2.4.4 O estudo da Arte Egípcia
Nas pesquisas realizadas e já referidas, foram focadas várias influências que determinaram a forma de expressão de Miró. Referiu-se a possibilidade de a obra deste artista ter tido raízes no norte de África (Figura 3). Decidiu-se então investigar a Arte Africana e, dando um salto no passado histórico, foi possível no início do 2º período estudar a cultura e arte do “Egipto” (Figura 4). Graças a este tema desenvolveram-se conceitos artísticos associados a contextos geográficos e sociopolíticos que enquadraram toda a produção cultural da época. Foi assim estudado o Império Antigo, a primeira pirâmide de Sakara e a grande pirâmide de Guiza de Khufu bem como as de Khafré e Menkauré. Foram igualmente enquadradas convicções e crenças da civilização, em que só o Faraó goza de vida eterna, razão pela qual apenas ele e os seus familiares são embalsamados. Construíram-se imitações de “múmias”, estudou-se a escrita hieroglífica do Egipto. Deste modo as crianças adquiriram conhecimentos sobre a cultura, a política, a geografia, a produção cultural e artística de uma civilização passada, de substancial importância civilizacional. Criaram-se actividades de conceptualização artística que focaram a pintura mural, a arquitectura e a escultura, potenciando o desenvolvimento de competências expressivas, da escrita e da matemática.
105 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (4): 100-108.
para a sala de aula questões que careciam de resposta. O possível leilão das obras do artista pelo Governo Português, em Novembro deste ano, propiciou que os alunos se centrassem no estudo da obra deste artista. A actividade sobre Miró esteve também associada à área curricular do “Conhecimento do Mundo”, uma vez que as crianças na família, se encontravam expostas ao debate através dos telejornais (Figura 1). O uso que o artista fez da utilização da cor pura, recorrendo a uma espontaneidade gestual e intuitiva, permitiu uma associação com o imaginário infantil e tornou-se adequado para introduzir um conjunto de técnicas. Os alunos criaram trabalhos de expressão plástica “à maneira de Miró”, explorando técnicas, fantasias e desenvolvendo a imaginação. O mundo da magia, do faz de conta, da expressão e da comunicação, surge associado à riqueza da descoberta dos vários materiais, suportes e cores. Abordaram-se, posteriormente, conhecimentos mais aprofundados, relacionados com as teorias da cor e sua interpretação, apresentando-se estudos e descobertas da escola de artes “Bauhaus” e Johannes Itten (1998) (Figura 2).