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MATÉRIA-PRIMA 4

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— é um desafio para qualquer professor. Na busca de “desacostumar as palavras e as coisas” inventamos um currículo onde a formação docente esteja incorporada ao sabor da experiência — subjetiva, singular, pessoal, dos alunos e a nossa própria.

Egas, Olga Maria Botelho & Martins, Mirian Celeste (2014) “A construção de esticadores de horizontes para transver o mundo: uma experiência na formação inicial em artes visuais.”

Entre estranhamentos e surpresas, a experiência.

Para uma aprendizagem inventiva se faz necessário ao professor um “baú com instrumentos de trabalho: um abridor de amanhecer, um prego que farfalha, um encolhedor de rios e um esticador de horizontes”, como diz Manoel de Barros no Livro das Ignorãças (1993). Nesta obra o poeta perambula por “uma didática da invenção, os deslimites da palavra e o mundo pequeno” e, nos conta que desde “menino gostava mais do vazio do que do cheio”. Na tentativa de compreender ‘os vazios e os cheios’ da disciplina Saberes Artísticos Escolares, propusemos uma autoavaliação, para verificar como e se os alunos perceberam nas proposições escolhidas por nós, a aula como acontecimento e o curriculo como potência de invenção de problemas. Ao elaborar as respostas, o estudante tem a oportunidade de tomar consciencia de sua propria caminhada? Os trinta e sete alunos da turma, 32 mulheres e 05 homens, foram unanimes em considerar a relevancia das reflexões realizadas sobre educação/cultura/arte, como afirmam Virgínia, Carolina D, Marcus, Tamarara e Raquel, nesta ordem: A disciplina foi o passo inicial para me enveredar nas reflexões em torno da arte, da cultura e da educação. Ainda não havia pensado nas questões apresentadas nas aulas e percebi a importância do assunto. Minha percepção desses temas era extremamente limitada, muitas vezes, baseada na minha própria experiência com as aulas de arte no ensino fundamental e na concepção tradicional do ensino de arte nas escolas. Percebi que é possível alterar a maneira de lecionar, quebrando paradigmas e utilizando a criatividade. A aula abriu horizontes que eu não sabia que existiam na arte, mesmo sendo uma estudante de artes, isto é, imaginei que teria menos preconceitos sobre o assunto. Percebi que estou inserida na cultura de massa e talvez não tratasse o ensino de artes com o respeito que deveria antes desta disciplina. Após estudar e entender os pontos altos e baixos da educação, você expande horizontes e não fica mais preso a minúscula ideia de que dar aula é apenas ‘falar’ e ter a esperança de que alguém aprenda. A disciplina de Saberes Artístico me fez perceber que o aluno também tem que ter voz na sala e mostrar o que lhe interessa ou não, tendo, assim, liberdade de pensamento. Todo o conteúdo da disciplina me ajudou a decidir: serei professora!


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