116 Egas, Olga Maria Botelho & Martins, Mirian Celeste (2014) “A construção de esticadores de horizontes para transver o mundo: uma experiência na formação inicial em artes visuais.”
A formação inicial docente é um espaço movediço, fértil e fugaz. Esse processo formativo perpassa expectativas pessoais, subjetividades, afetos, devaneios, visões de mundo, impaciência, maturação, reflexão, sofrimento. E claro, desejos para o futuro e a possibilidade concreta de inventar caminhos e fazer escolhas coerentes e sensíveis. Como formadoras de professores, acreditamos que a licenciatura pode ser um espaço para cuidar de si e cultivar-se, ampliando possibilidades outras de existência. Compartilhamos com Virgínia Kastrup (1999) quando vê o professor como “potência de invenção, de si e do mundo.” Perguntamo-nos frequentemente sobre quais os deslocamentos necessários na formação inicial para manter os licenciandos em “estado de invenção”, autores reflexivos e dinâmicos de sua própria prática. Assim, como escapar dos conteúdos rotinizados e reinventar outras práticas para lidar com os objetos e os acontecimentos? Apresentamos neste texto um recorte no processo de formação docente dos alunos da licenciatura em artes visuais, onde analisamos as respostas da autoavaliação realizada ao final do segundo semestre letivo de 2013, na disciplina Saberes Artísticos Escolares. Desaprendizagens permanentes Não gosto de palavra acostumada
— Manoel de Barros, Livro sobre nada, (2000:71) Kastrup (2005:1280), afirma que “invenção não é uma capacidade de solução de problemas mas, sobretudo, de invenção de problemas.” Manter-se em estado de invenção é manter-se atento e disponível ao vaivém das soluções/invenções de problemas, entre fluxos de inacabamentos. Nada é desde sempre nem para sempre. Assim, compartilhando experiências e vivenciando desaprendizagens permanentes, inventamos problemas — com o desejo sincero de possibilitar a construção de subjetividades e múltiplas ferramentas para ler e interpretar o mundo e desenhar sua própria história, condição que acreditamos ser indispensável ao oficio de qualquer professor. Para tal, planejamos proposições entre Arte, Educação e Cultura para instigar a sensibilidade estética dos alunos, futuros professores. Entre as intervenções, expedições culturais, como mostra a Figura 1 e Figura 2 que são aqui disparadores para nossa reflexão.