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MATÉRIA-PRIMA 4

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149 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 145-155.

segundo ano com o processo de observação realizado em trabalho de campo, no âmbito do estágio pedagógico realizado ao longo do ano lectivo de 2012/2013, na ESRT — Escola Secundária de Rio Tinto, distrito do Porto, Portugal, para obtenção do grau de Mestre em Ensino de Artes Visuais no 3º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário. No período de tempo entre outubro e julho, tanto os espaços da ESRT, como a comunidade escolar e o acompanhamento de uma das turmas do curso de Artes Visuais de modo mais aproximado foram importantes contributos para o desencadeamento da reflexão, servindo os mesmos como base e objeto de estudo. Devido à sobreocupação de salas, durante todo o ano lectivo — à exceção da disciplina de Educação Física — a turma acompanhada esteve sujeita a uma imposição espacial que lhes condicionava toda a carga lectiva na mesma sala de aula, incluindo as disciplinas de componente específica, tais como Desenho e Geometria Descritiva. Um espaço organizado segundo um modelo de aula expositiva, em filas rígidas, com mesas de pequenas dimensões, sem pontos de água (em todo o pavilhão), sem possibilidade de abrir as janelas e com um regulamento inflexível face à deslocação ou alteração do mobiliário (Figura 1 e Figura 2). Dentro do espaço o grupo de alunos dispunha-se da mesma forma em todas as disciplinas, criando deste modo escalas de pertença pessoais e marcação de território. Esta limitação deu lugar a vários questionamentos na tentativa de entender a relação entre essa verificação à primeira vista negativa e a possibilidade de um retrocesso na formação dos estudantes. Assim como, o aumento da desmotivação dos mesmos para a aprendizagem. Com base no processo de observação verificou-se ainda que os alunos não se sentiam à vontade para desenhar fora da sala de aula e deixaram de ter prazer em abrir os seus cadernos de desenho. O hábito de desenhar dentro de determinados parâmetros moldou o sentido do desenho e os alunos não viam essa prática como algo espontâneo e regular. Existia uma tal estratificação do desenho de modo que não conseguiam fazê-lo em qualquer espaço ou a partir de elementos comuns. Em termos sociais não existe grande coesão entre os alunos, e esses conflitos, assim como a disposição rígida (em filas) e inflexível de segunda a sexta, levou a que cada aluno fosse privando o manifesto da sua opinião/pensamento, permitindo-lhe o recolhimento, o sentido de dentro e fora e o recolher-se num espaço/lugar. Neste sentido, a turma em geral não se sentia confortável nas aulas, pelo que consequentemente não se sentiam nem queriam sentir-se como parte daquela sala de aula, pois não tinham boas recordações do espaço (informações obtidas a partir de desabafos dos alunos em contextos e conversas informais


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