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Como motivação inicial recorreu-se a uma sensibilização através de diversas referências da arte (pintura, escultura, cinema, literatura) e do quotidiano (publicidade). Por exemplo, começou-se por exibir o filme Frida (2002) de Julie Taymor, por ser um testemunho do reflexo da vida na obra do artista. Realizou-se uma análise morfologia dos termos retrato e autorretrato, destacando o prefixo auto e apresentou-se uma breve evolução histórica e conceptual dos mesmos, desde o “mito da sombra” e os retratos fúnebres egípcios Al Fayum, à variedade de auto-retratos a partir do séc. XX. Decompôs-se obras plásticas, auto-retratos e autorrepresentações, em aspectos formais (meios e técnicas) e de conteúdo. Propôs-se o entendimento do exercício de autorretrato e/ou autorrepresentação, por um lado, como uma experiência de consciência de si próprio, na qual é possível: Confrontar aquilo que julgamos ser com aquilo o que vemos; Traduzir a realidade interior e exterior plasticamente, ou seja, ir ao encontro com a identidade própria através de formas plásticas; Representar uma presença real e natural, a sua, num mundo efémero e subjectivo; Mostrar a sua existência enquanto indivíduo que vive num determinando espaço e tempo (Ramos, 2001). Pelo outro lado, como a possibilidade de transformação de si próprio: Ser ator e espectador de si próprio, despejando para o autorretrato tudo o que o seu autor considera ser (assim como o caso de Dorian Gray, figura 1, à direita em cima); Representar personagens — papéis sociais, personalidades, famosos, ídolos (ex: If only for a second, um vídeo no qual um grupo de doentes de cancro são caracterizados por profissionais com o olhos vendados, Figura 1); Ocultar/
Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (3): 56-65.
Figura 1 ∙ Oliver Parker, Dorian Gray, still de filme (2009); If only for a second, still de vídeo (2010); Alicia Baladan, ilustração (2013); Batman, ilustração.