1. Recurso didático Quando um professor desmonta o plano curricular nacional de nível macro para um plano curricular de aula de nível micro e propõe uma aplicação do mesmo a um grupo de alunos, depara-se com dificuldades práticas na articulação entre aprendizagens, avaliação e ensino que advêm do chamado paradigma da transmissão. O paradigma da transmissão que, no essencial, pressupõe um professor-funcionário ou um professor-burocrata a dizer o currículo e um aluno a tentar seguir o que lhe é dito, tem que dar lugar ao paradigma da interacção social, da comunicação e da actividade individual e colectiva (Fernandes, 2008).
O Diário Gráfico surge assim, antes de mais, como um facilitador da comunicação professor-aluno, e torna-se num instrumento didático, a par do valor afetivo que lhe é incutido por ser de cariz pessoal, onde o aluno incorpora novos conceitos ao seu campo lexical e se propõe comunicar através de uma linguagem gráfica própria. Com uso a este recurso, o aluno poderá participar de forma ativa na edificação das suas aprendizagens e o professor ser o orientador das mesmas. Por ser um objecto pessoal fechado em si mesmo, o Diário Gráfico torna-se num espaço indicado à experimentação sem inibições, a que apenas o aluno tem acesso, e onde o aluno não coloca a questão “eu não sei” ou “eu não consigo”. Ele é o criador da sua obra e naquele pequeno mundo guarda as suas conquistas, desabafa as suas frustrações, desenha um campo de batalha e regista as suas vitórias. No final, aquele arquivo que conta a história de um percurso, será um recurso para avaliar a sua evolução, reconhecer os pontos de viragem nas suas aprendizagens e recordar técnicas, teorias ou histórias que lhe possam ser úteis na continuação desse percurso. O diário sendo por isso um exacerbador do ego do aluno, passará a ser a sua memória externa e um arquivo sempre vivo e pronto a ser atualizado.
97 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (3): 96-102.
e pensamento. Por toda esta versatilidade inclusiva nos mais variados projetos que um aluno possa desenvolver em sala de aula, o Diário Gráfico passou a ser uma ferramenta imprescindível em muitas escolas mundiais. A agregação de todas estas funções resulta num depósito de memória e conhecimento tornando-se um objeto de estudo criado e desenvolvido pelo aluno à medida das suas descobertas e necessidades.