado pela arquitetura escolar, verifica-se que os projetos de cada edifício (independentemente da sua época temporal) na sua maioria revelam uma clara preocupação pelo espaço da sala de aula, com base em algum modelo educativo. Além da responsabilidade construtiva, o arquiteto tem um papel altamente influenciador nas práticas pedagógicas que aí possam ocorrer, pois condiciona e infere na relação das pessoas com os